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1. O Brexit nunca foi senão uma grande ilusão. E contudo, pode acontecer. Uma ilusão.

2. Mil metáforas ilustram-no. Corriqueira é a do distinto cidadão que adere a um selecto clube

de ténis da cidade, com relutância, por não querer sujeitar-se às regras ali impostas. Exige pagar menos, regalias únicas, isenção de obrigações a que os outros membros estão sujeitos. Vista a consideração que todos lhe têm, aceitam os pedidos. Mas ele não está satisfeito. Convence-se (na verdade, convencem-no) de que pode abandonar o clube mantendo o direito de aceder, de jogar sem pagar quotas nem se sujeitar a condições como ter de usar determinado equipamento ou fazer marcações com antecedência. “É uma violação do meu direito de jogar sempre que me apetecer”, e lembra-se dos velhos parceiros de jogo com quem jogará quando e onde quiser, nos seus próprios termos.

3. Vota em consciência consigo próprio e informa o clube de que sairá em dois anos, prazo previsto no regulamento interno. Negoceia longamente os termos da saída. E surpreende-se, ao fechar o acordo, por não ter conseguido mais do que um direito de acesso temporário, com restrições, sem direito a jogar. E os velhos parceiros afinal não estão disponíveis. E de repente o membro relutante tem uma epifania: quis ser independente, soberano, e afinal já era, e se calhar vai perder tudo o que conseguiu em anos de membership. Ora bolas!

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