Desde algum tempo que se verificam sucessivos casos de denúncias anónimas que transitam em processos de investigação e que abalam a política nacional.
Não bastasse o carácter pouco ético na forma como é tornado público qualquer destes casos, antes mesmo dos visados serem constituídos arguidos, prejudicando, não só os mesmos, mas também, a própria investigação, em verdade, tudo isto conspira para toda a instabilidade governativa que temos vivido no nosso país.
Aliás ética parece ser uma palavra que se varreu dos dicionários no mundo da política atual assim como dos meios como que esta comunica aos cidadãos.
Passando pelas redes sociais, onde tudo é permitido, sem regulação, desde as “fake news” ao populismo, o debate político baseado em ideais parece ir desvanecendo a reboque dos vários cenários internacionais.
Hoje a política parece ser feita com base em ataques pessoais, cirúrgicos que facilmente extrapolam para todas as áreas de (des)informação.
A denúncia anónima, ainda que constituindo um fator de liberdade, quando tornada pública, torna-se alvo de especulação e teorias conspirativas, ferindo quase de morte qualquer político em exercício, ainda antes de ser condenado ou ilibado.
Quase se adivinha que para ser político no nosso país é necessário ser alvo de toda a dúvida e devassa da sua vida privada, mesmo entregando todos os documentos e fazendo prova antecipada dos seus interesses profissionais e pessoais.
Num país onde ainda assim, condenados podem exercer as suas funções como candidatos e políticos.
Torna-se urgente e necessário que a fiscalização e os agentes reguladores nas várias áreas façam o seu trabalho de casa, no sentido de precaver estas situações como a do primeiro-ministro, cujas repercussões poderiam ter sido evitadas.
Por outro lado, o debate político deve centrar-se mais nas propostas e na defesa dos ideais, ao invés de se focar nas guerras internas e calculistas que em nada contribuem para o desenvolvimento do país.
E assim vai a nossa nação conhecida secularmente como “(…) nos confins da Ibéria, um povo que não se governa nem se deixa governar”, com uma democracia jovem, mas débil, assoldada pela designação de nação onde, mais do que dar a cara e responder de forma honrada, a denúncia anónima impera.
Aguardemos por melhores dias!