Nos meus artigos anteriores sobre o politicómetro, expliquei que se trata de um novo instrumento para compreender o fundamento e a motivação de qualquer política.
Quem defende políticas de esquerda prefere uma maior intervenção do Estado na sociedade, limitando a autonomia das pessoas e das empresas.
Quem defende políticas de direita prefere uma maior autonomia das pessoas e das empresas, limitando a intervenção do Estado na sociedade.
Numa sociedade, há dois grandes eixos de aglutinação das políticas, o eixo da convivência e o eixo da economia.
No eixo da convivência estão as questões relacionadas com a vida pacífica em comum, por exemplo cidadania, segurança, justiça, relações entre as pessoas. Os partidos políticos posicionam-se neste eixo aproximadamente da seguinte maneira:
O diagrama acima ilustra que o CH defende políticas de esquerda, ou seja, maior intervenção do Estado nas questões relacionadas com a vida pacífica em comum, por exemplo maiores restrições à cidadania, maior poder das forças de segurança, maiores penas de prisão. Curiosamente, é percepcionado como um partido de direita por causa disso, quando na realidade é o oposto. Essa percepção resulta da permanente propaganda de esquerda em todo o mundo, exímia na perversão da realidade (já George Orwell escrevia no livro 1984 que o ministério da verdade mentia permanentemente em prol do Estado).
O diagrama acima também ilustra que o BE defende políticas de direita nas questões relacionadas com a vida pacífica em comum, por exemplo excesso de garantismo na defesa jurídica, libertinagem sexual (nisto o IL é semelhante), autorização de residência para qualquer estrangeiro bastando apresentar uma manifestação de interesse. Os governos do PS de António Costa seguiram esta política de extrema-esquerda, prejudicando a coesão nacional (provavelmente sem emenda) ao deixarem atingir 15% de estrangeiros em Portugal em 2024, na maior parte sem nenhuma exigência de integração comunitária, o que também já está a prejudicar a segurança colectiva.
No eixo da economia estão as questões relacionadas com a actividade económica, por exemplo agricultura, pecuária, indústria, comércio, transportes, serviços, seguros, banca, ensino, saúde, pensões. Os partidos políticos posicionam-se neste eixo aproximadamente da seguinte maneira:
O diagrama acima ilustra que o IL é considerado perto da extrema-direita e o PCP e o BE são considerados muito perto da extrema-esquerda nos assuntos económicos. Os partidos mais à esquerda defendem uma maior intervenção do Estado e os partidos mais à direita defendem uma maior autonomia das pessoas e das empresas na economia.
Em suma, os partidos defendem sempre uma grande intervenção do Estado nas matérias em que pretendem impor o modo de funcionamento da sociedade, retirando autonomia às pessoas e às empresas, uns numas matérias e outros noutras. Quando se trata de políticas de esquerda, é automático haver um aumento de despesa pública. Infelizmente, algumas políticas de direita (por exemplo o aborto), também acarretam um aumento da despesa pública. Tudo isto leva sempre ao aumento do leviatã Estado. O resultado trágico é uma carga fiscal exorbitante.
Vamos perceber como, começando por analisar a voragem fiscal sobre uma pessoa que trabalha por conta de outrem e ganha o salário mínimo bruto (870€), admitindo que 90% do seu salário líquido é gasto em consumo, 5% é poupado e 5% é investido:
Como se pode ver no quadro acima, a voragem fiscal do Estado é de 51% no caso do salário mínimo bruto, começando por levar 34,75% para a segurança social (23,75% pago pela empresa e 11,00% pago pelo trabalhador) e em seguida cobrando 20% de IVA sobre o consumo (estimativa feita com base na miscelânea de taxas de IVA aplicáveis a diferentes bens e serviços) e 28% de IRS sobre os rendimentos da poupança e do investimento.
Se considerarmos diferentes salários brutos de 1.500€, 3.000€ e 5.500€, sendo respectivamente 12%, 20% e 30% de taxa de IRS, 80%, 70% e 60% de gasto em consumo e 10%, 15% e 20% de poupança, obtemos o seguinte gráfico:
No gráfico acima percebe-se que a voragem fiscal do Estado é de 60% do salário bruto de 1.500€ (que corresponde aproximadamente ao salário médio em Portugal) e 73% do salário bruto de 5.500€.
Os exemplos acima são apenas um vislumbre da voragem fiscal do Estado. Há várias situações gritantes, uma é o IMI sobre a propriedade imobiliária, em que o Estado cobra impostos mesmo sem haver rendimentos, outra é o IMT sobre as transacções imobiliárias, em que o Estado cobra impostos por um bem essencial. Estes dois impostos, além de não respeitarem os direitos de propriedade das pessoas e das empresas, provocam um aumento automático enorme dos preços do imobiliário, que é um dos problemas que temos actualmente no país.
Em Portugal, a fiscalidade está inundada com políticas de esquerda, alinhada com o crescimento do leviatã Estado.
Mas não é só na fiscalidade…