29 de Agosto de 2023, no consultório do ginecologista francês Victor Acharian apresenta-se um casal. A mulher tem 26 anos e marcou consulta através duma aplicação. Não conhece o médico. Mas este ao ser informado pela sua assistente que a próxima paciente é uma mulher trans declara-se incompetente para fazer a consulta: a ginecologia trata do aparelho reprodutivo feminino e a jovem que estava no seu consultório podia parecer uma mulher, vestir-se como mulher, apresentar-se com um nome feminino, tomar medicamentos há três anos para feminizar o seu corpo mas biologicamente falando continuava a ser um homem: “Eu sou ginecologista e trato mulheres verdadeiras. Não tenho qualquer competência para tratar homens, mesmo que eles tenham eliminado a barba e digam à minha secretária que se tornaram mulheres.” — escreveu Victor Acharian numa resposta ao comentário negativo feito pelo casal ao seu não atendimento.
Rapidamente entraram em cena várias associações que fazem de Victor Acharian uma espécie de saco de pancada. Foi apresentada uma queixa na Ordem dos Médicos franceses. Entretanto o ginecologista insistia: “Eu podia ter atendido essa pessoa, cobrar-lhe 80 euros pela consulta para lhe dizer que sou completamente incompetente no seu caso: é isto que ela queria? Estas pessoas estão sob tratamentos hormonais, prescritos por serviços especializados. É deles o cuidado do acompanhamento.”
A penalização surge agora: Victor Acharian foi proibido de exercer medicina durante um mês.
Mas o que este caso revela é muito mais grave que essa penalização e remete-nos para a ditadura do pensamento instituída em nome das liberdades e da igualdade e que tem o seu melhor exemplo no ginecologista a ser penalizado por dizer o óbvio: os ginecologistas tratam mulheres. Um homem pode mudar de género masculino para feminino tal como uma mulher pode mudar de género feminino para masculino mas de sexo não se muda. Como é que dizer isto se tornou uma ofensa? Insulto? Heresia?
24 de Dezembro de 2023. No Victoria Hospital, na Escócia, a enfermeira Sandie Peggie discute no vestuário feminino com a médica Beth Upton ou mais propriamente com o homem que se passara a identificar como mulher e que por isso usava os vestuários destinados às mulheres. A enfermeira Sandie Peggie foi suspensa e o caso que chega agora a tribunal ganhou novos contornos pois os advogados de Beth Upton pretendem que Sandie Peggie se refira à médica como mulher o que a acontecer tornaria absurda as discussões que teve com Upton a propósito da sua presença no vestuário das mulheres, discussões essas que levaram à suspensão da enfermeira. É uma espécie de círculo vicioso constituído em armadilha: Sandi é suspensa do trabalho por ter discutido com um homem transgénero mas no julgamento tem de se referir ao transgénero como se ele não fosse homem…
Setembro 2024. “Olhem para o guarda-redes deles. O número 10 deles é obviamente um homem” — Observações como esta valeram a suspensão por vários jogos a duas futebolistas britânicas e a obrigatoriedade, pelo menos para uma delas, de frequentar um curso para se reeducar nesta matéria. Ou seja as mulheres estão a ser claramente prejudicadas por causa da participação de homens que se dizem mulheres, vestem como mulheres e se sentem mulheres em diversas modalidades mas depois não se pode referir que eles são transgénero.
Não duvido que um dia destes veremos vários líderes políticos a terem com o tema dos transgénero o mesmo volte-face que estão agora a protagonizar com a imigração ou com a segurança. E numa espécie de movimento reflexo as autoridades de saúde, desporto, as ordens profissionais… qual exército em manobras prontamente terão entendimentos em tudo contrários ao que defendem agora. E nesse momento várias pessoas que até agora se mantêm em silêncio aparecerão a dar conta da sua discordância que dirão de sempre apesar de nunca se lhes ter ouvido uma palavra sobre o assunto. Quanto aos outros, os estridentes defensores destas causas e aquela legião burocrática que a impõe, nem por um segundo se deterão a avaliar as consequências do que fizeram. Com a inimputabilidade de sempre e a arrogância de quem se considera dono do futuro, prontamente trocarão os transgéneros por outros quaisquer grupos ou temas que lhes apareçam como instrumentais.
Não me admira que o façam porque é isso que sempre têm feito. O que cada vez me cansa mais é que aceitemos tudo isso como natural. Uma espécie de destino por assim dizer.