Esqueçam as poesias retóricas e as fantasias políticas: os “coletes amarelos” não são uma saudável revolta do “homem comum”. Vamos ver se nos entendemos: o “homem comum” não incendeia carros, não destrói estátuas e não bate em polícias. O “homem comum”, numa democracia liberal, argumenta, protesta e, num momento de solenidade e respeito, vota.

Pode parecer pouco para aqueles que em Portugal sonham com a tomada da Bastilha ou, mais patrioticamente, com o PREC — mas é muito para quem aspira a, simplesmente, viver num país normal, onde a política não é uma sucursal da violência. Os extremistas acham que a política aborrecida é um vício; os moderados acham que é uma virtude.

Há outra coisa que os “coletes amarelos” não são: eles não são o despertar do “povo” sensato que enfrenta uma elite desligada da realidade. Se há alguém a viver em Marte não é Macron, são os “coletes amarelos”. O movimento é convenientemente inorgânico e, portanto, impossível de responsabilizar, mas vários documentos mostram o que está naquelas cabeças. E o que lá está é um país que oscila entre o absurdo e o perigoso.

Primeiro, os “coletes amarelos” refugiam-se num clássico da extrema-esquerda e da extrema-direita: transpirando irresponsabilidade, querem que França saia da União Europeia e da NATO, como se todos os problemas do país resultassem do mero ato de falar com estrangeiros, criar alianças e abrir fronteiras.

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