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No início do ano fui alvo de uma intervenção cirúrgica que me levou a um confinamento por ordens médicas e que desde logo me comprometi a cumprir claro. Mas foi um confinamento ainda na “antiga normalidade”. E foi portanto um confinamento

ligeiramente diferente àquele que estamos a viver hoje em dia. Mas não deixou de ser confinamento, e até bem mais severo pois condicionou também a minha mobilidade dentro e fora de portas. Isto para vos contar que estou confinado há mais de cinco meses em casa, porque o problema começou ainda em 2019 antes da operação. O primeiro trimestre por ordem médica, o segundo por ordem do governo e da situação que todos vivemos. Ambos me levaram a fazer sacrifícios pessoais e profissionais. Ambas me levaram a reorganizar a minha vida e a fazer um esforço acrescido que não esperava de todo.

A primeira fase de confinamento correu bem, graças ao meu médico e a toda a equipa do Hospital da Luz que me auxiliou no pós operatório e a quem agradeço muito. Mas acima de tudo penso que foi também porque decidi cumprir à risca o que me disseram, e por isso sacrificar toda a minha vida pessoal e profissional. E também porque do lado profissional tive toda a compreensão necessária para estar em teletrabalho. Fui um pioneiro este ano. O resultado de cumprir todas as ordens médicas ao milímetro fez com que ficasse bom mais depressa e precisamente uma semana antes do coronavírus chegar a fazer estragos em Portugal. Não foi milagre não, foi sobretudo fruto do meu sacrifício pessoal.

Por isso acredito no sacrifício pessoal. Por isso acredito na força interior e quanto mais a tivermos em prol de um objetivo concreto, esse objetivo terá maior probabilidade de ser concretizado e num menor espaço de tempo. É por isso que escrevo este texto. Para dar alento a quem está menos crente. Acreditem que o esforço compensa ainda que neste caso estejamos perante algo desconhecido com muitas incertezas científicas. O sacrifício compensa quando temos em vista o bem de nós próprios mas compensa ainda mais quando se trata de todos nós. Vamos aguentar mais um bocado isto, agora com mais rigor ainda, principalmente agora que está mais gente na rua. Ter todos os cuidados quando saímos de casa, levar todas as protecções e quando entramos desinfetar tudo e lavar muito bem as mãos! Cumprir à risca as regras mais básicas do distanciamento social e da lavagem de mãos é fundamental. O uso de máscaras e de viseiras são complementos indispensáveis sim, mas são complementares. Sem as regras básicas de pouco ou nada valem.

Boa quarentena e lembrem-se sempre que o esforço e sacrifício nos levarão ao nosso objetivo principal que é FICAR TUDO BEM! Nada será como dantes mas será bom certamente com a ajuda de todos.

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