Todos nós já sentimos que a vida não espera por nós. Somos uns meros atores e personagens que construímos e desconstruímos ideias, sonhos e objetivos na nossa própria vida. Mas enquanto pais, estamos perante um dos maiores desafios da humanidade, para a sociedade em que estamos inseridos, mas também para nós próprios.

Ser um pai no século XXI não passa apenas por seguir o que está nos livros, o que mandam os médicos, e o caminho vai se fazendo mal ou bem dentro da normalidade. Ser um pai no século XXI é muito mais que isso. Toda a evolução tecnológica e informativa de hoje leva-nos a desafiar o nosso papel enquanto pais ativos que desejam o melhor para os seus filhos. Não só pela velocidade a que as coisas acontecem hoje em dia, como eles absorvem a informação, mas também por todas as questões de segurança inerentes a essa facilidade. Mas também nos leva colocar em causa os nossos medos, os nossos próprios receios. Se por um lado temos receio que algo lhes aconteça ao virar da esquina, e sim, porque já chegámos a este cumulo da preocupação e com alguma razão, por outro temos de pensar neles enquanto seres humanos completos que tal como nós já experimentámos de tudo um pouco na nossa vida.

Estas crianças, adultos de amanhã precisam explorar, descobrir, brincar, e acima de tudo saber ganhar autonomia. E este sim é o nosso maior desafio enquanto pais: Dar-lhes autonomia. Mas dar-lhes autonomia não significa deixar fazerem tudo o que querem. Não significa carta-branca, liberdade total. Até porque todos nós temos valores e princípios bem definidos que gostamos de lhes incutir. É então aqui que nasce o nosso propósito enquanto pais. Como educar e como ajudar a construir cidadãos íntegros e comprometidos com o futuro numa sociedade que de alguma forma está a deixar de viver os afetos, os momentos, e que aos poucos anda a perder a essência da vida humana, o amor.

Ao mesmo tempo que fazemos este exercício, ao longo da minha experiência enquanto pai tenho também aprendido que por vezes são eles que nos educam, por vezes são eles que nos apelam à nossa consciência com a sua gigante e preciosa inocência. E é este ganho, este win-win que gostaria de salientar e reforçar com a importância de um relacionamento solido e ativo com os nossos filhos.

Muitas vezes esquecemo-nos de quem somos, da nossa essência, do que acreditamos no meio de uma discussão, no meio de um turbilhão de coisas para fazer, e esta capacidade que eles têm de nos trazer até nos novamente é absolutamente incrível. Não vou usar a frase batida que a sociedade de hoje está completamente desprovida de princípios e valores, porque apesar de concordar em parte com ela, acho que ainda há espaço e trabalho que pode ser feito.

E por isso escrevo este artigo, porque um dos trabalhos que podemos fazer enquanto cidadãos e agentes ativos das nossas vidas é saber educar em pleno século XXI. Não é fácil e não será fácil, mas se todos olharmos para este desafio enquanto agregador da sociedade e do mundo em que vivemos será muito mais fácil. É um desafio que nos leva por um lado a construir uma sociedade melhor, mas por outro a encontrarmo-nos com o nosso íntimo, com o nosso ser mais profundo que por vezes anda perdido ou desencontrado. E nada melhor do que a inocência pura das crianças e da construção de um relacionamento solido com os nossos filhos para o encontrar.

Umas boas férias para todos e aproveitem, aproveitem o tempo em família, com os amigos e acima de tudo para refletir neste tema que é tão atual e importante nos dias que correm.

APSA – Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger