É impossível não ficar comovido com a demonstração de gratidão que os portugueses revelaram, em consonância com o resto do mundo, aos profissionais de saúde durante a pandemia. As palmas nas varandas encheram coração dos que deixaram tudo para cuidar de todos.

A receita felizmente resultou. O crescimento de contágio abrandou e o país, aos poucos, regressa à normalidade. Agora que aparentemente temos motivos para suspirar de alívio, importa seguir a máxima do pós-terramoto de Lisboa de 1755. É hora de sepultar os mortos e cuidar dos vivos.

O país viveu os últimos meses em pânico com o presente e em pavor com o futuro. A fobia limita-nos o discernimento e as poucas noticias extra coronavírus passaram ao lado de uma grande fatia da população. Nestes meses que passaram, os enfermeiros continuaram sem ter uma carreira condigna, sem receber subsidio de risco ou penosidade e a ver a sua idade de reforma igual ao que era antes. Não é! Nunca mais nada será igual.

Os profissionais de saúde estarão sujeitos a um stress ainda maior pela possibilidade de colocarem as famílias em risco, poderão sofrer lesões causadas por hipoxia, devido às inúmeras horas com equipamentos de proteção individual e continuarão a fazer horários em espelho para garantir pronta resposta em caso de necessidade.

Enquanto tudo isto acontecia, o Novo Banco recebeu mais 850 milhões de euros e a TAP está a caminho de levar mais 1000 milhões. Não existirá manual de ciência política que explique por que é que um governo socialista gosta tanto de dar dinheiro público a empresas privadas que distribuem lucros e prémios de gestão, enquanto marginaliza as pretensões dos profissionais do SNS.

Aparentemente, António Costa não sabia da nova injeção de capital no antigo BES.  Apesar de ser estranho que, num país como o nosso, um ministro avance 850 milhões de euros sem o chefe do governo dar por ela, esta distração pode ter-se dado por Costa estar a olhar para os sacrifícios dos profissionais que constituem o SNS e quando perguntou a Centeno o que levava no regaço, o ministro das Finanças ter respondido: “São palmas, Senhor, são palmas”.

Farei a minha parte. De hoje em diante, às 22h, estarei à varanda a bater palmas, para salvar a TAP