Em 2004, Benjamin Netanyahu, ainda ministro das finanças de Israel, forçou uma profunda reformulação da economia israelita, advertindo todos os seus concidadãos para que esperassem sentir “dor”.

Considerou ser seu dever motivar os mais desprotegidos e pobres a procurar trabalho e combater os grupos mais propensos a greves que, segundo o próprio, atrasavam a economia.

Comunicou à classe média Israelita que teria de viver com apoios públicos reduzidos e lançou um aviso às empresas para que se preparassem para um mercado mais competitivo.

Quando Netanyahu assumiu o cargo, o sector público pesava na economia 55% e o privado 45%, sendo um dos seus intentos inverter essa situação. Para se referir à economia, frequentemente recorria à analogia “homem gordo/homem magro”. Esta comparação, retirada do tempo em que cumpriu serviço militar, referia-se ao exercício de carregar um homem em ombros. Para ele, o “homem magro” (a economia) carregava em ombros o “homem gordo” (o Estado) e por isso o movimento dava-se com custo, esforço e muito lentamente. O que ele pretendia era que a economia fosse o “homem gordo” e o Estado o “homem magro”. Assim, a economia criaria muito mais riqueza e daria ao Estado mais capacidade de resposta.

Netanyahu, um forte defensor da economia de mercado, implementou então um conjunto de reformas para assim criar um ambiente no qual a iniciativa privada pudesse prosperar.

O país encontrava-se estagnado desde 1996, tendo mesmo registado contracções do PIB de 3,5% em 2001 e de 9,2% em 2002 e crescimento de 2,9% em 2003.

Tendo como oportunidade a crise e o descontentamento geral, o ministro das finanças mostrou a necessidade e implementou um pacote revolucionário de medidas com vista a liberalizar a economia. Como é próprio em democracia, várias vozes de oposição se fizeram ouvir e houve mesmo algum tumulto social. Contudo, e segundo o próprio, as reformas socioeconómicas não devem ser feitas pouco a pouco porque, em primeiro lugar, cada medida avulsa implementada gera controvérsia e o desgaste manifesta-se pouco depois de se ter iniciado a reforma política e, em segundo lugar, não se chegam a ver os resultados a tempo de se poder ser escrutinado, ser reeleito e poder continuar no caminho da consolidação das reformas. Seguindo esta estratégia, Netanyahu avançou em força, de súbito e com grande abrangência nas reformas económicas, sociais e políticas.

Reduzindo a dimensão do sector público, controlando os gastos públicos, cortando impostos e simplificando o sistema fiscal, privatizando as maiores corporações públicas incluindo Bancos, refinarias de petróleo, a companhia área nacional e empresas de transportes, reformando o sistema de pensões e o estado social, entre outras medidas, Israel criou um ambiente propício para atrair investimento estrangeiro e para, internamente, desenvolver um mercado criador de inovação e riqueza.

Em 2004 o PIB per capita de Israel era de 19.877 dólares e o de Portugal de 18.046 dólares. Catorze anos depois do início da era de Netanyahu, o PIB per capita israelita mais do que duplicou para uns incríveis 41.614 dólares, enquanto que o português cifrou-se nos 23.146 dólares (dados do Banco Mundial). Em 2004, Israel ocupava a 35ª posição no ranking de PIB per capita e Portugal a 41ª. Em 2018, Israel ocupava a 25ª posição no ranking e Portugal a 38ª. Se, ao anlisarmos estes dados, ainda tivermos em conta as peculiaridades de Israel, que vive em constante ambiente de guerra e gasta 11% do seu orçamento em Defesa, face aos 4% de Portugal, que a dívida é de 60% do PIB e a de Portugal cerca de 117% e de que Portugal se encontra integrado e apoiado pela U.E., percebemos que, em contextos semelhantes, as diferenças no crescimento económico entre os dois países seriam ainda mais marcadas.

O desemprego em Israel que em 2003 era de 13,5% desceu para os 4,0% em 2018.

Sob qualquer prisma de análise, as reformas implementadas por Netanyahu, ainda como ministro das finanças, e continuadas e consolidadas por ele já como primeiro-ministro revelaram-se um sucesso.

Portugal enfrenta neste momento uma crise sem precedentes. Se já antes eram necessárias reformas profundas para tirar Portugal da permanente estagnação e lançar as bases para a prosperidade, com o cenário de crise económica que se apresenta, ainda mais existe essa necessidade.  E há um partido, a Iniciativa Liberal, que já apresentou um conjunto de medidas, que apelidou de PREC Liberal, que aponta nesse sentido. Nesse documento estão vertidas medidas destinadas a lidar, numa primeira fase, com os danos imediatos causados pelo encerramento da economia durante este período de pandemia, mas também um conjunto de medidas para, numa segunda fase, lançar Portugal no caminho do crescimento.

É evidente que estando no Parlamento uma maioria de esquerda e profundamente estatista, este plano não será acolhido e muito menos aprovado. Não podemos esperar que a esquerda mude. E infelizmente à direita também há queda para estatismo e aversão à mudança. Por mais exemplos que se apontem de países bem-sucedidos pela aplicação de medidas liberais e de países mal-sucedidos pela aplicação de medidas socialistas e estatizantes, a esquerda nunca irá mudar. O que pode mudar é o voto de cada português. Para isso e antes do mais deverá mudar o sentimento político de cada português, podendo contribuir para isso o conhecimento de cada português sobre este e outros exemplos de países bem-sucedidos para que, por fim, o seu voto mude no sentido de apoiar uma abordagem mais liberal na sociedade e na economia.

O caminho a seguir deveria ser o de Reformar, Consolidar e Prosperar. Se não seguirmos esse caminho não poderemos esperar resultados muito diferentes daqueles que temos tido, que são a estagnação ou mesmo o empobrecimento.