Numa altura em que a campanha eleitoral atinge o seu auge de ebulição, importa refletir sobre esta questão que tanto afeta a sociedade portuguesa.
Ser candidato em terra alheia começa a ser uma síndrome atual da política portuguesa.
Em verdade, podem ser candidatos quaisquer cidadãos portugueses e os cidadãos de nacionalidade brasileira, residentes e recenseados em território nacional, conferidos pelo estatuto de igualdade de direitos políticos, inclusive fora da sua área de residência.
Cada vez mais assistimos à proliferação de candidatos fora da sua área de residência, quer pela limitação de mandatos, quer pela via da falta de quadros em alguns partidos políticos portugueses, quer pela necessidade de conseguir obter o maior número de votos para as autarquias em freguesias onde não têm grande representação.
Esta situação tem gerado muita controvérsia entre residentes e candidatos.
A dificuldade em obter candidatos em certos locais pode explicar-se, também, pelo clima algum descrédito que a política em geral atravessa, veja-se a elevada taxa de abstenção no nosso país.
Para alguns, o sistema eleitoral não deveria permitir esta espécie de “manobras”, pois o princípio da potencialidade de ser eleito e a relação com a faculdade de eleger deveria ser imperativo. Invocam a falta de laços e de conhecimento profundo da localidade onde o candidato se propõe. Porém esquecem-se muitas vezes que por detrás de um cabeça de lista está uma equipa de outros candidatos, desmitificando a ideia de falta de conhecimento do primeiro. A oratória e a capacidade de comunicação é um dos factores fundamentais para as escolhas partidárias dos seis candidatos.
De facto, a democracia plena consiste na possibilidade de ter a opção, de fazer escolhas, tomar decisões pessoais ou coletivas, assim como de assumir o papel de candidato, trabalhando em prol dos cidadãos que representa.
E poder da escolha reside precisamente nos cidadãos. Essa é a única forma legítima e democrática de exercer o poder na decisão do melhor caminho para a nossa localidade e consequente melhoria das condições de vida.
Respeitar a decisão dos eleitores é o ato mais nobre na nossa cidadania política ativa.