Vivemos tempos em que é fácil desconfiar da política. Escândalos sucessivos, promessas não cumpridas, jogos de poder e estratégias de manipulação afastam os cidadãos da participação cívica e alimentam o cinismo, sobretudo entre os mais jovens. Muitos deixam de acreditar, outros desistem de participar. Mas será que tem de ser assim?

A Igreja Católica no passado e  com frequência, afirmou que a política pode e deve ser uma das formas mais elevadas de caridade, porque está ao serviço do bem comum. A política, quando bem exercida, não é palco de vaidades nem campo de batalhas pelo poder. É um espaço de serviço, de escuta e de construção coletiva, parece uma utopia mas devia ser real e palpável nas nossas comunidades
Não devemos manipular, usar ou até enganar o outro. Devemos sim enquanto cidadãos, apenas e só Servir. E para isso, é preciso recolocar no centro da ação política algo cada vez mais raro, mas absolutamente essencial: a verdade.

A verdade não se molda à conveniência do momento. Não pode ser usada como ferramenta de campanha ou descartada em nome de resultados imediatos. A verdade exige coragem. Exige transparência, humildade e coerência. Exige a coragem de resistir ao populismo e de não prometer o impossível apenas para agradar ou vencer. Mais do que conquistar votos, é preciso conquistar confiança — e essa só se ganha com verdade.

Para mim, que sou católico, esta verdade tem uma raiz que vai ainda mais fundo que o habitual. Não é relativa, nem sujeita a modas ou conveniências com a atualidade da tv ou redes sociais. É enraizada na fé e na moral cristã, e manifesta-se num testemunho coerente com os valores do Evangelho de várias formas, como a dignidade da pessoa humana, a justiça social, a solidariedade e o cuidado com os mais frágeis.

A política a meu ver,devia ser, vivida com este espírito de verdade, de serviço ao outro, como parte da vocação de cada pessoa crente ou não crente. Não deve ser lugar para ambições pessoais, mas para quem deseja ser luz no mundo. Deus não nos pede para vencer a qualquer custo pede-nos para sermos fiéis. A vitória última pertence a Ele; a nossa missão é dar testemunho, com integridade e espírito de serviço.

Este apelo não se dirige apenas a quem já ocupa cargos públicos. É para todos: militantes de partidos, eleitores atentos, cidadãos desiludidos, jovens que hesitam em acreditar. A política não se transforma por decreto; transforma-se com o compromisso concreto de cada um de nós.

Participar na vida pública, envolver-se, dar a cara por causas justas tudo conta. Não precisamos de ser perfeitos, mas precisamos de ser coerentes, precisamos de valores, de compromisso, de verdade E da coragem para não deixar que o espaço político seja ocupado apenas por quem grita mais alto ou promete mais depressa.

O Papa Francisco falou muitas vezes sobre a “cultura do encontro”. É isto que está em jogo: encontrar o outro, escutar, dialogar, construir em conjunto. A política não tem de ser guerra ou divisão, dos bons contra os maus, todos em lados opostos. Pode e deve ser um espaço de Paz. Paz entre cada pessoa e logo com a pessoa que se senta ao nosso lado, creio que o Papa Leão quis transmitir um pouco esta mensagem na sua homilia na missa com os cardeais.

É tempo de resgatar a política como bem comum. Com jovens atentos, eleitores exigentes, militantes com valores e cidadãos com esperança.

Num tempo marcado por ruído, desinformação e desconfiança, a verdade continua a ser revolucionária. E a política feita com verdade é, verdadeiramente, a única que vale a pena e que pode transformar a vida das pessoas e deste país.