Aproximam-se mais umas eleições autárquicas. Do ponto de vista político, talvez as eleições mais importantes. Estamos perante um momento em que a política de proximidade e a popularidade são o reflexo das candidaturas, e onde as bases partidárias se emancipam.
Os cidadãos geralmente votam mais nas pessoas do que nos partidos para as freguesias, uma vez que a intervenção política aí lhes toca mais diretamente, e é a possibilidade de verem goradas as suas expetativas de aumento de qualidade de vida e bem-estar, num dos locais, onde passam mais tempo e investem mais, a sua residência.
Se nas freguesias este é um dado quase adquirido, nos municípios já nem tanto, embora empatia e a popularidade aqui tenham mais relevância.
Apesar destas nuances, o quadro político nacional não é tão animador. Em determinados partidos o esvaziamento dos quadros políticos é notório e assustador. O constante clima de desacreditação e desinformação vivido em Portugal, faz com que seja cada vez mais difícil convencer cidadãos e militantes com capacidade para a gestão autárquica.
Este torna-se o momento tão aguardado pelos jovens, que, perante a inoperância, veem como oportunidade esta quebra de ligação com o poder instituído. Assim, várias questões se colocam sobre a falta de experiência política e autárquica em alguns partidos portugueses. Ao invés de uma ascensão natural que se deveria iniciar com uma candidatura nas freguesias, eis que aparecem diretamente como candidatos a cargos de elevada responsabilidade e que exigem um conhecimento bastante vasto da máquina autárquica nos municípios. E é aqui que começam os imbróglios e os constrangimentos. Como justificar do ponto de vista político estas escolhas?
Não raras vezes estamos perante cidadãos que não têm experiência profissional relevante, que estão reféns de um vazio de ideias, porque também não as conhecemos, muito menos demonstram conhecimento de causa na área em questão no que diz respeito a uma autarquia com centenas ou milhares de trabalhadores. De repente aparecem, vindos do nada, com uma linguagem pouco precisa e o mais ampla possível, de modo que dificilmente assistimos a um debate em que estes intervenientes tenham defendido as suas teses e o seu pensamento critico.
Esta é a imagem da política nacional em algumas zonas do país, uma imagem demasiado ambígua e pouco ambiciosa para o crescimento natural dos próprios partidos. Assiste-se internamente a um conflito ensurdecedor, onde os mais velhos, cujo valor é imensurável, mas que não tiveram oportunidade de demonstrá-lo, a não ser nas campanhas, onde são a cara do partido e desempenham uma função fundamental na angariação e votos, são colocados de lado e vê-se ultrapassados pelos jovens, sem que a sua opinião seja consultada ou se sintam valorizados na escolha. Cada vez mais revoltados, não abandonam, a não ser em último caso, a sua militância mas cada vez mais estão num estado de latência e descomprometimento político.
Nunca foi tão difícil a convivência entre os jovens e os menos jovens nos partidos, que vêem os primeiros como uma oportunidade de renovação, mas que se esquecem, talvez, de quem realmente vota nas eleições.
Esta convivência frágil coloca-nos frente a uma interrogação: estamos perante uma lufada de ar fresco ou uma debandada geral em alguns partidos portugueses?
A pergunta é legitima, a resposta será dada no dia 12 de outubro, onde quer um lado, quer outro, quer permanecer na esfera política e contribuir para uma sociedade melhor.