Partilhei, no Público, um artigo sobre o trágico homicídio de Charlie Kirk. Percebi que alguns leram o contrário do que quis dizer, pelo que acrescentei: “Ninguém deve morrer pelas suas ideias. Este artigo não justifica nem celebra o trágico assassinato de Charlie Kirk”. Talvez não tenha sido totalmente claro, mas rapidamente expliquei esta visão no primeiro parágrafo do texto.
No entanto, uma longa semana depois de explicada a minha perspetiva, li no Observador uma crónica a sugerir, novamente, que teria justificado o homicídio de Kirk. Isso não é verdade. Eu nunca celebraria ou legitimaria tal crime. Não se brinca com a perda de uma vida e o sofrimento de uma família.
O autor, lendo a minha condenação do terrível assassinato e sabendo que o meu objetivo era alertar para a violência no discurso político – independentemente do lado – escolheu, na mesma, dar a entender que legitimei a morte de uma pessoa. Fico genuinamente triste. Como podemos ter respeito se começamos por distorcer o que os outros dizem?
Não temos de concordar uns com os outros, e está tudo bem. É por isso que podemos estar à mesa do café a discutir política com um amigo, mas acabar a conversa com um brinde e um “à nossa”. É por isso que, no Natal, temos aquele tio que nos irrita com o que diz, mas que acaba por receber um abraço e um par de meias como prenda. Já o ódio e a violência não são, nunca, solução – seja contra quem for, seja de Esquerda ou de Direita. Ponto.
O debate pode ser duro e as divergências grandes, mas o respeito tem de estar em primeiro lugar. E pode haver quem discorde de mim, mas eu defenderei sempre que NINGUÉM pode morrer pelas ideias que defende – mesmo, e sobretudo, quando delas discordo. Foi o caso de Charlie Kirk, cuja morte é uma tragédia que eu e qualquer apoiante da Democracia condenamos.
Mas enquanto nos dividimos em discussões sem fim, continuamos a esquecer o essencial: garantir hospitais, escolas, trabalho e casas para as famílias. Foquemo-nos em ajudar quem não tem dinheiro para pôr pão na mesa. A prioridade deveria ser essa: salvar o país e garantir um futuro melhor para as pessoas.