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Novo episódio de Guerra Traduzida, agora com os destaques da imprensa russa, com José Rafael Lopes, com tema em destaque: o resultado do uso do míssil hipersónico contra a Ucrânia no dia 9 deste mês.

Isto porque o Ministério da Defesa russo divulgou um relatório com as conclusões do ataque, com recurso a esse míssil hipersónico Oreshnik. É o destaque em todos os jornais russos que foram consultados, o que acaba por ser natural, uma vez que acontece sempre que o Ministério da Defesa russo emite um comunicado ou apresenta um relatório. A TASS, enquanto agência de notícias, é que apresenta as conclusões de forma mais breve, relata esse uso de um míssil hipersónico como resposta às ações de Kiev, revela que aconteceu no dia 9 e que destruiu uma infraestrutura militar que estava a reparar aviões de combate da Ucrânia. Citando o Ministério da Defesa russo, a TASS explica que a infraestrutura estava a receber aviões F-16 vindos do Ocidente, bem como centenas de drones que estavam reservados para ataques contra a Rússia. A agência dá ainda conta da forma como o Ministério da Defesa fala num ataque de sucesso, com danos intensos na infraestrutura ucraniana, e destaque que a ação russa foi feita em resposta a atividades ilegais por parte da Ucrânia. Mas como dizias, esta notícia está em toda a imprensa russa. Para termos um termo de comparação, a RIA tem um artigo bem mais extenso. À partida, tem todas as informações que detalhámos agora sobre como funciona, de onde foi disparado, o que é que atingiu este míssil, mas este artigo do jornal vai mais longe, nem que seja porque tem um vídeo captado na Ucrânia onde se vê precisamente o momento do impacto e do uso deste míssil Oreshnik. Diz ainda a RIA que as Forças Russas também utilizaram mísseis de cruzeiro para atacar fábricas em Kiev e um complexo militar. No que toca a motivações, a RIA diz que o uso do Oreshnik foi uma resposta à tentativa frustrada das Forças Armadas da Ucrânia de atacar a residência de Vladimir Putin, na região de Novgorod, no dia 28 de dezembro.

O mesmo jornal tem ainda um artigo dedicado a Vladimir Putin.

Onde escreve que o presidente russo teve uma agenda bastante preenchida com várias reuniões com altas patentes do exército, mas não só. Dão destaque, ainda assim, à reunião com o vice-primeiro-ministro Denis Manturov, que esteve reunido com Putin. O governante informou o presidente russo sobre o crescimento da produtividade na indústria de defesa da Rússia, bem como o investimento que está a ser feito na indústria e as conquistas no sector espacial. Diz Manturov, citado pela RIA, que as empresas russas cumpriram com todas as encomendas estatais para a compra de mais equipamentos e fabrico de mais equipamentos de defesa.

E vamos avançar agora com a notícia sobre o que se passa no campo de batalha.

Com o Izvestia a puxar dos galões russos sobre os sistemas de defesa antiaérea, escrevem que em apenas quatro horas as Forças de Defesa Aérea da Rússia destruíram mais de 50 drones vindos da Ucrânia. Citam informações do Ministério da Defesa russo e dão destaque para o uso destes sistemas de defesa para evitar que drones chegassem aos alvos desejados, não só em Moscovo, mas também na Crimeia, em Krasnodar e em Kursk. O artigo, como tantos outros que já demos conta em outras edições da Guerra Traduzida, é bastante elogioso para com a forma como funcionam as baterias antiaéreas da Rússia, com destaque para taxas de eficácia que, diz a imprensa russa, está acima da média mundial. O artigo é acompanhado de vários vídeos dos sistemas de defesa russos em ação e mapas a detalhar os alvos ucranianos que não atingiram os objetivos.

E vamos ainda falar sobre um artigo sobre o aborto.

Que está em manchete no Moscow Times, dá conta de uma iniciativa espalhada pela Rússia para promover comícios antiaborto. São levados a cabo por instituições ligadas à Igreja Ortodoxa, que é a principal religião na Rússia. O Moscow Times diz que a Igreja Ortodoxa Russa lançou um serviço de oração a nível nacional que pede às mulheres que não recorram ao aborto. É uma iniciativa que surge em paralelo com os esforços do governo para inverter o declínio populacional do país. Há várias igrejas que já realizaram o novo rito, autorizado pelo governo, e há mais a prepararem-se para o fazer. Alguns serviços de oração são acompanhados por exposições visuais de organizações antiaborto na Rússia. Dão ainda conta de uma igreja em Moscovo que acendeu 3 mil velas em homenagem às crianças mortas pelo aborto. A Igreja Ortodoxa Russa associou o serviço de oração antiaborto às festas dos santos inocentes, que na Rússia recorda o massacre dos inocentes, um episódio bíblico que relata a morte de mais de 10 mil crianças em Belém. É um artigo incomum, sobretudo em tempos como se estão atualmente na Rússia, mas está em destaque na imprensa russa.

E ao ponto final na Guerra Traduzida com o jornalista José Rafael Lopes. Está de regresso amanhã.