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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa, hoje com a edição da jornalista Diana Rosa. Boa noite, Diana.

Boa noite, António.

Vais então começar pela imprensa da Rússia. Moscovo mobilizou a tríade nuclear em exercícios estratégicos de larga escala.

A Federação Russa iniciou um dos mais abrangentes exercícios estratégicos da sua história recente, envolvendo 64 mil militares e mais de 7,8 mil peças de equipamento pesado. O Ministério da Defesa russo diz que as manobras decorrem nos distritos militares de Leningrado e Central, contando com a participação ativa das frotas do Norte e do Pacífico, que mobilizaram 13 submarinos, incluindo oito submersíveis de propulsão nuclear estratégica. O exercício foca-se na preparação e lançamento de mísseis balísticos e de cruzeiro, num cenário de resposta a uma ameaça de agressão externa. Este movimento ocorre num vácuo de controle de armas depois do colapso do Tratado New Start, com o Kremlin a utilizar a tríade nuclear como ferramenta de dissuasão direta contra o apoio ocidental a Kiev. Os analistas notam que a coordenação com a Bielorrússia, que iniciou exercícios semelhantes ontem, reforça a integração militar do Estado da União perante as tensões com a NATO.

E passamos agora a uma acusação das secretas russas, que apontam o dedo à Letónia. Dizem que está a acolher bases para ataques de drones ucranianos.

Sergey Naryshkin, diretor da agência, afirma que as unidades ucranianas especializadas em veículos aéreos não tripulados já estão destacadas em território da Letónia com consentimento de Riga. No comunicado, o SVR ameaçou diretamente os centros de decisão da Letónia, sublinhando que a presença da NATO não vai servir de proteção contra uma retaliação russa, em caso de cumplicidade com o que Moscovo classifica como terrorismo. Estas alegações surgem depois de vários drones terem caído no Báltico, provocando instabilidade política na região e também a demissão da primeira-ministra da Letónia na semana passada. O governo de Riga já desmentiu de forma categórica as acusações. Classificou-as como uma campanha de desinformação desenhada para destabilizar a coesão da Aliança Atlântica na periferia leste.

E Diana, uma incursão de homens mascarados num edifício causou o pânico no centro de Moscovo.

Um grupo de homens que invadiu esta terça-feira um edifício de escritórios no centro de Moscovo, que alberga o tabloide pró-Kremlin Moskovsky Komsomolets, gerando ondas de choque na capital russa. As imagens de vigilância mostram pelo menos nove indivíduos a forçar a entrada de forma agressiva. Recusaram-se a identificar-se e bloquearam os acessos ao terceiro andar do complexo. Embora o editor-chefe do jornal, Pavel Gusev, tenha esclarecido que a redação não era o alvo direto da operação, que visava aparentemente uma empresa comercial, o incidente sublinha um clima de impunidade e insegurança interna. O Moscow Times, jornal independente recentemente designado como uma organização indesejável, alertou que estas ações dissimuladas são frequentes para sinalizar vozes ou resolver contendas internas entre as elites de segurança russa num período de crescente tensão sistémica.

E falamos agora da dependência energética, que juntamente com a crise de confiança marcam nesta altura a economia russa, que enfrenta sinais contraditórios. Isto depois de os Estados Unidos anunciarem uma nova extensão de 30 dias nas isenções que permitem a exportação de petróleo russo retido no mar.

A decisão motivada pela pressão de mercados asiáticos como a Índia e pela instabilidade no Médio Oriente oferece um balão de oxigénio financeiro ao Kremlin, mas não esconde as dificuldades domésticas. Pela primeira vez desde a mobilização de 2022, os cidadãos russos começam a retirar depósitos bancários de forma massiva, sinalizando uma quebra profunda na confiança institucional. No setor industrial, um leilão governamental de uma importante mineradora de ouro falhou por falta de interessados, indicando que o capital privado também está reticente em adquirir ativos estatais sob sanções. A situação é agravada por tragédias civis, com o naufrágio do lago Baikal, onde o excesso de carga num hovercraft causou a morte a cinco turistas, expondo a negligência técnica num país onde os recursos são prioritariamente desviados para o esforço de guerra.

Ficam então por aqui alguns dos destaques que marcam hoje os meios de comunicação russos. Voltamos já a seguir com a imprensa da Ucrânia.