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Seguimos com a Guerra Traduzida para analisar também a imprensa da Rússia, trabalho do jornalista Rui Casanova, com colaboração da Larisa Tovmasian. Rui, a Ucrânia terá pedido ao G7 armas para atacar a produção de drones na Síria e Irão. Isto está hoje na imprensa russa.
Exatamente. É uma notícia do jornal britânico The Guardian e que é aqui citada pelo jornal estatal russo KP. De acordo com esta notícia, Kiev enviou ao G7, em agosto deste ano, um documento no qual propunha o lançamento de ataques com mísseis contra fábricas de drones no Irão e na Síria. Os ataques contra alvos iranianos e sírios podem ser realizados pelas Forças Armadas da Ucrânia se os parceiros do G7 fornecerem os meios de destruição necessários, é o que se pode ler neste documento, de acordo com o jornal britânico The Guardian. Esta notícia está em destaque no jornal estatal russo KP e é interessante a forma como este jornal escreve esta notícia. Passo a citar aqui uma frase de um parágrafo: "De acordo com as autoridades ucranianas, estes drones são utilizados pela Rússia durante uma operação militar especial na Ucrânia", ou seja, é como a Rússia descreve a guerra. E o jornal KP lembra também que recentemente o representante permanente do Irão na ONU considerou infundadas as acusações de que Teerão transferiu drones para a Rússia para serem utilizados na guerra. Também o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou recentemente que não sabe de onde é que os meios de comunicação ocidentais obtiveram informações sobre este suposto acordo entre a Federação Russa e o Irão para a produção conjunta de drones em território russo.
Seguimos para a Agência RIA, que dá destaque a declarações do porta-voz do Kremlin sobre uma suposta proibição de viagens de figuras do Estado dentro da Rússia.
É uma espécie de rumor, relatos. Tudo começou porque o deputado do Parlamento russo, Mikhail Matveev, do Partido Comunista da Rússia, afirmou que os deputados receberam uma ordem que tinham que assinar, na qual era proibida a saída de deputados, senadores, funcionários da administração presidencial e uma série de outras estruturas para as regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporizhzhia e Kherson, sem a devida autorização, aprovação do Kremlin. Este deputado lembrou à Agência RIA que estamos a falar do território anexado pela Rússia na Ucrânia. Questionado esta manhã sobre esta alegada proibição, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, recusou-se a comentar, disse que não tinha nada a acrescentar. É interessante esta questão. Vamos ver se haverá novidades nos próximos dias sobre esta suposta proibição.
No terreno, a Rússia alerta para uma mulher que ficou ferida na sequência de um bombardeamento na Ucrânia.
É muito frequente esse tipo de notícias circularem na imprensa, nos jornais estatais russos. Desta feita, o jornal KP escreve que um bombardeamento na vila de Lokot, distrito de Rylsky, causou ferimentos numa mulher que foi atingida por estilhaços de vidro. Duas casas e anexos também ficaram danificados. Esta informação é avançada pelo governador da região de Kursk, na Rússia. Deu conta deste ataque da Ucrânia na Rússia numa publicação nas redes sociais e que é aqui citada pelo jornal KP. Adianta que a mulher, a vítima, foi assistida no local, recusou a hospitalização. Uma notícia em destaque no jornal KP.
Terminamos com a imprensa livre da Rússia. O canal Meduza dá destaque a declarações de Hillary Clinton.
A ex-secretária de Estado norte-americana afirmou que o presidente russo Vladimir Putin é o culpado pela expansão da NATO e provoca mesmo o líder do Kremlin, diz, e estou a citar: "É pena, Vladimir, a culpa é tua". Estas declarações estão aqui em destaque no canal Meduza. Surgiram durante uma cerimônia na Casa Branca. Hillary Clinton acrescenta também que ninguém é forçado a aderir à NATO e que cada país toma a decisão apropriada de forma independente. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, já respondeu a Hillary Clinton no briefing que fez esta manhã. Afirmou que a ex-secretária de Estado norte-americana é conhecida por dizer coisas sem sentido. É a reação do Kremlin a esta provocação de Hillary Clinton a Vladimir Putin.
Termina assim esta Guerra Traduzida. Estamos de regresso amanhã.