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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Está conosco a jornalista Diana Rosa. Diana, boa noite.
Boa noite, Filipa.
Hoje começamos com os jornais russos. O Kremlin acusou o Ocidente de prolongar a guerra na Ucrânia para encobrir crises internas.
O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia afirmou nesta quarta-feira que os líderes ocidentais defendem, sim, a continuidade do conflito na Ucrânia para esconder o que diz ser uma situação catastrófica dos próprios países. É uma notícia da agência TASS. De acordo com Yuri Kokov, as tendências russofóbicas no Ocidente estão a ser motivadas por crises internas e pelo desejo de desviar a atenção pública de problemas sociais e econômicos. Criticando o que diz ser uma histérica retórica sobre uma iminente guerra em larga escala, Kokov acusou ainda a União Europeia de cinismo e hipocrisia por utilizar milhões de euros do orçamento à custa da própria população para financiar ações militares da Ucrânia.
E a Rússia afirma que é errado dizer que Putin rejeitou o plano de paz dos Estados Unidos.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nega que o presidente russo tenha dito que não ao documento. Diz que é uma interpretação incorreta. Citado pela Ria Novosti, Peskov afirma que a troca directa de opiniões entre Estados Unidos e Rússia ocorreu nesta terça-feira pela primeira vez. Alguns pontos foram aceitos, outros foram considerados inaceitáveis, sendo que este, Filipa, é um processo normal de trabalho, diz o porta-voz do Kremlin, e também de procura por um compromisso. Peskov afirma ainda que uma chamada por telefone entre Putin e Trump pode ser agendada a qualquer momento.
E a Hungria acusa os países europeus que integram a NATO de fanatismo de guerra brutal.
Apesar de declarar apoio total ao esforço de paz do presidente dos Estados Unidos, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Hungria, liderado por Peter Szijjártó, diz que os países europeus estão a estragar os esforços de paz liderados por Trump. As declarações do ministro húngaro acontecem poucos dias depois de o primeiro-ministro Viktor Orbán se ter reunido com Vladimir Putin em Moscovo. Orbán, que é, como sabemos, considerado um dos aliados mais próximos do presidente russo na Europa. E Putin afirmou também durante o encontro que reconhece a posição equilibrada, ou que diz ser equilibrada, do líder húngaro sobre a guerra na Ucrânia.
Ainda na Hungria e também a Eslováquia vão tomar medidas legais contra a proibição da União Europeia de importar gás russo.
Vai ser apresentada uma contestação judicial. O ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros afirmou que a medida é impossível de aceitar, uma vez que a Hungria não consegue garantir o fornecimento de energia sem fontes russas. O Executivo europeu tinha optado por uma proposta legislativa, em vez de sanções, uma vez que pode ser adotada por uma maioria qualificada dos Estados-membros. Ora, o objectivo seria evitar um veto da Hungria e da Eslováquia também, consideradas próximas de Moscovo e opostas a essas medidas de forma muito firme.
Diana, a decisão da União Europeia de proibir importações de gás russo terá consequências para a economia europeia. É o que diz o Kremlin.
A Rússia diz que a medida vai tornar a Europa menos competitiva e vai resultar em preços mais elevados para os consumidores, é o que adianta a Ria Novosti. De acordo com o porta-voz presidencial Dmitry Peskov, a Europa condena-se, aliás, a fontes de energia muito mais caras, o que inevitavelmente vai ter consequências para a economia europeia e para a redução da competitividade da Europa, como disseste. A decisão do Bloco dos 27 vai acelerar, de acordo com o Peskov, o processo que se tem vindo a delinear nos últimos anos de perda do potencial de liderança da economia europeia.