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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, neste dia 2 de maio de 2023, dia 433 da invasão. Vamos começar com a imprensa russa. É um trabalho do jornalista Rui Casanova, que já está aqui conosco. Boa tarde, Rui.
Boa tarde.
Em colaboração com a Larissa Tovmazian. E vamos começar com a anunciada contraofensiva da Ucrânia, Rui.
Sim, as autoridades pró-russas admitem que esta contraofensiva pode começar durante as celebrações do 9 de maio, dia que celebra a vitória soviética sobre a Alemanha Nazi. Ontem o Ministro da Defesa da Ucrânia afirmou que está tudo pronto para dar início a esta tal contraofensiva. O jornal estatal russo KP entrevistou um tenente-coronel reformado da Milícia Popular de Lugansk. Andrey Marochko sugere que as tropas ucranianas vão lançar esta contraofensiva até 9 de maio e diz mesmo que uma provocação ainda antes é possível em breve. É a análise e a previsão deste especialista militar. Afirma que o ambiente atual para uma contraofensiva é favorável e permitindo que os militares ucranianos usem totalmente as armas e os equipamentos fornecidos pelo Ocidente. Portanto, de acordo com as autoridades russas, esta tal contraofensiva pode acontecer nos próximos dias.
A Rússia acusa, entretanto, a Ucrânia de bombardear a região de Donetsk.
É uma notícia em destaque nas últimas horas na televisão estatal russa Ren TV. As autoridades russas afirmam que um total de 23 projéteis foram disparados contra alvos civis. A televisão estatal russa Ren TV detalha mesmo as horas destes bombardeamentos. Afirma que aconteceram durante a madrugada e prolongaram-se ao longo desta manhã. Não há, para já, informação sobre possíveis vítimas ou danos. Certo é que, com mais incidência nos últimos dias, têm aumentado as acusações de parte a parte sobre bombardeamentos, com informações constantes de ataques a várias cidades ucranianas, mas também com, mais ultimamente, a Rússia a apontar o dedo à Ucrânia, acusando Kiev de vários bombardeamentos.
Sim, Rui, a esse pretexto, a Rússia afirma que sete casas ficaram danificadas depois de um bombardeamento na região russa de Kursk.
Sim, lá está mais uma acusação de ataque por parte da Rússia à Ucrânia. Falamos desta feita da região de Kursk, que fica no lado ocidental da Rússia. É assim mais uma acusação de Moscovo a Kiev. O governador desta região afirma que esta manhã as forças ucranianas bombardearam Kursk. Não há registro de vítimas, mas como dizias, Miguel, sete habitações sofreram danos na sequência deste ataque. É uma notícia em destaque na agência estatal RIA.
A imprensa estatal russa também dá destaque a declarações do Vice-Primeiro Ministro da Polónia. O que disse?
Diz que metade da Europa tem o desejo de melhorar as relações com a Rússia. São declarações de Piotr Glinski à imprensa polaca e aqui citadas pela agência RIA. Afirma o Vice-Primeiro Ministro polaco que os partidos da Polónia têm o desejo de melhorar as relações com a Rússia, tal como metade da Europa, apesar de estar em curso esta guerra.
Passamos agora os olhos pela imprensa independente da Rússia, assim é que é. O canal Meduza tem em destaque uma entrevista a uma mulher acusada de crimes de guerra.
Falamos de Maria Lvova-Belova, é comissária russa para os direitos das crianças. Está atualmente acusada pelo Tribunal Penal Internacional de colaborar na deportação de crianças ucranianas que adotou em Mariupol. À entrevista à revista Vice e citada pelo canal Meduza, Maria Lvova-Belova explica que apenas ajudou a retirar crianças da Ucrânia para as proteger de bombardeamentos e por isso pergunta mesmo: "Que tipo de criminoso de guerra sou eu?" Maria Lvova-Belova lembra que adotou um jovem de 15 anos que foi retirado de Mariupol. E aqui um destaque: só há dois cidadãos russos acusados pelo Tribunal Penal Internacional de Crimes de Guerra nesta invasão da Ucrânia. Um é Vladimir Putin, o outro é precisamente Maria Lvova-Belova.
E é com esta entrevista que fechamos este episódio de "Guerra Traduzida". Olhámos para a forma como a imprensa russa noticia a invasão. Já a seguir vamos fazer o mesmo, mas com a imprensa ucraniana.