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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e também da imprensa russa. Diana Rosa, boa noite.
Ricardo, boa noite.
Vamos começar com a imprensa russa. O ministro dos Negócios Estrangeiros afirma que até o momento não foram tomadas iniciativas específicas para resolver o conflito na Ucrânia.
Sergey Lavrov sublinha que embora a Rússia tenha informado os colegas da Comunidade dos Estados Independentes sobre os esforços mais recentes para resolver a situação na Ucrânia, nenhuma iniciativa específica se vislumbra no horizonte. Diz que falta ação nesse sentido. Acrescenta o diplomata russo que, como afirmou Vladimir Putin, as Forças Armadas de Moscovo têm cumprido os objectivos estabelecidos pelo comandante supremo como parte da operação militar especial.
Diana, já o presidente da Bielorrússia assinou uma ordem para recrutar oficiais que estão na reserva para o serviço militar.
Decreto assinado hoje por Alexander Lukashenko e foi divulgado pelo serviço de imprensa do chefe de Estado. Este ano está previsto o recrutamento para as Forças Armadas e agências de serviço de fronteira de cidadãos do sexo masculino da Bielorrússia que tenham menos de 27 anos, entre os oficiais da reserva que não tenham cumprido o serviço militar obrigatório ou então o serviço na reserva das Forças Armadas e que não tenham direito a adiamento do recrutamento. Sublinha que esta iniciativa vai aumentar o nível de efectivo nos principais cargos de oficiais militares da República, além de garantir o treino da reserva. Lukashenko afirma que a Bielorrússia não quer a guerra, mas está a preparar-se para isso. Sublinha também que as Forças Armadas do país estão absolutamente contra um conflito, uma vez que sabem o que isso representa. Também o secretário de Estado do Conselho de Segurança da Bielorrússia afirmou que o país não está a expandir ou ampliar as Forças Armadas, ao contrário de vários outros países, mas está preparada para fazê-lo, necessário para proteger a sua segurança.
Olhamos agora para uma notícia que demonstra bem aquilo que é a ofensiva russa. A Ucrânia tornou-se o país que está a desaparecer de forma mais rápida em todo o mundo. A população diminuiu em 20 milhões, o equivalente a duas Suécias ou quatro Finlândias.
É o título do já conhecido sensacionalista "Komsomolskaya Pravda", diz que 20 milhões de pessoas é o preço aproximado que a Ucrânia já pagou pela independência se somarmos a fuga para o exterior, as perdas militares dos últimos 12 anos e o colapso demográfico desde 1991. Alguns morreram, alguns emigraram, alguns viveram para ver o direito à autodeterminação ser exercido e permaneceram nos territórios anexados pela Rússia. Mas o resultado é o mesmo: a população do país diminuiu drasticamente. E enquanto os governantes em Kiev propagavam a imagem de uma fortaleza inflexível, diz este jornal, algo muito mais horrível acontecia nos bastidores. A Ucrânia perdia a população de forma silenciosa, metódica e mais rápida do que qualquer outro país do mundo. O mapa do Visual Capitalist, compilado a partir de dados do FMI, diz que essa perda é registrada como um recorde negativo global, uma perda populacional de 32,5% num quarto de século, o pior resultado entre 183 países. E talvez seja essa a principal mancha negra na vida de uma geração. A Ucrânia perdeu um terço de si mesma e a geração seguinte já está a entrar na idade adulta com essa sombra do êxodo das pessoas que saíram do país.
Nós voltamos já a seguir, desta vez com os destaques da imprensa ucraniana.