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Este é o Caça ao Voto, o podcast da Rádio Observador dedicado à campanha eleitoral. Começamos por fazer contas sobre quem anda a ganhar e a perder votos. Hoje com Miguel Pinheiro e com a Judite França. E vamos também falar com os jornalistas do Observador que estão a acompanhar as caravanas partidárias. Hoje vamos conversar com o editor de fotografia, João Porfírio, e com o fotojornalista Diogo Ventura. Afinal de contas, a imagem conta e conta muito na campanha eleitoral. E em cerca de 20 minutos de show de Caça ao Voto, ainda vamos ter tempo para recuperar uma história do baú com a Judite França. Este Caça ao Voto começa agora. E ele há líderes que não largam os candidatos e até vêm reforços da Europa agora por estes dias. Ursula von der Leyen junta-se a Sebastião Bugalho e a Luís Montenegro e do lado socialista, quase que podemos dizer que onde está Marta, está Pedro Nuno. Marta Temido diz que não quer entrar em discussões com adversários e Pedro Nuno solta um: "Boa!". Mas é preciso estar muito tempo para ouvir este boa. Por favor, quem está no carro, vamos subir um bocadinho o volume do rádio, mais um bocadinho. Quem está no headphones também pode aumentar um bocadinho se nos estiver a ouvir em podcast. Estamos preparados. O boa de Pedro Nuno é mesmo no final do som. Vamos ouvir.
Se é, não tem sucesso nenhum. Não creio que seja essa a intenção. Não olho para os outros com más intenções e, portanto, não creio que seja.
Acredita mesmo nisso?
Acredito mesmo nisso. Eu sou mesmo uma pessoa bem-intencionada. E quando sou tentada a pensar noutra coisa, penso: "Não, não é por aí". Obrigada.
Boa, diz Pedro Nuno Santos sobre esta declaração de Marta Temido, que não quer entrar em picardias com Sebastião Bugalho. Do lado socialista vêm reforços também da Europa, Nicolas Schmitz, o adversário de Ursula von der Leyen, que tenta um segundo mandato à frente da Comissão Europeia. A campanha está mesmo ao rubro, mas a campanha para a Comissão Europeia, isso são contas de um rosário que vai ficar para depois. Agora, importa mesmo perceber quem anda a ganhar e a perder votos. Chamamos o Miguel Pinheiro e a Judite França, assim é que é. Vamos então fazer contas. Já me estava a enganar, já ia chamar o Rui Pedro antes.
Pode tratar por Rui.
Rui Miguel Pinheiro.
Rui Miguel Pinheiro, está bem.
Rui Miguel Pinheiro. O Rui Pedro hoje não pode estar conosco, mas são por razões atendíveis. Rui Pedro, um forte abraço.
Um forte abraço aí pra praia onde te encontras neste momento.
Exato, essas são as razões atendíveis.
E não queremos perturbar o teu mojito, que sabemos que gostas de beber ao final da tarde, um drink ao sunset. Miguel Pinheiro, Rui Miguel Pinheiro, quem é que anda a ganhar votos?
Olha, estava com muito medo que começasses por aí.
Eu intuí.
Porque estou com enorme dificuldade hoje em encontrar alguém a ganhar. Procurando muito e fazendo um bocadinho de batota, eu diria que quem vai ganhar, não está a ganhar, mas vai ganhar votos, vai ser a AD, porque Luís Montenegro vai agora entrar em duas ações de campanha, vai estar em dois comícios com a campanha. Nós vamos assistir agora por estes dias, imagino eu, a algo muito parecido ao que tivemos nas últimas eleições, que é aproveitar uma grande preocupação em falar para os eleitores antes do voto antecipado. O voto antecipado é este domingo.
É já no domingo.
Não sabemos exatamente quantas pessoas vão, ou pelo menos eu não sei. Se calhar sabemos, eu é que não sei.
Sabemos quantos se inscreveram.
Seguramente milhares.
E agora eu gostava muito de dar esse número, mas não sei.
Vamos apurar e ainda no decorrer deste magnífico show Caça ao Voto, vamos dizer quantas pessoas estão inscritas.
Depois, atenção, podem não ir votar, podem estar só inscritas, porque querem ter a hipótese de votar e depois não ir votar. Mas nós vamos ter os partidos muito preocupados.
Já consegui apurar que são 250 mil.
Duzentos e cinquenta mil possíveis eleitores.
Exatamente.
É muito eleitor.
É muita gente.
É um quarto, não é?
É um pequeno partido, sem dúvida. Muito bem, Paulo.
Um abraço ao Ferreira.
Está o Rui Pedro em Turnos agora a degustar o mojito numa praia.
Mas 250 mil, eu diria que é ali mais ou menos por onde andam os partidos pequenos, pequenos-médios. Não é pequenos-pequenos, aqueles médios, portanto, tem muita gente. E por isso, Luís Montenegro quererá aparecer. Luís Montenegro é um trunfo de campanha. Ele é que tem aparecido a dar as boas notícias do governo, faz questão de fazer isso nestas últimas semanas e por isso, houve uma sondagem que até o deu como sendo, na opinião das pessoas que participaram nessa sondagem, o melhor primeiro-ministro que António Costa, e toda essa ajuda é boa. A campanha da AD não está a ser incrível e Luís Montenegro pode ajudar. Por isso, o fato dele ir aparecer para a AD é bom.
Vamos também saber para Judite França quem está a ganhar votos, Judite.
Olha, eu, ao contrário do Miguel, tenho dois vencedores, se precisares.
Dois?
Portanto, é o que tu quiseres.
Um para ti e um para o Rui Pedro.
Podemos ter feito a pergunta só à Judite.
Se me pedires um resultado, tenho mais dificuldade, lá está.
Já lá vamos. Então, quem anda a ganhar?
Eu acho que hoje Tânia Correia finalmente ganhou, porque tirou o elefante da sala Disse claramente: "Eu sei que não sou conhecido, eu sei que preciso do André Ventura ao meu lado, eu sei que assim é, é óbvio pra vós, é óbvio pra mim e qual é o problema de assumir que eu não sou conhecido e que aliás não sou bom em campanha? Não há nenhum problema nisso". De facto, ele não está a candidatar-se pra ser mestre de cerimônias numa arruada. Está a candidatar-se pra ser deputado. Portanto, eu acho que a honestidade é sempre um bálsamo nestas alturas e isto, de facto, foi pra mim, o momento de dizer: "Tanja Correia deve ter conseguido algumas pessoas que tenham compaixão por este tipo de ato de contrição".
Tanja Correia que também anda sempre de mão dada com o líder. Portanto, não é só Marta Temido.
Anda de mão dada com o líder e sabe que precisa.
Só Francisco Paupério é que não tem tido visitas do líder.
E esse também precisa e não tem.
E quem é o outro vencedor?
O outro vencedor é Cotrim Figueiredo, porque finalmente atirou uma farpa a Sebastião Bugalho. Estávamos aqui à espera, eu já não aguentava.
Deu um calduço no rapaz.
Deu um calduço no rapaz e disse que se percebe que ele não percebe muito de economia.
Mas desculpa, Judite, ajuda-me só aqui que eu às vezes perco-me nestas coisas. É o mesmo Cotrim de Figueiredo que ontem dizia que tinham acabado as picardias e que ele não ia ouvir falar mais em picardias?
Não existe nenhuma picardia, perguntaram-lhe a ele. Pois está bem, de economia ele não percebe muito.
Mas é o mesmo?
É.
Ok.
É o mesmo, alguém também lhe deve ter dado um calduço e diz assim: "Mas como assim? Não quer picardias com a AD? Achas que vais ganhar votos aonde? Ao Livre?" Acho que fez bem Cotrim Figueiredo e acho que o Sebastião Bugalho, das duas, uma, se continuar nesta do pacto não agressão, pode dar por perdido alguns votos que vão pra Iniciativa Liberal.
E nesta caça ao voto estamos também a homenagear Rui Pedro Antunes, que está a beber um mojito numa praia tropical a esta hora e não pode estar conosco. Miguel Pinheiro, que passaste a ser nesta edição Rui Miguel Pinheiro, quem perdeu?
O PS. Eu acho que Pedro Nuno Santo, por duas razões, por três razões, na realidade. Por um lado, Pedro Nuno Santos insiste em ver fascistas em todo lado, como no filme em que a criança via pessoas mortas, ele vê fascistas em todo lado. Tenho grandes dúvidas que isto continue a colar. Ele hoje voltou a equivaler o PSD ao Chega, voltou a equivaler qualquer pessoa que se encontra à direita do PS à extrema-direita. Realmente parece que não há democracia na direita do PS. Eu tenho dúvidas de que isso funcione. O segundo problema é que hoje foi um dia em que se falou muito de imigração e da AIMA, da organização que substituiu o SEF, e a responsabilidade dessa mudança, pro bem e pro mal, é inteiramente do Partido Socialista. E nem o Partido Socialista consegue defender o que aconteceu na imigração e esta situação de absoluta falta de capacidade de resposta.
Acho que se viu até no debate com Marta Temido. Ela estava um bocadinho atrapalhada nessa parte.
E hoje voltou a usar uma expressão que já tinha usado no debate, que é a das dores de crescimento. Não é um bom argumento. Não pode haver dores de crescimento nestas coisas.
Sobretudo quando estamos a falar de mais de não sei quantas pessoas, 100 pessoas a querer sair. Funcionários.
100 funcionários a quererem sair da AIMA, sim, e centenas de milhares de imigrantes à espera que o seu processo seja regularizado.
Chegou a meio milhão. Em Itália, quando chegou a meio milhão, Meloni disse: "Alto, chegou a meio milhão, vamos ter que fazer aqui qualquer coisa".
É impensável. De facto, um governo que faz uma mudança destas tem que ter isso pensado. Agora, claro, neste momento, o problema passou a ser da AD e por isso a AD também tem que resolver isto de alguma maneira. Terceiro motivo, nesta colagem da direita à extrema-direita, Pedro Nuno Santos falou de von der Leyen, até falou num flerte de von der Leyen com Meloni. Houve vários partidos a falarem de von der Leyen. 90% dos eleitores portugueses não sabem quem é von der Leyen. 99% têm uma ideia do nome, não sabem mais nada além disso. Eu não percebo como é que os partidos perdem horas e horas a falarem de alguém que não diz nada às pessoas, a perderem a oportunidade de falar pra os eleitores. Têm os jornalistas à frente e vão falar de von der Leyen.
E há outra coisa, se as pessoas não sabem, se calhar passaram a saber. "Ah, quem é esta que eles estão a dizer que veio à outra campanha?" Quer dizer, pelo menos podem ficar com mais atenção.
E também vem Nicholas Schmitt.
Bem, isso é pior ainda.
Quando nós passamos um dia a falar de von der Leyen, Nicholas Schmitt e Meloni... Também não sabem quem é Meloni. Se sabem, que não é por nada. Graças a Deus, Deus os abençoe, têm uma vida muito mais interessante do que a nossa. Não têm que passar o tempo preocupadas com a primeira-ministra italiana, com a presidente da Comissão Europeia.
Nem com o eventual oponente da senhora Úrsula von der Leyen na corrida à Comissão. O senhor Schmitt, Nicholas Schmitt. Doutora Judite, pra encerrarmos.
Pra encerrarmos, em relação ao perdedor, eu faço aqui uma maldrice, porque eu trouxe o perdedor de ontem.
Porque ontem não perdeu o suficiente?
Porque ontem foi muito curto, não tive tempo de dizer tudo.
Vamos lá. Já não temos muito tempo.
Eu acho, de facto, que Francisco Paupério não merece aquilo que Rui Tavares lhe está a fazer. E acho que se Rui Tavares não percebe o que lhe está a fazer, eu acho que percebe. Se não percebe, devia ouvir, porque de facto, quando o próprio tem que vir dizer: "Eu não me sinto só", é óbvio que se sente só.
Rui Tavares não aparece na campanha do LIVRE.
Não, parece que vai aparecer agora, em breve. Está sempre a dizer que o partido não é o partido de um homem só, que de facto não é
Mas quando um candidato não é de todo conhecido, o Rui Tavares tem que lá estar.
É sempre assim no caso ao voto. Começamos por fazer as contas a quem anda a perder e a ganhar votos. Agora está na hora de ir à estrada, ao encontro dos jornalistas do Observador. E a imagem conta sempre muito na campanha. Já tivemos toucas, capacetes, coletes amarelos. Já sabemos que campanha que é campanha pede pelo menos uma ação de campanha com touca e outra com capacete. Isto é quase tão certo como a carne assada. João Porfírio é o editor de fotografia do Observador e lá anda ele na estrada de máquina em punho. João, onde é que tu andas?
Olá, Ricardo. Na cidade mais alta do país, na Guarda.
Vês? Achaste que eu não sabia a resposta dessa. João, tu tens estado a acompanhar Marta Temido e a caravana do Partido Socialista. A antiga ministra da Saúde tem recorrido muito, pelo menos é visível aqui deste lado pra quem está sentado em Lisboa, da popularidade que conseguiu durante os tempos de pandemia. Esse tem sido o trunfo da imagem de Marta Temido, tem sido por aí que ela tem explorado esta campanha?
Sem dúvida, Marta Temido e todo o PS à volta desta campanha de Marta Temido. Marta Temido é muito conhecida, naturalmente, entrou nas nossas televisões durante a pandemia quase todos os dias e as pessoas reconhecem isso na rua. Cumprimentam, muitas pessoas agradecem, uma ou outra apenas com algumas críticas. Essas duas ou três pessoas que o fizeram, profissionais de saúde, curiosamente. E, ao contrário do que dizias, esta campanha ainda não teve a habitual carne assada. Vamos ver, falta mais de uma semana pra campanha. Esperamos que essa tradição se mantenha. O que é certo é que esta campanha já pode ser apelidada por Marta Temido em sítios, uma vez que Marta Temido se tem metido em vários locais inusitados de vermos um político. Marta Temido desceu até os 30 metros de uma mina em Aljustrel, entrou dentro de um vagão, foi empurrada dentro desse vagão, subiu umas escadas que vai dar a um anexo dessa mina, foi a única que subiu essas escadas e até simulou uma explosão de uma parte da mina. Como estamos a falar da imagem, o que é certo é que essa imagem de Marta Temido dentro desse vagão na mina não foi de todo unânime nos bastidores da assessoria de imprensa do PS, uma vez que essa imagem de Marta Temido a ser empurrada dentro de um vagão numa mina foi recordada através de uma fotografia de Pedro Passos Coelho, em 2014.
A tua fotografia fez-me lembrar o Indiana Jones, não é? Uma cena também mítica dentro do vagão.
Exatamente. E um bocadinho à semelhança disso, fez também lembrar a assessoria de imprensa uma fotografia de 2014 de Pedro Passos Coelho, com alguns elementos do seu governo de 2014, em que estavam num parque de diversões, certamente te lembras, no Porto, numa espécie de riacho. E a assessoria de imprensa ficou com os cabelos em pé quando Marta Temido aceitou o convite daquele funcionário da mina pra entrar no vagão. O que é certo é que, ainda há poucos minutos, Marta Temido entrou pra um caminhão TIR, simulando que estava a ir até Bruxelas num caminhão TIR. Desceu, como disse, à mina, mete-se nos sítios mais inusitados, vai pra trás do balcão nos cafés, nos restaurantes. E isto, claro, a par com a simpatia que é muito característica desta candidata do Partido Socialista e que é reconhecida pelas pessoas, e isso faz com que a campanha do PS se resguarde muito nessa popularidade de Marta Temido.
E dá grandes fotografias que o João Porfírio tem tirado. Boa viagem, João. Vamos agora ao encontro do Diogo Ventura, fotojornalista do Observador, que está com a caravana da AD. Onde é que tu andas, Diogo?
Olá, Ricardo. Boa tarde, tudo bem? Olha, acabamos de chegar a Santa Maria da Feira, onde às sete o candidato Sebastião Bugalho tem um comício que vai contar com a presença de Luís Montenegro.
Santa Maria da Feira, que já percebemos que hoje os líderes estão também na estrada e ao nível da imagem, do desenho da campanha, como é que está a correr aí para Sebastião Bugalho, Diogo?
Bem, Sebastião Bugalho é alguém que está habituado à presença de câmeras, todos nós sabemos isso, e nesta campanha também se percebe isso. O candidato é sempre muito intenso nas ações de campanha onde há contato com as pessoas, em especial com as pessoas mais velhas. Retribui beijinhos, dá abraços e até come fruta à dentada. Nestes primeiros cinco dias visitamos muitos mercados, feiras e também se pode contar com algumas arruadas. É claro que estes momentos dão sempre boas imagens, porque não é comum ver um político ajoelhado a falar com uma senhora, como aconteceu esta manhã no mercado da fruta em Caldas da Rainha. Por aqui, como falaram no início, ainda não tivemos a sorte de ter capacetes nem coletes amarelos, mas a equipe do Observador que acompanha o candidato da AD-
Mas também não percas a esperança.
Exatamente. Parece que estavas a ler aqui o meu pensamento. Era mesmo isso que eu ia dizer. Nós não perdemos a esperança, porque ainda faltam muitos dias de campanha e isso pode acontecer.
É que a Marta Temido, Diogo, conseguiu juntar os três na mesma ação de campanha: capacete, touca e colete amarelo.
É verdade e eu confesso que aqui dentro da campanha da AD, não internamente, mas entre os jornalistas e os fotojornalistas que acompanham a campanha da AD, houve até uma ligeira inveja da boa por ver esses momentos do outro lado da outra campanha e de nós aqui andarmos um pouco só em mercados. E este só entre aspas, porque Sebastião, como eu disse há bocado, é muito intenso e as pessoas gostam muito de vir cumprimentar e ele dá sempre dois dedos de conversa e acaba sempre por até conquistar votos. E sempre que isso acontece, ele aplaude e diz bem alto para todas as pessoas que o acompanham: "Já conquistámos mais um voto para a AD". E como devem calcular, isso também dá sempre imagens diferentes.
E vamos vendo essas imagens. Obrigado, Diogo. Diogo Ventura, fotojornalista do Observador que está a acompanhar a campanha da AD. Vamos sempre à estrada, neste caso ao voto, ao encontro dos jornalistas do Observador, mas já a seguir vamos abrir o baú. E hoje, Judite França, vamos gastar tudo em vinho e mulheres.
Lembram-se de um holandês ter dito que Portugal gastava dinheiro em bebida e mulheres? Lembram-se? Do que se calhar não se lembram é que por cá levamos a coisa tão a mal, que fomos ter diretamente com o autor da frase, Jeroen Dijsselbloem, para lhe exigir um pedido de desculpa. A secretária de Estado, Mourinho Félix, instou que o líder do Eurogrupo se retratasse das palavras sobre estes maus hábitos. O raspanete de Mourinho Félix foi dito olhos nos olhos enquanto apertava, e não largava, a mão do líder do grupo dos ministros das Finanças. Ouve-se muito mal. A filmagem é feita à distância, o som é o som apenas da câmera e só as legendas ajudam a entender que Mourinho Félix está com a mão apertada do holandês, não a larga e diz que queria o tal pedido de desculpas público.
Judite, o presidente do Eurogrupo chegou a dizer-se chocado com a reação de Portugal perante aquilo que disse, mas, por outro lado, também nunca se comprometeu com o pedido de desculpas.
É verdade, Dijsselbloem é que disse que estava chocado, o que tem alguma graça, mas atenção que o caso foi sério, tão sério que António Costa, o primeiro-ministro da época, ficou tão chocado a ponto de pedir a demissão do líder do Eurogrupo do cargo, alegando que não tinha condições para continuar depois do que disse. Mais tarde, o governante holandês haveria de se referir ao assunto por diversas vezes para lamentar a forma como as palavras tinham sido interpretadas, justificando-as com a frontalidade holandesa. Pois frontalidade ou não, caiu muito mal a Portugal e aos países que estiveram sob resgate, esta acusação de que andamos a gastar o dinheiro mal gasto em copos e mulheres. E dessa história, Dijsselbloem não se livra. Nós é que vamos deixar o então líder do Eurogrupo para trás, porque amanhã temos uma nova velha história para contar.
É isso mesmo. O Caça Voto regressa amanhã, sempre com os olhos postos na campanha eleitoral. É assim de segunda a sexta, só nos dias úteis. Nós só trabalhamos nos dias úteis, na rádio, depois do jornal das 18h.