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Esta é a comissão de inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado um antigo futebolista, Marco Canhoto. Bom dia, bem-vindo.

Olá, muito bom dia.

Sabe como vai, Marco? Tem que cantar o hino, fazer o pino.

Isso deve ser fácil.

Isso é mais fácil.

E marcar três embaixo de cabeça.

Marcar pouco. Bons, mas poucos.

São cinco perguntas, cada resposta certa vale cinco pontos. Se pedir a nossa ajuda e acertar, são dois pontos.

Ok.

Vamos a isto?

Vamos a isto.

Eu acho que a primeira é muito simples. Acho. Que seleção participou em todos os campeonatos do mundo, desde o primeiro, desde 1930, incluindo esta, portanto, 23 edições?

Brasil?

Certíssimo. Já Cristiano Ronaldo é o primeiro e único jogador a marcar em seis mundiais diferentes, ultrapassou o recorde de Eusébio. Há uma semana não faltaram críticas a CR7, hoje são só elogios. É isto o futebol, não é, Marco Caneira?

É, o futebol é isto. O futebol é muito incrédulo, o futebol, por vezes, tem um peso sociocultural muito grande. Eu acho que nós temos que ter a noção que também em Portugal nós não temos essa cultura desportiva. Nós temos que ter a noção que a seleção portuguesa é o veículo mais importante, em minha opinião, sociocultural, porque as pessoas têm uma crítica tanto negativa num dia como na outra, já estamos aqui a dizer que vamos ser campeões do mundo e a ter todo esse tipo de declarações. É importante, é difícil. Eu acho que os momentos quando uma seleção portuguesa está fora do país, leva toda essa cultura, eu acho que é isso que temos que preservar. As críticas são críticas que deviam ser muito mais técnicas, muito mais ao detalhe na estatística, mas felizmente e infelizmente, o futebol é isto.

Os jogadores estão habituados a lidar com críticas, mas abalam, não é? Como as da semana passada.

Sim, mas não são grandes críticas. Eu acho que quando nós olhamos para vários setores, e o futebol é bem diferente. Eu acho que é uma crítica muito mais feroz, mas o futebol tem essa pressão da alta competição, de teres pressão para ganhares. Não é uma pressão para chegar ao final do mês e ter capacidade ou não para pagar as tuas despesas. E essa é que é a grande pressão, é uma pressão para ganhar, não é uma pressão para perder.

O Marco também é agora comentador desportivo. Já teve alguma reação negativa de um alvo dos seus comentários?

Olhe, nunca tive, até porque eu não tenho redes sociais.

Isso é alguma zona de segurança, não é?

Não é uma zona de segurança, é também o perfil. Sempre foi o meu perfil, sempre foi essa também a minha direção, mas felizmente, e digo felizmente, porque vou às compras, vou a Lisboa, vou ao Porto, vou a qualquer parte do país e as pessoas acarinham porque eu tenho esse lado da independência, que eu chamo uma independência intelectual, que também é financeira e que me permite ser abrangente.

E dizer aquilo que pensa.

Aquilo que penso, mas sempre numa crítica positiva e construtiva.

Mas nunca nenhum antigo companheiro, por exemplo, um jogador de futebol, disse: "Aquilo que disseste no outro dia não me caiu bem".

Podem dizer entre amigos. A mim, não. Até podem dizer, obviamente, ninguém está imune à crítica, ninguém está imune a esse tipo de situações, mas aquilo que eu preservo é poder ser construtivo para a indústria e também para o país, porque como eu já referi, tem um peso social tão grande que nós quando estamos cá fora, neste momento, e na comunicação, é que consigo perceber.

Muito bem, Marco Caneira, cinco pontos na primeira questão. Vamos agora à segunda. Também é fácil, talvez.

Qual é a pergunta?

Para nós, não é, que sabemos a resposta, é claro.

Não. Qual é, neste momento, o melhor marcador de sempre em jogos nesta fase final do mundial? De todos os campeonatos, quem é que vai à frente?

O recordista de gols. Não é Klose, talvez Messi?

Certíssimo. E o Klose é o segundo. Com 16 gols.

Vai ser o Messinho.

Eu sei, porque estive a ver, claro, 18 gols o Messi.

São das mais fáceis às mais difíceis, as duas primeiras não são assim tão fáceis.

E o Mbappé também está com 16 gols. Há aqui esta grande rivalidade, pelo menos aparente, entre Messi e Ronaldo. Ronaldo ignorou ontem uma pergunta sobre Messi. Isto é a melhor forma de lidar com estas rivalidades? Há muitas coisas destas no futebol.

É, porque esta rivalidade, na verdade, não é uma rivalidade. São os dois maiores de sempre da história e há pouco de rivalidade. Eu acho que eles têm a noção perfeita um do outro, que o percurso tem sido semelhante. Obviamente que os títulos a nível de seleção são outros para Messi, mas são os dois maiores de sempre. Eu acho que o Cristiano faz muito bem ignorar, até porque a vida continua para lá do futebol e vai continuar, e eles serão para sempre, em minha opinião, os dois maiores, até o momento, do futebol.

Mas Mbappé, deixa-me só perguntar, porque no outro dia Mbappé também foi questionado sobre Messi e Mbappé respondeu, deu uma resposta, falou abertamente, disse que Messi está à frente, que o objetivo dele é chegar, atingir, alcançar a marca de Messi, mas que para já ele continua a marcar e está à frente. O Ronaldo não ter respondido à questão não indicia que ele, de facto, fica afetado com estas questões?

Não, eu acho que ele não fica afetado. E ontem tivemos ocasião, e eu estava na televisão quando das declarações do Cristiano, eu acho que foram das mais completas, das melhores que ouvimos, obviamente, falar depois de um jogo. A questão da união, a questão do grupo e muito mais adulto. Obviamente, nós estamos sempre à espera que ele Cresça nas suas declarações. Eu acho que ontem talvez tenha sido o grande ponto de viragem, quase no final da sua carreira.

Até assumindo que regressou, o que significava que não estava lá. Assumiu que esteve ali numa fase mais difícil.

Eu acho que isso foi muito mais comercial. I'm back.

É um bom slogan.

Sim, ele sabe o que faz e o que diz. Mas ainda sobre esta questão Ronaldo e Messi, o fato de eles jogarem no mesmo momento também faz com que cada um deles seja melhor, porque essa rivalidade alimenta a competitividade e a sua prestação?

Alimenta, porque nós somos melhores quando estamos num patamar idêntico, quando estamos num patamar de disputa também que existe todo um coletivo a ajudar Cristiano e Messi naquilo que são as suas equipes e são as suas seleções, mas obviamente que depois é individual. Há aqui uma tentativa de conquista individual de cada um e isso é muito natural.

E é muito estimulante.

É muito estimulante e estamos a olhar para os maiores da história. Por isso eu acho que não há aqui grandes palavras a ter sobre estes dois elementos.

Falou também nesse crescimento de Cristiano Ronaldo, que se manifestou ontem também nas declarações que fez. Ontem vimos também no final do jogo, junto dos companheiros, no centro do relvado, depois a acenar para os espectadores, coisa que não fez no jogo em que Portugal teve um empate contra o Congo. Falhou aí como capitão, Cristiano Ronaldo.

Eu acho que não falhou. Nós temos que olhar a tal perspectiva da cultura desportiva e quando olhamos para um jogador como o Cristiano, tudo aquilo que envolve, obviamente, eu não sei se foram protocolos de segurança ou não, passaram essa mensagem, não faço ideia, mas, por vezes, os líderes, ele como líder, também erram. Eu acho que quem está fora consegue perceber melhor. Ele seguramente também percebeu, daí as suas palavras de ontem, de ter voltado atrás, mas depois os grandes líderes dificilmente conseguem assumir. Assumem no ato seguinte, com outro tipo de atitudes. Eu acho que é muito por aí.

Corrigiu ontem, então.

Eu penso que sim.

Esse passe é falso. Vamos recuar ao Mundial de 2002. O Caneira esteve presente em dois Mundiais.

2002 e 2006.

E 2006. Quem marcou o primeiro gol de Portugal no Mundial de 2002? Lembra-se do jogo?

Esta deveria ser a mais fácil de todas. Estava lá.

Palheta?

Quer aqui uma ajudinha?

Talvez.

É melhor uma ajuda. Beto, Jorge Costa ou Fernando Couto?

Beto.

No jogo. Foram só centrais aqui nas hipóteses.

Contra quem? Já agora.

Contra os Estados Unidos. E na altura já estávamos a perder.

Começou muito mal.

Começou muito mal, esse campeonato começou mal.

E acabou mal.

Acabou mal, teve ali um bom resultado pelo meio. O Caneira, como dizia, participou em dois Mundiais, um em que Portugal era um dos favoritos, em 2002, e que não correu bem, e o outro em que Portugal conseguiu a segunda melhor prestação de sempre. O que explica esta disparidade em relação-

Em tão pouco tempo, não é?

Em tão pouco tempo e uma seleção em que muitos jogadores eram os mesmos.

Sim, eu acho que foi a evolução. Não são muitos anos, são quatro anos, mas a partir de 2000, nós olhamos para os jogadores portugueses que começam a sair do país, começam a jogar noutros campeonatos, a ter outra cultura. Eu acho que aí foi o terminar dessa geração, que era uma geração de ouro, até do Mundial Campeões Sub-20, e a partir dessa altura, houve uma mudança de paradigma mental dos próprios atletas. E depois também, em 2006, olhamos para uma liderança muito forte de Scolari.

Fez muita diferença essa liderança de Scolari na seleção.

Eu acho que faz diferença. Eu gosto muito de falar de liderança, porque entendo que os líderes têm que ter um peso importante, como aqui nesta casa, como uma grande empresa, a liderança é de cima para baixo e essa linha orientadora tem, por vezes, mesmo sem grande talento, sem grande qualidade, a liderança é muito fácil de incutir, neste caso, ou nos jogadores ou nos funcionários, porque mesmo não tendo, tu vais evoluir, tu vais ser melhor. E eu recordo-me de Scolari que dizia: sempre que tu eras melhor que o outro elemento, um lateral-direito, tu és melhor que o lateral-direito da outra seleção. E aquilo, obviamente, não havia muita diferença, porque são seleções, mas a questão mental é o tal clique para tu estares comprometido e evoluires.

Era esse o trunfo de Scolari, era essa capacidade?

Não só.

Muitas vezes dizia-se que ele taticamente não seria o treinador mais evoluído.

O importante, taticamente ou não, é teres o grupo unido. E por vezes, olhamos para grandes seleções ou pequenas equipes que fazem grandes brilharetes, e isso tem a ver com o coletivo. E ele, taticamente, obviamente que acabava por ser muito normal naquilo que era a suficiência para podermos conquistar. E se olharmos para aquilo que foi o Mundial 2006, aquele jogo frente aos Países Baixos, hoje em dia.

A Batalha de Nuremberg.

Aquela batalha. E depois desse jogo, tudo aquilo que era no balneário, nós percebíamos que estávamos todos unidos, quem jogava, quem não jogava, havia uma simbiose muito grande.

Muito bom. Isto leva-nos à próxima pergunta, se bem que o Marco não estava lá, que foi no Mundial de 1966. Quem é que era o selecionador de Portugal? Às vezes as óbvias são mais difíceis, não é?

Preciso de uma ajuda.

E vai ser num instante.

Vai ser num instante.

Autoglória, Cândido Oliveira, Fernando Vaz.

Autoglória.

Vaz. Eu também tinha que ir para o primeiro e depois era óbvio que era Autoglória. Estávamos aqui a falar de liderança. Roberto Martínez é um líder?

Não.

Por quê? O que lhe falta?

Falta-lhe essa liderança, essa afirmação, até na própria comunicação. Nós conseguimos perceber. Obviamente, eu sou um crítico em relação ao Roberto Martínez, porque entendo que não é o selecionador, e não tem nada a ver com a questão particular do homem, não é o selecionador ideal, na minha opinião, para aquela geração que nós temos neste momento, uma que está a terminar, mas também eu referi, ele é o selecionador nacional, ele é o comandante, é com ele que eu estou. Obviamente que temos que dar todos os créditos, mas essa liderança não pode ser só feita naquilo que falávamos antes, naquilo que é qualidade individual ou coletiva. Existem outros aspectos que a liderança tem que ser mais afirmativa.

Neste momento concreto, porque há uma geração que está a ir embora, Cristiano Ronaldo, e há outra que está a entrar. E é aí que era preciso alguém com outra firmeza?

Não é firmeza. Eu acho que até do ponto de vista do modelo de jogo, da característica técnico-tática dos nossos jogadores, nós olhamos para o nosso grupo e temos quatro jogadores, nesse caso, do Paris Saint-Germain, que foram dois anos consecutivos, ganharam uma Liga dos Campeões. Olhamos para um Diogo Costa, olhamos para um Francisco Conceição, olhamos para Rafael Leão, olhamos para João Félix e olhamos para um leque de oito, 10, 12 elementos que vão ser o futuro da nossa seleção. E nesse sentido, não sei se vai continuar ou não, Roberto Martínez, mas obviamente que eu já referi, eu estou com Roberto Martínez, nós estamos todos com Roberto Martínez, mas no meu ponto de vista, é minha opinião pessoal, técnico-tática, não cabe Roberto Martínez.

E quem é que o deveria substituir?

Essa é uma boa pergunta. E eu entendo que alguém com essa capacidade, mesmo até de liderança, fala-se muito de Jorge Jesus, parece-me que podia ser o indicado, porque nós olhamos para a carreira de Jorge Jesus e tem todo esse percurso e esse trajeto, e neste momento está obviamente muito tranquilo e é alguém muito disciplinado e alguém que podia fazer aqui, ou pode, se entrar, fazer a diferença.

E também já conquistou essa independência que lhe permitia.

Sempre foi muito independente. Agora ainda mais.

Faz diferença ver o selecionador ser português ou estrangeiro ou é indiferente?

Não, é indiferente. Eu acho que nós não podemos colocar as coisas nesse sentido. Isso é a tal cultura desportiva. Um jogador português, quando vai para um grande clube europeu, o treinador não é português. O treinador pode ser, até porque nós temos tido essa capacidade de evoluir.

Foi um brasileiro que pôs os portugueses com a bandeira.

E as melhores prestações. Falas do Autoglória e as melhores prestações foram com treinadores brasileiros.

Com brasileiros. Eu acho que isso não tem influência, eu acho que é a mesma mentalidade. E depois eu já referi há pouco, nós estamos a falar de alta competição, e alta competição exige uma disciplina muito grande diária. Eu tive 22 ou 23 anos e obviamente que levo isso também para a minha vida no dia a dia. A minha esposa, por vezes, diz que eu sou demasiado disciplinado, mas é um ADN que não se consegue retirar.

Olhando ainda para este mundial, neste momento, quais é que parecem as seleções mais fortes depois destes primeiros jogos?

Nós vimos uma Inglaterra que ontem também se bateu bastante bem frente a um Gana, bem competitivo. Olhamos para uma Argentina. Existem seleções que vão crescendo. Eu acho que próprio Portugal, com Roberto Martínez, nós podemos ter aqui um papel, porque quando se baixam as expectativas, é muito mais fácil, porque tu não estás sempre ali no olho do furacão.

Sai a pressão também, há menos pressão.

Não existe essa pressão e colocar-se como um underdog ali à espera, na perspectiva e na humildade, porque é preciso ter muita humildade num torneio como este, que é muito comprido, os microciclos dentro de jogos são curtos e obviamente os 26 jogadores, eu acho que aí Roberto Martínez podia ter um peso diferente nesta, não é revolução, mas poder olhar para outros elementos, como os microciclos de trabalho entre jogo, que são quatro, cinco, seis dias, poder fazer aqui algumas alterações.

Poder fazer uma gestão diferente. Não tem feito essa gestão, Roberto Martínez.

Não tem, e eu acho que ele não tem porque tem esse receio de fazendo alguma alteração, a crítica já é alguma, fazendo algumas alterações e as coisas não correrem bem.

É um conservador.

É um conservador.

Muito bem, Marca Neiura, 14 pontos até o momento. Vamos à última pergunta.

Eu queria para as 19.

Vamos chegar às 19. Qual o jogador mais velho a marcar um gol numa fase final do Campeonato do Mundo?

Roger Milá?

Certíssimo, muito bem. Em 1994, tinha 42 anos. Este recorde o Ronaldo só poderá bater no próximo.

No próximo? Para o Ronaldo?

Vamos ver. Os 40 são os novos 30 no futebol. Hoje os jogadores parece que têm uma longevidade muito maior. Nem todos, como é óbvio, mas parece que, e temos visto isso neste mundial, parece que têm uma maior capacidade de prolongar a carreira

Tem. E os clubes também entenderam que os profissionais de excelência, de alta competição, acabam por ter um comportamento individual nas suas vidas bastante diferente. Existe essa evolução. Nós estamos a falar em 2026, desde 2004, 2006, como eu referia, houve uma evolução muito grande. Hoje em dia é tudo muito controlado.

É isso. Falava de comportamentos, tipo os vossos comportamentos de consumo de álcool, de cigarros, por exemplo.

Os banhos de gelo também devem ser importantes.

Isto é, o cuidado com a saúde hoje é muito mais apertado.

É porque os jogadores também foram evoluindo e percebem, todos eles, quando é que estão bem, quando é que não estão, se o que está ao meu lado, na minha posição, qual é o seu comportamento, e isso exige a tal evolução individual. Eu acho que hoje em dia a preparação é muito grande. Eu recordo-me desde 2005, 2006, já na altura, que se pesava a comida na pré-temporada, obviamente em duas, três semanas de estágio.

Nem nas férias podia haver excessos.

Não, isso era na preparação. E a partir daí começou a haver uma evolução muito grande. Os próprios clubes, para as pessoas terem noção, têm também tudo preparado e os jogadores, depois dos treinos, têm a sua refeição já preparada, obviamente, por vezes, individualizada com aquilo que é necessário. E isso é o tal crescimento físico, que os 40 acaba por ser agora os novos 30.

O Marco Canheira acredita que o Ronaldo saia deste mundial, acabe este mundial ou ainda faça o próximo para se despedir em Portugal de um mundial?

Eu acho que será difícil o Cristiano jogar o mundial em 2030.

Está com 45.

Muito difícil.

Com pena dele, provavelmente.

Ele tem um peso muito grande, vai continuar a tê-lo e eu acho que pode ter muito mais se tiver essa capacidade de olhar o presente, o passado que foi e o futuro que poderá vir a ser para Portugal.

Mas é uma decisão difícil, não é? Percebemos que quem está no topo-

É difícil porque o ego de alguém que é um dos melhores do mundo acaba por ter também o seu último dia e isso é uma preparação que tem que ser feita. Eu acho que ele não está preparado para isso, ninguém está, mas ele pode ter um papel muito importante.

Papel a que nível? Como dirigente, como treinador?

Naquilo que é a nossa cultura, porque nós quando a seleção joga, viaja fora, terá que ter um embaixador. Ele é muito mais que um embaixador, é alguém que se olha para ele e basta ver os estádios nos Estados Unidos, todos os jogos que temos visto de Portugal, e esse é o papel que ele pode ter, obviamente, se quiser.

Mas acha que ele não preparou o momento da saída?

Não, ele não precisa de preparar. Os jogadores como ele não precisam de preparar. Eu acho que estão tranquilos.

Mas psicologicamente, há um vazio a seguir?

Pode haver um vazio. Eu acho que existe sempre um vazio da tal disciplina e da competitividade do dia a dia.

Do ritmo.

Do ritmo, aquilo que se faz, de levantar, de perceber que tem que ir treinar, o que é que vai fazer se não tiver essa disciplina. Mas eu acho que ele está preparado e todo o país também está preparado para depois abraçá-lo e recebê-lo da forma que ele entender. Eu acho que ele tem que olhar, e como dizia ontem, foi uma evolução muito grande no seu discurso e eu espero que ele continue nesse sentido.

Então e prognósticos para o próximo jogo Portugal-Colômbia? Marco Canheira.

Eu acho que vai ser até um jogo mais fácil, até porque é um jogo onde a competitividade já está num nível superior. Vai ser um jogo para o primeiro lugar e eu acho que Portugal já vai dar uma resposta ainda maior, porque quando se joga contra seleções menos conhecidas, é sempre mais difícil.

Marco Canheira, obrigada por ter vindo aqui ao "Conhecimento é Um Prazer". Os seus 19 pontos. Obrigada.

Obrigado. Bom dia!