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As coisas evoluem também.

Claro.

E agora estamos numa fase em que os filmes de terror que estão a fazer sucesso são feitos por rapazes de 20 anos ou por jovens de 20 anos.

Na véspera de começar aquele que já é, há muito, a maior referência no cinema de terror da capital, falamos do gênero que até dia 13 volta a invadir Lisboa. É verdade, arranca já amanhã e vai até domingo, oito. Aí está o grande evento cinéfilo da rente lisboeta, o Motel X, Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, cuja 20ª edição nos convida a ver, em 11 dias, no Cinema São Jorge, mais de uma centena e meia de filmes de terror oriundos de mais de 40 países. Só a seção principal, Serviço, vai apresentar em Lisboa 10 longas-metragens internacionais, duas das quais são "Species" e "The Birthday Party", com Monica Bellucci, e "One Spoon of Chocolate", de riso, com produção de Quentin Tarantino. Mas 20 anos só se fazem uma vez. Pela primeira vez ao longo de 11 dias, o Cinema São Jorge, Cinemateca e noutros locais também, como a Casa do Comum, o Jardim das Amoreiras ou na Casa do Faun, em Sintra, são duas décadas de terror em festa. Aqui, o terror, já sabe, é bem-vindo. Para nos contar tudo, conversamos, como sempre, com Pedro Soto e João Monteiro, os fundadores, diretores artísticos, programadores deste festival, que volta a apostar forte no terror nacional. E há muito para ver e assistir, entre estreias exclusivas, convidados, masterclasses, workshops, conversas, jogos, festas e lançamentos. Suar frio, ficar em pânico, morrer de medo e ainda por cima pagar por isso, com todo o prazer. É o Motel X no seu melhor. João e olá, Pedro. Bem-hajam por terem aceitado este meu convite. Bem-vindos.

Olá, tudo bem?

A mais esta sessão. É a quinta, o que é muito bom. Não vou falar de cada um de vocês, exceto o pormenor do João ter tirado História da Arte, que é uma coisa que eu gosto muito, e de ser, há 21 anos, membro fundador do Cineclube de Terror de Lisboa.

É porque não há emprego na arte, por isso é que eu-

Exato. E ter estagiado até pelo Museu Rafael Bordalo Pinheiro, que também é uma coisa curiosa. Então, desde 2007, é programador de conteúdos e produção do Motel X. E também é realizador, argumentista e produtor daquele documentário que já foi premiado com os Prêmios Sofia, os Interstícios da Realidade ou Cinema de António de Macedo. E ao Pedro Soto, o programador desde a sua gênese deste Motel X, desde 2007, sendo licenciado em Cinema, tem várias curtas-metragens como produtor e diretor de fotografia e também foi produtor. Se eu vos perguntasse os três ingredientes obrigatórios de qualquer filme de terror, o que vocês respondiam? Sem ser sangue e sendo coisa assim mais gore, porque há muitos subgêneros.

Difícil essa pergunta, porque hoje em dia já não sabemos exatamente o que é.

Pois é, porque se tornou uma coisa mais abrangente?

As coisas evoluem também.

Claro.

E agora estamos numa fase em que os filmes de terror que estão a fazer sucesso são feitos por rapazes de 20 anos ou por jovens de 20 anos. E, portanto, já começa a ser uma coisa geracional.

E de facto, as coisas que nos assustavam há 20 anos não são as mesmas que assustam hoje.

Exatamente.

Estive a pensar nisso e pensei: "Caraças, pois é, isto é diferente". As coisas mudam, o gosto muda, o que as pessoas veem muda. Vocês há 20 anos, quando começou este festival, em 2007, o primeiro filme foi o "The American Disaster", o que estamos a viver.

Eu acho que-

Não era uma coisa deste gênero?

Não.

"American Nightmare" que era-

"The American Nightmare", exatamente.

Eu agora vejo precisamente dessa maneira a questão dos filmes de terror para mim, o que são, o que não são. E eu, na altura, não antevia, não calculava este processo normal de evolução, de mudança na vida das pessoas, de estares a ver também muita coisa em repetição, que também vai acabando por moldar o teu gosto. E, portanto, para mim, o início deste gosto pelos filmes de terror, eu penso que estava muito associado àquela ideia de transgressão, de estar a ver algo que não era suposto ver, que se calhar se eu contasse aos meus pais, eles iam achar chocante. E, portanto, há muito esse processo.

Mas isso também é o snuff movies, por exemplo.

Sim, os filmes mais violentos, de violência gráfica, eu penso que para mim, na adolescência, causaram algum impacto. E depois vais acabando por conhecer outras coisas. E eu lembro-me precisamente, ainda no tempo do Cineclube, antes de começarmos o festival, de nós nos vermos um bocadinho aflitos para escolher filmes de terror para passar. E a partir de certa altura, tu vês que há um manancial de filmes por todo o mundo. Nunca tivemos falta de filmes, felizmente.

E houve muita coisa, além de ter mudado muita coisa, o próprio consumo do cinema mudou. Há 20 anos não havia streamings, e agora há streamings.

Exatamente, as plataformas.

E portanto, eu não sei se esses filmes do streaming continuam a ser feitos a pensar num grande ecrã ou já estão a pensar no formato em que eles estão a ser feitos. Só fazendo a ponte para uma coisa que nós vamos, não digo celebrar, mas que vamos discutir este ano, em conjunto com o Goethe-Institut, que é a questão da morte. E se me perguntas qual é que é o ingrediente, um dos ingredientes essenciais, alguém tem que morrer.

Tem que haver uma morte.

Exato.

Falar sobre a morte nunca matou ninguém. Esta nova seção, esta novidade. Que mete o cinema alemão. O que o cinema alemão tem de particularmente perturbador? Aqui estamos a falar de Herzog, Nosferatu.

O que ele tem de perturbador? Bom, os alemães inventaram o cinema de terror. Dispu-lo dessa maneira, através do expressionismo alemão. E esse expressionismo alemão foi muito marcado pelo contexto sociocultural da República de Weimar e do início da subida de Hitler ao poder. E, portanto, filmes como "O Doutor Caligari" e "Nosferatu" já anteviam Os horrores que aí vinham. E, portanto, também concentrava-se um bocadinho nesta ideia de que o terror é um bocado aquilo que nós vemos, ou seja, é uma coisa também individual e não coletiva. É coletiva, obviamente, porque há medos que são absolutamente arquétipos. Mas há outras coisas pequenas que são individuais de cada um. E agora já me perdi, já não sei o que estava a falar.

Estavas a falar do cinema alemão e dos três ingredientes obrigatórios de um filme de terror.

A Alemanha tem uma vantagem filosófica. Tens muitos filósofos que discutem sobre esta questão da morte. E nós vamos passar a um filme que, obviamente, está em torno do morto-vivo mais famoso do cinema alemão.

"Nosferatu".

"Nosferatu". Não a versão do Murnau, que já passámos, mas a Werckmeister que passa menos vezes. Tanto a Alemanha como a Inglaterra são países das brumas. O terror é em todo lado, inclusive em Portugal, mas estes países são essenciais na gênese e no nascimento do género.

Estava agora a pensar numa coisa dos inícios do cinema, que aqueles filmes que as pessoas davam saltos na cadeira quando aparecia o homem que apontava a arma às pessoas ou quando vinha o comboio. Não é a saída da fábrica, a não ser que fossem despedidos, aí seria um filme de terror. Aquele primeiríssimo de Portugal ou em França. Agora estava a pensar: esses filmes são assustadores. Não digo o Méliès e a Lua, mas estes da arma apontada e o comboio a vir, as pessoas assustavam-se mesmo nas salas de cinema há mais de 100 anos. É incrível.

Não distinguiam.

Claro, achavam que aquilo era um comboio mesmo que vinha ali. Isso é filme de terror, para todos os efeitos.

Nós temos um filme este ano.

Lembrei-me agora.

Chamado "Fall 2", que é uma sequela de um filme chamado "Fall" e é todo em volta do medo das alturas. Não é obviamente uma opera prima, mas remete para os primórdios do cinema exatamente porque te faz sentir coisas. Pouca coisa me mete medo hoje em dia em filmes de terror, mas como tenho vertigens, este filme fez-me sofrer, fez-me cheirar na cadeira, provocou-me reações incontroláveis. E, portanto, eu acho que o Motel X, ou seja, o cinema de terror, tem um bocado esse lado arcaico, muito presente ainda.

E aliás, uma das ideias deste ano é também recuperar alguns filmes. Nós no ano passado fizemos uma sessão de um filme interativo, em que o público escolhia para onde é que o personagem iria, se para a esquerda, se para a direita, se isto, se aquilo. E este ano vamos continuar e queremos passar alguns filmes com gimmicks. Era uma coisa muito popular nos Estados Unidos no século passado, nomeadamente pela mão do William Castle. E vamos passar um filme em dual vision, que se chama " Wicked, Wicked". Portanto, vamos ver dois ecrãs ao mesmo tempo do mesmo filme, da mesma história.

Lado a lado?

Sim.

Com uns óculos especiais para o efeito, obviamente.

Não dá o eclipse, só para avisar.

Os óculos só chegam depois.

Nem é aqueles de verde e encarnado, para ver em 3D.

E então vamos passar também um filme chamado "Polyester", que vai ser um filme em odorama. Cada pessoa vai receber um cartão e em certos momentos do filme vai raspar e vai sair um cheiro específico.

Há vários no mesmo cartão?

Sim.

Portanto, risco o número um. Raspadinha número um.

Exatamente.

E sai um cheiro. Isso é muito engraçado.

Estamos a trabalhar para conseguir a sessão das cadeiras com choques.

Isso tens que apanhar nos Estados Unidos. Têm imensas. Mas eles usam muito.

É os primórdios do 4D.

Isso é muito curioso, o odorama é cheiríssimo. E há salas já que têm essa coisa, além do vapor d'água, o vento e cheiros. Eu lembro que vi um em Almada que tinha uma sala dessas onde havia uma cena em que um dos maus mergulhava uma das vítimas em ácido e aquelas pergiam o cheiro a lixívia e, de facto, aquilo impactava. É curioso. Agora achas que isso seria arriscado? Muito bem. Uma pergunta para os dois: há um bom e um mau terror?

Sim, o bom terror é o de ficção, o mau terror é a realidade que vivemos hoje em dia.

Olha, é uma boa resposta, João.

Sim, senhora. Gostei.

Para mim, tem a ver um pouco como todos os filmes. Há bons filmes e maus filmes. Para mim é o mais óbvio.

Mas há a questão também do gosto. Como é que vocês lidam com a fronteira do bom e do mau gosto? Eu estou a falar no "Fuck ma son". Vocês vão ter este ano este filme, do Todd Roweld, uma comédia x-rated de mau gosto, obviamente e assumidamente mau gosto. Portanto, o mau gosto também pode ser uma forma de arte? Há limites para aquilo que o Motel X está disposto a mostrar?

Sim, mas eu acho que o mau gosto também pode ser mal feito. E neste caso, estes filmes que nós passamos, como é óbvio, são de extrema qualidade. E no caso do mau gosto, nós vemos alguns filmes que, por exemplo, não nos suscitam grande vontade de estar a selecionar, embora sejam de mau gosto. Portanto, não é o mau gosto pelo mau gosto.

Sim, não é o critério.

Não é uma arte, obviamente, para escolher bons, maus filmes. Este é um clássico, mas o mau filme por excelência, para mim, é o filme pretensioso. É o filme que tenta ser aquilo que não é e que se leva muito a sério.

Estes? Estás a falar destes ou em geral?

Em geral, aqueles que eu não gosto. Nós só passamos filmes que são feitos com muito amor. Nota-se que foram feitos com amor, as coisas podem não ter corrido como as pessoas queriam, mas há ali uma ingenuidade que é louvável. É a arte de fazer cinema. E, portanto, eu acho que isso é inspirador também. Mesmo maus filmes que nós passamos, é um bocado nesse sentido. Obviamente de gozar com eles, mas é de aprender alguma coisa também.

Sim. Uma das coisas mais curiosas no filme de terror é muitas vezes nós sentirmos afinidade com o mau da fita e não com a vítima. E isto acontece muito, não acontece?

Acontece muitas vezes. E eu lembro-me de ter ido ver um filme chamado "Hostel". Fui ver o "Hostel" num dia em que Tinha tido um péssimo dia de trabalho.

Ok.

E convidei um amigo e fomos ver um filme de terror, acho que era às 19h30. E no fim, há uma personagem horrível, um empresário holandês que torturou os rapazes e só há um sobrevivente, que se cruza novamente com esta personagem. E obviamente, toda aquela sala pensou: "Vai, mata-o".

Exato.

"Mata-o." E depois ele matou, de uma forma absolutamente realista e horrível. E no fim nós ficamos a pensar: "Epá, o que me fez desejar isto? Será que é normal eu estar a desejar isto?"

Exato.

E há muitos filmes que fazem isso. Há outra personagem, no "No Country for Old Men", tem uma cena em que ele-

O Bardem

...asfixia um guarda e nós ficamos ali durante cinco minutos a vê-lo, os pés no chão.

A gemer, como asfixiado.

Sim. Eu ali estava a ver um filme do Hitchcock que também era assim, que é uma cena em que o Paul Newman está a tentar matar alguém e demora imenso tempo, não é como nos filmes, eles ficam ali mesmo.

A estrebuchar. Sentem que esta apetência pelos filmes de terror está a crescer? Vocês agora têm 20 anos de história. Sentem que há cada vez mais público, mais gente e mais variedade?

Sim, eu não tenho os dados estatísticos oficiais, mas eu diria que é um pouco por ciclos. Nós estamos agora a viver um ciclo que se calhar poderá ser eventualmente um pouquinho mais longo que os outros ciclos anteriores. Talvez tenha começado durante a pandemia ou pós-pandemia. E os filmes de super-heróis, filmes de terror, aqueles filmes que são mais entretenimento e com mais reações um pouco mais ligadas ao que sentimos, de medo, etc.

Jump scares.

Jump scares. Talvez tenham conseguido uma projeção maior.

Ok.

E também para fazer face a essa quantidade enorme de conteúdos que existem, seja em formato filme, de séries, de webseries, etc. E acabam por, eu penso, talvez prolongar um pouco mais. E depois aconteceu, recentemente, este ano, alguns fenômenos com realizadores que vieram do YouTube. E portanto, isso acaba por criar mais uma camada mediática.

Mas isso muda muito. Se tu praticas num certo formato, se passas para um DVD, se passas para película, é diferente a tua maneira de contar histórias?

Eventualmente, podem aparecer filmes, acho que é normal, com visões totalmente diferentes daquilo que estávamos habituados. Agora, o que eu sinto também é que existe uma apetência, seja pela comunidade em geral, através das redes sociais ou dos amigos, ou o que for, e pelos media, de tentar encontrar tendências, de tentar encontrar casos de sucesso.

Exato.

E a partir do momento em que aparece um ou dois casos de sucesso, e estou a falar, por exemplo, do "Backrooms" e do "Obsession".

"Obsession", por exemplo.

A coisa prolonga-se mais um bocadinho. Portanto, se de repente para o ano vier alguma coisa, alguma novidade, alguma coisa inesperada, se não vier, se calhar vai tudo baixar um pouco em termos de popularidade.

Ia perguntar exatamente estes filmes de terror mais comerciais que tenham visto ultimamente. Tinha aqui logo na primeira fila, claro, o "Obsession" e o "Backrooms". O "Obsession" achei impressionante. "Backrooms", o "Socorro", o "Welcome". Lembram-se mais algum que vos tenha impressionado ou acharam mais do mesmo? Houve nenhum que vocês pensassem: "Este saiu muito da caixa, isto é uma obra muito boa."

Nenhum desses. Eu acho que o último que vi foi o "Sinners", que ganhou os Oscars. Ganhou algum Oscar, não foi?

Ganhou.

E fiquei impressionado. Não é de todo original.

Mas é um belíssimo filme.

Sim, era um grande musical, um grande filme de terror.

Exatamente.

Era muita coisa que eu funcionava.

Exatamente.

E a música achei impressionante.

E ótimos atores.

A escolha das canções, as sequências de dança dos vampiros.

Tens toda a razão.

Achei isso maravilhoso. Infelizmente, estes últimos não vi ainda. Dá para o Natal. Daqui a uma semana vou vê-los.

Mas diz.

O Backrooms, para mim, acho que é uma excelente referência para esta geração e para este momento do terror a nível mundial e acho que traz-nos uma nova visão, traz-nos algumas referências até bastante profundas. É um filme que não é básico, de todo. E fez-me lembrar até alguns momentos de Tarkovsky, não me querendo estar aqui a armar, mas é verdade.

O teu name dropping, mas faz parte. Não, mas é verdade. Os temas estão a mudar um bocadinho ou não?

Não, acho que os temas mantêm-se.

Quando eu pergunto isto, estou sempre a pensar 20 anos para cá. Está lá a vir uma evolução. É que entretanto, desde que vocês começaram em 2007, depois houve pandemias, voltámos às guerras. Há muita coisa a acontecer e aconteceu muita coisa, as pessoas mudaram um bocadinho. Estas tiranias e estes tiranos. Se calhar o terror poderia ir mudando devagarinho ou outras coisas assustarem-nos que não as do costume.

Sim.

Por outro lado, há uma banalização dos crimes, das mortes, das guerras. Isso também é contraproducente.

Isso é outra conversa. Mas acho que tem tudo a ver com os medos, que é uma coisa que nunca há de desaparecer, e eles mudam. E, portanto, aquilo que as pessoas reagem, e mesmo os artistas, digamos assim, é exatamente à reação a esses medos. Eu acho extraordinário que neste momento os filmes de terror voltem a ter sucesso numa altura em que estão duas guerras, uma crise climática, ou três guerras, uma crise climática. A direita toda. O que eu acho mais curioso, por exemplo, nas curtas portuguesas, começas a sentir essa realidade entrar, ou seja, já não há Só a necessidade de fazer um filme de terror, que seja parecido com os americanos, mas através do gênero, poder abordar algum assunto. Seja a gentrificação, seja o problema da habitação, seja a ascensão da extrema direita.

As migrações, as discriminações.

Nas curtas em competição portuguesa, está espalhado por quase todas isso. E há algumas que são diretamente sobre isso.

Refletem um bocado a sociedade e os "terrores" entre aspas, do que a gente está a viver. É a função.

É pra isso que o cinema também serve.

Muito bem. Pedro Souto, João Monteiro, temos que fazer aqui um brevíssimo intervalo e já voltamos à conversa. Até já. Estamos a conversar com o João Monteiro e Pedro Souto. Eles são fundadores, diretores artísticos e programadores do Motel X, Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, cuja 20ª edição arranca já amanhã, dia 3, no Cinema São Jorge, na capital, e que se vai estender até domingo, 8, até dia 13. Nos últimos anos, falámos um bocadinho desta evolução dos temas também. O Motel X tem esta missão de ser, pra mim, este hub de criadores. Vocês reúnem lá, às tantas, não só o público, mas realizadores, produtores, argumentistas e profissionais da indústria, o que é muito bom. É sempre um ponto de encontro pra estes profissionais. O vosso público também tem crescido ao longo dos anos? Ou há anos em que vai estagnando e outros cresce mais? Vocês já estão a passar filmes aos filhos dos que foram à 20ª.

Não quero pensar nisso.

Está bem. Desculpa. Então pronto, netos. Mas é extraordinário isso, eu acho isso ótimo. E com a vivacidade que vos caracteriza. Se estivessem a morrer, a definhar, então eu podia estar preocupado. Agora, assim, não, ainda consegues atrair já os filhos dos filhos.

Não, os filhos dos fundadores já são clientes habituais.

Extraordinário. Ajudam-vos a programar coisas pro Lobo Mau e este genre de coisas?

Já aconteceu.

Já?

Já aconteceu pra Lobo Mau, sim.

Já aconteceu. Inclusive apresentarem.

E pedir bem, pedir as coisas.

Depois chegam a uma idade em que deixam de ajudar e as coisas complicam mais.

Então não comecei. Até graça, tipo, despachá-lo.

Vocês ainda se assustam de ano pra ano? Vocês passam a vida a visionar este genre de filmes. Ainda se assustam a visionar isto ou numa sala de cinema, por exemplo? São coisas diferentes.

Sim, eu tenho tido o privilégio de, se calhar, um ou dois filmes por ano ainda me assustarem, nem que seja em alguns momentos. E, portanto, fico contente.

E tu, João?

Só filmes sobre vertigens.

É os tais que ficas aflito. Mesmo aquela das duas miúdas que estavam no cimo de um poste.

Exatamente esse.

Ok, não vi. Não tive interesse.

Não consigo lembrar da última vez que me assustei no sentido de: "Epa, que medo deste filme". Acho que já não consigo desmontar.

Terror psicológico ou o que fosse.

Eu não consigo ir a escape rooms, porque não consigo desmontar.

Ok.

Entrar naquela lógica do faz de conta. Pra mim, ter medo, é um ator, é um filme, não consigo desligar-me disso. Mas sem ser esses filmes que me fazem mexer na cadeira, acho que já nada, infelizmente.

Estás adormecido. Entre a vossa programação, os vossos critérios de seleção, procuram sempre ter vários gêneros diferentes? Ou isso não é nenhuma preocupação?

Isso, pra nós, eu diria que é o essencial.

Sim, é a base da nossa programação.

Aguardar gente muito diferente.

Desde o primeiro ano que quisemos mostrar o que nós víamos como possível terror.

Ok.

E todos os anos, além disso, temos também algumas sugestões que andam entre gêneros. E que são filmes que gostamos muito também de mostrar e depois de discutir, levar pra discussão pra percebermos quais é que são os limites do terror, etc. E, portanto, isso faz parte dessa busca que se repete todos os anos. É filmes de máximo de nacionalidades possíveis.

E de países estranhos, como este gente tem.

Exatamente.

RDA, RFA, Jugoslávia, Checoslováquia.

Sim, países realmente imaginários.

Exato. Olha, do ano passado pra este ano, o que é que mudou?

Bom, a primeira coisa é que nós temos mais dias este ano.

11 dias.

Exatamente. E, portanto, vai ser um teste de endurance. Dá pra mais filmes, dá pras pessoas, os espectadores poderem ver o máximo e até todos, os que realmente queriam ver.

Há mais gente a concorrer, às curtas e candidatos?

Não, acho que isso está mais ou menos igual. Temos uma secção que começou ano passado e que este ano vai ter um crescimento brutal, chamada Suíte 13, que o ano passado se dedicou ao cinema do Herschell Gordon Lewis, ou seja, geralmente é dentro do chamado cinema trash ou cinema exploitation.

Este ano é acid giallo.

Este ano é o Sergio Martino, que é um dos grandes nomes do cinema e do giallo italiano dos anos 70, e que vem a Portugal e vem apresentar estes filmes e vem fazer uma conversa.

Ok.

Fora isso, vamos ter um concurso de monstros.

É verdade. Vai haver um dia dos monstros, dia 5, não é?

É, dia 5 nós quisemos trazer aqui não só esta parte mais lúdica, mas no fundo é também abrir portas de um modo mais explícito à caracterização, às próteses, à maquiagem.

Como já liga mais aos argumentos. Caracterização é uma coisa que, de facto, o Monster Day é uma boa ideia.

Cada pessoa poderá apresentar o seu monstro. Os monstros são variados, podem ir do zumbi, que é o mais popular neste tipo de eventos, mas a ideia é poderem passar por outros, desde monstros originais, lobisomens, vampiros. Isso será um primeiro ensaio para percebermos também qual é a adesão e o que poderíamos fazer mais nesta área, eventualmente trazendo mais convidados, dando masterclasses, workshops, etc.

Aqui vai haver também um concurso de monstros para os mais novos, que até tem prêmio monetário este ano. São €500. Um júri dedicado vai avaliar o monster design e acaba depois com uma festa de monstros no lounge.

É, em frente ao São Jorge.

Em frente ao São Jorge.

E também temos uma programação especial que acontece fora do Motel X pela primeira vez, na Cinemateca, e vão ser vários dias, que já referiste, relativamente a filmes feitos durante o período da Cortina de Ferro.

É verdade.

E é uma parceria, para nós, essencial, porque é difícil chegar a estes filmes. Nós conseguimos vê-los, mas precisávamos já uma cópia.

Secção Lost in Europe, não é?

Exatamente. Lost in Europe é um seguimento do Quarto Perdido, mas para cinema internacional e de preferência para cinema de países com valores de produção muito parecidos com o nosso.

Cinematografias europeias esquecidas.

Também.

Por que decidiram, de repente, levar este cinema que é, de facto, menos conhecido? Estes cinemas da Cortina de Ferro. Quem é que se lembrou de repente dizer: "Olha, vamos recuperar aqui umas coisas da Jugoslávia e da União Soviética. Já havia este bichinho, já tinham uma coisa duas que queriam mostrar, mas era melhor integrar numa secção nova?

Eu acho que a ideia vem no seguimento do trabalho do Quarto Perdido. Que se tem dedicado a esse tipo de abordagem, mas mesmo no cinema português. Nós sabemos, pela experiência que vamos tendo, de quantidade de filmes que recebemos de certos países, que mesmo hoje em dia, a maior parte dos países, a nível de terror, se calhar, é muito parecido com Portugal, é quase zero. Mas sabemos também que, como foi o caso do Quarto Perdido, que encontrámos tanta coisa que achávamos que não existia, que esses países poderão também acontecer ser o mesmo caso.

No caso do Quarto Perdido, que é esta secção dedicada mais a clássicos, vão sobressalar sobre o Jorge de Sá Caetano.

O Zé.

O Zé. O Zé de Sá Caetano, sim, este que trabalhou com o José Afonso e Costa, o João Gavão Teles e o António Macedo, e que esteve na Cine Anonym também. Como é que estas pérolas são descobertas? Vocês têm alguém, ou vocês é que vão? É uma espécie de arqueologia cinematográfica? Vão investigar na cine: "Vamos ver se cá há filmes antigos".

É um work in progress que começou há 20 anos, mais ou menos, que nós tínhamos uma lista.

E aí tínhamos um olheiro, ou dois.

Tínhamos vários olheiros. Tínhamos o Zé Matos Cruz.

Que se punham a escarafunchar nos arquivos da Cinemateca.

Tínhamos o António Macedo, que era profundo conhecedor do cinema de género português. Ele tinha uma lista que nos passou de cinema fantástico. Nós fomos começando a ver na Cinemateca, fomos compondo. E o Sá Caetano foi aquele filmes que nós vimos, achamos superinteressante, mas tínhamos algumas dificuldades em enquadrá-lo e em programá-lo. E durante muito tempo foi difícil porque os filmes não estavam em condições de ser exibidos. E agora através destes programas a que a Cinemateca teve acesso, foi tudo restaurado.

Boa. Ainda bem.

E agora olhando para estes filmes, até percebemos que eles têm uma ligação entre eles, que são, de facto, uma trilogia fechada, que merece ser vista, estudada. É mais do que a nossa obrigação, festivais de cinema, dar a conhecer estes realizadores, mas no caso do Sá Caetano, nunca foram mostrados os três filmes.

Em conjunto.

E são só três.

Estas Ruínas do Interior, o S Marginal e o Azul Azul.

Exato. E que são filmes extraordinários, que apesar de não se inserirem naquele cinema militante da altura, são filmes que comunicam temas que são ainda mais pertinentes hoje em dia. Novamente a gentrificação, a luta de classes e a crise ambiental. O S Marginal é um filme sobre a poluição e sobre o que nos espera.

Engraçado. E já tem 50 anos.

Exatamente.

É incrível. Este ano também vão ter uma coisa que eu gosto muito, este prêmio Motel X melhor guião de terror português. Em 25, o ano passado, premiaram este do António Xavier Rodrigues, Quem Mata o meu Camarido. E ele está a concorrer outra vez este ano.

Sim. Ele é o mestre dos subtítulos.

Exato, por causa do ano passado, que era os Seis Metros e Meio. É extraordinário.

É A Privação ou As Coisas Ditas dos Joelhos.

A Privação ou Coisas Ditas dos Joelhos, António Xavier Rodrigues. Ele é apenas um dos oito que vocês têm.

Sim.

É um prêmio monetário de 2000 euros. São longas-metragens ainda não produzidas. Quer dizer que o cinema português já perdeu o medo de fazer terror? Acham que sim, sinceramente? Ou isso são ainda amostras isoladas?

Eu acho que não é bem medo, é mais ignorância do que propriamente medo.

Então.

Não há uma cultura, as pessoas de cinema não percebem muito de cinema de gênero, ainda têm algumas ideias um bocadinho antiquadas e portanto nos concursos do ICA é difícil um guião de terror ser avaliado, mas eles existem e portanto o nosso objetivo com os guiões, mais do que dar a conhecer estes autores, que conseguem pensar em cinema de terror português. Não é só cinema de terror, é cinema de terror português, ou seja Base portuguesa localizada em Portugal, com coisas que nós identificamos dentro da, chamemos, nossa cultura.

Exatamente.

Sei que ela não existe. E, portanto, o trabalho agora é puxar pelos produtores, trazê-los e dizer: "Olha, aqueles filmes feitos por miúdos de 20 anos não custaram nada e fizeram imenso dinheiro, estão a ser socialmente relevantes." E não custa muito ouvir estas ideias, falar com estes criadores e pensar numa forma de se pôr as coisas a fazerem, que acho que é o nosso maior desafio, o mais difícil, e é aquilo que a gente pode oferecer dentro da produção cinematográfica em Portugal, estimular o cinema de terror, que é uma coisa que nós tentamos há 20 anos. Agora já posso dizer isto.

Estava agora a pensar nisso, uma coisa que o filme que estavas a dizer que não custou nada. Eu tenho uma ideia, corrijam-me se eu estiver errado, que o cinema de terror não precisa de um orçamento gigantesco pra ser um bom filme de terror.

"Psycho".

O?

O "Psycho".

Sim.

Foi feito do bolso do próprio Hitchcock.

Ah, não sabia. Não quer dizer nada, podia ser multimilionário.

Não, foi muito barato. "A Noite dos Mortos-Vivos".

Só isso não é bem critério.

"A Noite dos Mortos-Vivos" era feito ao fim de semana, com equipamento.

É incrível. É isso que eu acho. Mas isso perdeu-se um bocadinho?

Não, eu não sei os valores, que obviamente aumentaram, mas o "Peck looms" e "Obsession" não parecem ser filmes muito caros.

Não, pois não.

E o "Blair Witch Project", olha, este é o caso.

Exato.

Estes tipos ficaram ricos imediatamente, milionários.

É impressionante. Mas também começou um gênero, praticamente.

Exatamente.

Só isso já vale muito. Agora falaste no "Psycho" e lembrei-me desta exposição do João Telmo. Isto é uma ideia muito gira, esta Hotel Pastis. Isto é uma exposição, o Motel X não vai fazer apenas cinema. Tem essa exposição do João Telmo, da Nova Companhia, que vai reinventar uma exposição com 10 cenas de filmes clássicos de terror. Cá está, o "Shining", o "Psycho". Vai decorrer onde esta exposição?

Este foi uma proposta do João Telmo, precisamente, a Nova Companhia.

É uma ideia ótima.

Surgiu aqui uma ideia que a nós nos parece resultar muito bem, que vai ser nas escadas que vão dar à Sala Rank. A Sala Rank é uma sala que foi recuperada no São Jorge recentemente.

É pequenina, onde o Salazar via os filmes.

Exato, reza a lenda que Salazar via lá alguns filmes.

Pra censurar ou não.

Era aquilo que ele havia de fazer.

Não sei se eram filmes pra adultos ou se eram mesmo só por questões ideológicas. É uma porta no mesmo edifício do São Jorge, mas-

Do lateral?

Do lateral.

Sim, eu estive ali.

E dessas escadas até lá cima, são cerca de quatro andares.

Espera, disseste dessas escadas até lá cima?

Não, a partir de-

Desde o nível da rua?

Sobe-se as escadas, são quatro andares e termina-se na Sala Rank.

Ah, tá bem.

E vai ser nessa escadaria, um pouco também pra levar esse imaginário de hotel, de um edifício.

Porque essa própria sala, eu já estive, aquilo tem 20 ou 30 lugares.

Tem 20 lugares.

É pequenino. Muito bem. O que eu estou a ver mais? Por exemplo, esta secção, a vossa Secção X, dedicada ao terror experimental e underground, tem estes filmes, três realizadores, o "Chronovisor", o "Variations on Violence", com este colaborador, do David Lynch, por exemplo, e este "Sunshine Express", o tal iraniano. Também esta secção é sempre muito experimental e as pessoas aderem muito a esta secção.

Sim. Não, ao início estávamos um pouco com algumas reticências, havia muito preconceito. Nós também tentamos depois explicar, através dos filmes que passávamos, que não é só experimental, digamos, filmes narrativas não lineares, tem a ver um pouco também com coisas mais underground, coisas que se calhar não estávamos à espera de ver ali. E este ano surgiu a ideia, porque realmente encontramos aqui um conjunto de filmes que nos levou a tentar criar aqui um diálogo entre Estados Unidos e Irão.

Ok.

E porque há um até que acaba por juntar os dois, que é o "Chronovisor", em termos de teorias da conspiração, de poder.

É sobre este monge beneditino que fez uma máquina que fotografava o passado e que fala dos escândalos da igreja.

Baseado em factos reais.

Tudo real, isso. Só o fim é que eles inventam um bocadinho, mas é um filme construído como se fosse uma base de uma investigação a partir de elementos reais.

Este "Variations on Violence", também dos Estados Unidos, que fala deste piloto de drones exatamente durante as guerras e é consumido pelo que ele testemunha todos os dias, por esta violência do que consegue fazer. É um soldado norte-americano, por este mal que tem de viver todos os dias.

É. E é um novo tipo de guerra, um novo tipo de participação do ser humano numa guerra, através de um ecrã. E portanto, também é muito interessante pensar sobre isso. E aqui este filme eu acho que faz uma boa reflexão sobre o assunto, especialmente porque tem muitas cenas visualmente impactantes em termos de criar um pouco aquele mundo de um pesadelo mais experimental, mas depois que paralelamente continua com uma narrativa mais tradicional. E que depois acaba por comunicar com o "Sunshine Express", que é um filme que começa com uma série de personagens, são concorrentes a inscreverem-se numa espécie de um reality show, em que ficam fechados numa carruagem de comboio. Esse comboio está a ir pra um local E são simplesmente manipulados, são ordenados um pouco à imagem do que se calhar se vê muito nestes regimes totalitários.

É uma coisa kafkiana.

É muito kafkiano e tem essa coisa interessante. É muito inesperado também, acima de tudo, vindo do Irão, um filme com estas características.

Estava a pensar também que vocês vão ter uma coisa também curiosa, que tem a ver com estes filmes. Fala-se do Nicolau Breyner e destes filmes que ele refez, antigos, que são muito curiosos também, esta sala de culto, nesta secção. "Lost in Translation" é este subtítulo. Tem este kung fu à portuguesa que o Raul Solnado e o Pedro Bandeira Freire adaptaram. A "Teia de Gelo", que é há 14 anos, do Nicolau Breyner, também é uma coisa meio gótica e meio thriller de ação.

É um filme de terror que o Nico deixou. Fez um filme de terror, ninguém sabe isto. Eles já esqueceram.

Mas é este que entra com o Diogo Morgado, a Margarida Marinho, a Paula Lobato undes, é este?

É um cast.

De peso.

E que foi submetido a uma experiência única no cinema mundial.

Por quê?

Porque, ao contrário dos filmes feitos a pensar na exportação, muitos deles são dobrados ou têm meia dúzia de atores que, apesar de não falarem fluente, são dobrados mais tarde. O Nicolau Breyner quis fazer duas versões ao mesmo tempo, ou seja, filmava o primeiro take em português e agora fazemos outra vez em inglês.

Ok.

A passagem de um para o outro faz com que as coisas mudem radicalmente, em alguns casos. Personagens deixam de ser tão...

Naturais.

Não. Se num sítio são passivos, mudam para inglês e tornam-se quase femme fatales.

Então a história é outra, praticamente.

Completamente, porque depois também depende do próprio sotaque de cada ator. E a maior parte, acho que só há um ator no filme, que é uma atriz, a Paula Lobantundes, que é billing. Todos os outros não são. Inclusive o próprio Nico.

E o outro também, do kung fu à portuguesa, também estou curioso.

O kung fu ainda é mais bizarro, esse eu não consigo ainda dizer.

No filme de Taiwan.

Não sei quem é que fez isto, por que se faz isto, como é que se podia fazer isto. Será que hoje em dia eu podia pegar num filme de Taiwan e dizer a alguém: "Faz umas legendas que não tenham nada a ver, distribuo assim."

Podia ir também para o Festival de Cinema Cómico, eu acho.

Sim, exatamente.

Estes completamente.

São os loucos anos 70 da distribuição em Portugal.

Eu sei que já falámos do Lou Mau, neste workshop de monstros, nos Penny Papers que regressam. Estas conversas também vão ter, como sempre, uma grande programação à volta. O Warm Up começou, aliás, decorreu depois em agosto, com o Saccharin, por acaso era um que eu estava muito curioso de ver. É um bocadinho género Substance, não é? Aquele body horror, é um bocadinho isto.

Vem um pouco nessa tendência.

Lançaram quando foi a apresentação do programa.

Nota-se que os meios são um bocadinho mais modestos. O resultado é discutível, mas é interessante porque pega na questão do Ozempic, ou num equivalente. E mistura géneros, no fundo. Foi interessante. O Warm Up este ano, a ideia, visto serem os 20 anos e visto já termos 11 dias de festival, foi um pouco espalhá-lo ao longo de dois meses.

Fizeram muito bem, com este Saccharin, com o cinema ao ar livre, ali nos Jardins de Murais, com o The Guest, por exemplo. A única coisa que eu gostava de vos pedir agora era que escolhessem. Vai haver este ano o Motel x On Tour, por exemplo, foi uma coisa que teve algum sucesso também, ao longo dos anos. Vão continuar a ir a várias cidades e levar parte da programação?

Estamos sempre disponíveis, estamos sempre a enviar também as nossas propostas, o nosso catálogo, entre aspas.

Para poderem ir a vários sítios, como foi ao Pombal.

Sim, incluímos sempre cinema português, é também uma das prioridades, uma das nossas missões.

A minha missão é vocês promovem muito o cinema de terror português. Estes prémios YouTube Micro Curtas acabaram de vez?

Estão dormentes.

Em pousio.

Sim. Estão a fermentar. A ideia seria voltarem de novo em grande. Eu penso que a entrada do YouTube na última edição desse prémio acabou por condicionar um pouco e agora não queríamos baixar. Queríamos manter os prémios monetários, basicamente a isso. Quem quiser apoiar, estamos abertos.

Muito bem, não temos tempo para mais. Pedro Soto, João Monteiro, muito obrigado pela vossa disponibilidade. Em mais uma vez vir aqui à Rádio Observador. Oxalá corra tudo bem neste festival a começar amanhã e está a ganhar terreno no pós-ano. Que seja um sucesso de amanhã até dia 13 de setembro no São Jorge. E para si que nos ouve, já sabe, se o terror não é ainda o seu género, consulte na net a programação em motelx.org. Arrisque-se a experimentar aquele festival onde o terror é o mote. Prepare-se para enfrentar os seus medos. Muito obrigado, Pedro, João. Até breve.

Um abraço.

Obrigado.