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Este é o "E o Venceré" das manhãs, 360 até perto das 9:00. Damos notas aos protagonistas da atualidade e para isso, Luís, esta quinta-feira estão conosco o José Manuel Fernandes e também o Pedro Jorge Castro.
Estamos com casa cheia. E já vamos ao rescaldo do 10 de junho, também ao veto às bandeiras e à prestação social única. Mas primeiro, Paulo, temos notas para uma menina de 12 anos, mas não são propriamente notas da escola.
Não são notas da escola, são notas que são positivas, obviamente, mas que partem de uma situação de risco para ela e para o agente que a atendeu. É o caso que vai sendo conhecido agora. Aliás, penso que ainda está em manchete no Observador neste momento, que conta o caso da menina de 12 anos que ligou para o 112 sentindo-se em risco. Ela viajava no chamado lugar do morto, no carro em família. A mãe dormia no banco de trás com o irmão da menina, bebê ainda, e o condutor era o companheiro, padrasto da menina, e ela sentindo risco de eventualmente vir a ser abusada sexualmente por ele. Aliás, não seria a primeira vez que ela sentia esse risco. Pegou no telefone, ligou para o 112, fingindo estar a ligar para um tio, e a partir daí consegue conduzir o agente, que também teve a inteligência de perceber a situação e ir conduzindo a conversa também para que a pessoa que estava a colocá-la em risco, que estava ali ao lado, não percebesse. Conseguiu conduzir a conversa durante 14 minutos até a polícia, a PSP, ir ter com eles ao encontro do automóvel. Isso passou-se tudo durante a noite. É raro nós conhecermos histórias com este detalhe. É uma história que acaba por ter uma boa saída perante aquilo que podia ter acontecido, tudo devido à inteligência da própria criança, de 12 anos apenas, e também de quem a atendeu, a sensibilidade e o profissionalismo de quem a atendeu do outro lado. E eu acho que estes casos devem ser noticiados, devem ser conhecidos, porque servem de exemplo, seguramente, para muitas outras situações de perigo. Esperemos que ela continue anônima, mas provavelmente ela, ou porque viu casos de ficção ou reais relatados nos mídia, ou porque em casa se conversa sobre estas coisas, ela própria percebeu que ferramentas é que tinha numa situação limite para utilizar e utilizou-as bem. E eu acho que estas coisas devem ser ensinadas e conversadas a crianças, obviamente.
José Manuel.
Bem, eu devo dizer que este caso é bastante impressionante, porque, para todos os efeitos, houve ali duas inteligências que se encontraram. Do lado da rapariga, da miúda, da criança, a perceção de que telefonando, primeiro que conhecia o número, aquele número de emergência.
Exato. Sabia para onde ligar.
Sabia para onde ligar. Até que ponto é que isto, por exemplo, é divulgado nas nossas escolas, que é um dos sítios onde, às vezes, quando o risco é das famílias, não podemos esperar que sejam as famílias a fazer este trabalho.
Cidadania, por exemplo, a disciplina, pode tratar disso.
E depois, quem estava a ouvir do outro lado ter entendido. Houve aqui várias coisas também que foram muito relevantes. Aquilo correu tão bem, digamos assim, que ela conseguiu estar os tais 14 minutos ao telefone, os suficientes para quem estava a receber conseguir localizar a chamada e quando o carro para, imediatamente haver-
Estar lá a polícia.
Estar lá a polícia, não só para socorrer, mas também para confrontar o potencial abusador.
Já agora, a mãe logo em seguida apresentou queixa.
Pois. Portanto, é uma história que deve ser conhecida, porque são pistas. Mostra como é que as coisas podem ser feitas usando instrumentos que para todos os efeitos estão ao alcance de quase toda a gente. Todos os miúdos hoje em dia têm um telemóvel e portanto podem usá-lo, não apenas para fazer scroll nas redes sociais, mas também para situações deste gênero. E eu não sei, do lado de quem está a atender, que tipo de formação existe para orientar conversas destas. Também é relevante. Mas seja lá o que for, este agente penso que se pôs já uma menção de-
Um elogio, pelo menos.
Um elogio, pelo menos. Espero que também do lado dos agentes haja capacidade de divulgar a forma inteligente como tudo isto se passou.
Eu digo também na peça do Observador, o agente é recente na função.
Em um ano.
Em um ano. Não tem uma experiência para além, mas lá está, teve a sensibilidade e o profissionalismo para o fazer.
Costuma-se dizer que a comunicação social só conta histórias más, mas às vezes também há histórias boas que valem a pena.
Às vezes há tanta falta de ideias para decorados no 10 de Junho por aí fora. Aqui está um agente.
Fica uma ideia.
Quanto mais divulgação houver desses casos, mais possibilidade há de outras situações semelhantes terem também um bom desfecho.
Só juntar aqui dois detalhes. Um tem a ver precisamente com a PSP, além de fazer o louvor público, embora não tenha nomeado o agente, o que eu acho que é de assinalar, reconhecer a excelência num caso destes. E tem uma frase, o comissário que falou conosco, a dizer que gostávamos de ficar com esta gente para sempre.
Exato.
Que é outro lado extraordinário.
Porventura, um sinal de que há muita gente a entrar na PSP.
E a sair. Obviamente é uma instituição onde a valorização do mérito está tabelada e, portanto, é necessário outro reconhecimento além desta valorização pública. Chamar a atenção para o detalhe que é a quantidade de chamadas falsas que são feitas para o 112 e que poderiam muito facilmente, por isso é que eu acho que este caso é quase um milagre, dentro daquilo que nós sabemos, muito facilmente poderia quem atendesse o chamado ter achado: "Pronto, isto é mais uma miúda a gozar com isto".
Já aconteceu. Aliás, já foi divulgada uma notícia de um adolescente que fez uma chamada falsa para o 112 a dizer que tinha sido sequestrado, que estavam sequestrados numa sala de aula.
Há milhares, não é? Todos os anos.
É normal. Não sei se algum de vocês na vida fez uma chamada falsa quando era adolescente. Eu fiz.
Para o 112?
Não para o 112. Aliás, na altura não era o 112, era 115. Não era para o 112, mas para outras coisas, para lojas, para coisa assim do gênero. Portanto, é preciso ter noção que isto não é-
Para o telefone fixo, sim.
Era no tempo dos telefones fixos, senão andávamos com telefones atrás.
Mas o ponto é esse. Mostrem aos pais, mostrem esta história em casa aos filhos, que tenham idades similares, para ver se os sensibilizam e se diminui essa praga das chamadas falsas para o 112, que poderiam muito facilmente ter inviabilizado todos estes milagres que aconteceram aqui e que permitiram este desfecho feliz, apesar de tudo. E se não tivesse sido este caso, provavelmente estaríamos perante mais um caso de abusos dentro das famílias.
Exato. Paulo, queres dar nota a quem?
Eu dou um 20. Dou um 20 à perspicácia da criança e do agente e a todo esse sistema que funcionou num país onde nós sabemos que isso é raro.
Eu acompanho o Paulo. É bom. Olha, 20 mais 20 dá 40 graus, é a temperatura que está hoje.
Pedro, não sei se queres dar também uma nota a este caso ou se queres já passar para o balanço do 10 de Junho.
Não posso baixar do 20.
Parece mal.
Vou forçar e dar 21.
Vamos passar então ao 10 de junho. Pedro, ontem foi a estreia de António José Seguro numa cerimônia do 10 de Junho. Foi uma boa estreia?
Teria provavelmente três objetivos, imagino eu: falar do mar, não fazer ondas e depois dizer qualquer coisa que fizesse sentido para os portugueses. As primeiras duas foram atingidas de forma excecional, como disse Marcelo. A terceira, tenho muitas dúvidas da real influência que este discurso tenha na vida dos portugueses. Tenho muitas dúvidas que isso tenha tocado alguém de forma a provocar algum tipo de ação, que deve ser um dos objetivos do discurso de um presidente da República no 10 de Junho, ainda para mais sendo o primeiro. Nós já sabemos, nós elegemos uma pessoa que é um anti Marcelo e, portanto, espera-se isto. Espera-se que seja alguém que não faça ondas. Ninguém vai dizer que os problemas do país estão aí por causa deste discurso. Não lançou uma nova polêmica, um novo escândalo. Mas o facto de ter sido aplaudido por todos os partidos políticos, na verdade, todos ficaram contentes porque tiveram qualquer coisa a que se agarrar, e não vai mudar nada. Isto de fazer discursos é uma arte e para um político é uma das suas principais formas de chegar às pessoas. Isso não é um aparte, uma coisa que se faça ao fim do dia. É de facto um dos principais instrumentos que têm para comunicar com as pessoas. E eu tenho pena que o nível dos discursos seja tão pobrezinho, genericamente. Tratou-se de citar poetas.
É outro hábito, outra tradição nacional.
E eu acho que cada poeta que vai citando, vai perdendo pessoas, na verdade. Não se tira nada ali de absolutamente substantivo, e eu creio que isso é pena, com tantos problemas que o país tem. Claro, ele até falou de várias coisas. Foi tão redondo que deu para falar de várias coisas. Lá foi ao problema dos salários, mas também não apontou nenhum caminho para sair daqui. De facto, têm sido feitas algumas coisas para trazer de volta os jovens que emigraram, mas ele também não vai além disso, deste enunciar de ideias ou de objetivos que devíamos ter. Eu creio que perdeu-se aqui uma oportunidade de ir um pouquinho mais além e de ser um pouquinho mais substantivo para mudar alguma coisa que se veja no rumo do país e para deixar a sua marca no 10 de Junho. As expectativas baixaram ainda mais para aquilo que será o 10 de Junho do próximo ano. Desse ponto de vista, eu vou dar aqui um nove para António José Seguro e para o facto de ter desperdiçado esta oportunidade.
António José Seguro, que mal terminou o discurso, mal saiu dos Açores, já Bruno estava a devolver ao Parlamento o diploma das bandeiras ideológicas.
Estávamos aqui a falar de não levantar ondas, agora aqui se calhar levantou algumas ondas com este veto, mas deixe-me dizer ainda em relação ao discurso, eu acho que todos os presidentes da República, Marcelo talvez não, porque ele gostava muitoE não só de os preferir, mas de os escrever, e por vezes nem seguia exatamente aquilo que tinha escrito e improvisava um pouco. Era um presidente que estava muito à vontade com isso. Mas eu acho que os presidentes, quando se aproximam estas datas, devem começar a transpirar, porque têm quase a certeza que vão fazer o discurso mais redondo, mais previsível e mais inócuo que conseguirem e já não sabem como fazê-lo. Porque há um 10 de Junho ou outra data em que o presidente tem de fazer um discurso, há sempre esta preocupação de, por um lado, agradar a todos, chegar a todos os portugueses, todos se identifiquem, e por outro, esta tendência de martelar nos discursos referências intelectuais que muitos nem partilharão. Percebe-se que são coisas arranjadas à pressa e António José Seguro não sai, de facto, dessa tradição com este discurso, pelo menos.
Mais uma vez, porque todos insistem na tradição de fazer rigorosamente as cerimónias da mesma maneira, com o mesmo modelo estafadíssimo de décadas. Por que não inovam? Por que o presidente tem que falar durante 20 minutos no 10 de Junho? Pode chegar e dizer: "As boas-vindas, bem-vindos todos, estão aqui estas cinco pessoas da sociedade civil que têm coisas para dizer." Têm sido muito mais interessantes, muitas vezes, os discursos dos convidados, sobretudo daqueles que acabam por presidir também à comissão organizadora. O João Miguel Tavares, agora o Miguel Morgado.
A Lídia Jorge.
Alguns até passam logo à condição de presidenciáveis. Veja-se o Sampaio da Nova há uns anos, a Lídia Jorge também. Assim que ela fez o discurso no ano passado, houve logo quem visse nela uma candidata presidencial. Portanto, acabam por ser mais interessantes.
E esses discursos provocaram reações e discussão.
Provavelmente cada um ideologicamente mais marcado, de acordo obviamente com aquilo que é a convicção das pessoas, do que o discurso dos presidentes. Os presidentes só discursam porque querem, eles que inovem, que mudem a forma como se fazem as comemorações. É sempre a mesma coisa. No mínimo, era pôr o discurso que ele tinha, este tal e qual, e pô-lo numa ferramenta qualquer de inteligência artificial e melhora-me este discurso de forma a ser mais chamativo e retira as referências.
São poetas a mais.
O Miguel Morgado acabou com uma referência a Harry Macao.
Às vezes há discursos que têm muito impacto. Por exemplo, o discurso de Sampaio da Nova gerou um candidato presidencial, que foi 2012. Curiosamente inventado por Cavaco Silva, porque foi quem o convidou para fazer esse discurso. Fez a cerimónia. O discurso de João Miguel Tavares em Portalegre foi o mais partilhado de sempre.
Mas o facto de nós nos lembrarmos mais desses discursos do que dos discursos dos presidentes é a medida da pobreza dos discursos dos presidentes. Eu lembro-me do discurso de Marcelo em Portalegre.
Mas o Marcelo fazia discursos curtíssimos e muito breves.
Era mais saudar as boas-vindas.
Agora, de facto, tu tens um ponto. Este modelo é um modelo muito pobre. E ontem ainda tivemos direito a uma passagem de F16 por cima, dois F16 que foram de Vila Real até lá para passarem 15 segundos.
Um dia desses não há militares para fazer a parada, sequer.
Sim, estavam poucos.
Claro, estamos em falta de efetivos.
Foi nos Açores, ainda por cima. É um modelo... Por exemplo, uma coisa que havia, não estou a dizer que se deva voltar a isso, mas havia, apesar de tudo, algum impacto quando havia também condecorações no 10 de Junho. Essas cerimónias desapareceram, as condecorações estão espalhadas pelo ano todo. É que tem um lado positivo, porque aquilo era para ir uma hora.
Eram horas a chamar pessoas.
Mas ao mesmo tempo também fazia com que a condecoração não fosse apenas uma medalha na lapela, porque as pessoas sentiam-se conhecidas, honradas.
Se calhar exagerou-se muito também na quantidade.
Na quantidade, porque houve uma altura que eram dezenas.
E depois andámos a tirá-las a alguns. António José Seguro vai falar das palavras do meio. Se calhar, provavelmente era aquilo que ele quereria que fosse salientado do seu discurso. O problema é que estas palavras do meio também devem ser defendidas com algum brilho. O objetivo dele para este discurso era o menor denominador comum, era não romper consenso, era manter uma coisa muito-
Sim, nesse aspeto, o objetivo foi alcançado.
Sim, mas não deve ser isso. Deve ser algo cativante, deve ser algo que mobilize as pessoas num determinado sentido, ou que deixe as pessoas a pensar de uma determinada forma, ou que nos faça questionar alguma coisa, e nada disso vem daqui. Depois a questão dos mais jovens, se quisermos, é cada vez mais difícil trazê-los para estes temas. Alguém com menos de 30 anos fica parado 10 minutos a ver aquela indireta. Pior ainda, é que não há um excerto de 15 segundos que seja transmissível daqui para o TikTok.
Exatamente.
Não há aqui nada a dizer para adaptar e criar o mínimo de impacto e que prenda alguém.
Apesar de eu ter de dizer o seguinte: vou falar sobre isso melhor no Contracorrente, mas o discurso do Miguel Morgado é muito sumo, digamos assim, mas ele não é um orador. E António José Seguro, curiosamente, leu o discurso bem, em termos de retórica. O problema é, de facto, como vocês estavam a dizer, há pouca coisa para tirar daquele discurso. As palavras do meio talvez fiquem como uma ideia, mas o resto é difícil.
Se alguém se enganasse na Presidência da República e trocasse os ficheiros dos discursos com outros presidentes mesmo, não se notaria praticamente. Um discurso qualquer de Marcelo ou de Cavaco, na mesma altura.
Há ali uma escolha de um poeta, vai-se buscar o poeta local.
Uma coisa ou outra circunstancial que tenha a ver com a atualidade, sei lá, a questão agora geopolítica e da aliança com os Estados Unidos. É um tema que está muito atual, como é evidente, provavelmente há três ou quatro anos não estava e não se falava disso. Mas tirando esses detalhes, que ainda por cima, nestes casos, é preciso descodificá-los e ler nas entrelinhas das entrelinhas, não há nada que distinga discursos de um ano para o outro, de facto. E eu acho que era de rever muito a forma como, já que é o dia do país, da nação, das comunidades, por aí fora
Há tanta coisa que pode ser feita e deve ser feita, mas na era do TikTok mantemos o modelo do telégrafo e portanto a coisa não pode funcionar bem.
Bruno, para concluíres este tema também.
Eu aqui não vou dar nota, mas em relação à questão do discurso, acho que António José Seguro não inova, mantém esta tradição de se dizer pouco dos políticos, dos presidentes da República não aproveitarem estas oportunidades para dizer alguma coisa e se não têm nada para dizer, então simplesmente não deviam dizer.
E em relação ao veto à questão das bandeiras?
Aí há a curiosidade de saber qual é a fundamentação para este veto. É o primeiro veto político de António José Seguro. Ele tinha vetado a perda da nacionalidade, a lei da nacionalidade, com a pena acessória da perda da nacionalidade por uma questão de inconstitucionalidade. Neste caso não será isso, mas António José Seguro indicou que a fundamentação do veto será apenas divulgada após a sua leitura pelo Parlamento. Estamos a falar do diploma que foi aprovado a 17 de abril na Assembleia da República e que proibia a exibição, colocação ou hasteamento em edifícios públicos de bandeiras. A questão aqui é saber se os edifícios públicos devem ou não hastear bandeiras de natureza ideológica, partidária ou associativa, mas o que está verdadeiramente em causa, todos sabemos, e que essa motivação foi essa motivação para este diploma, são as bandeiras arco-íris do movimento LGBT, que em certos momentos são hasteadas em edifícios públicos um pouco por todo o mundo, não é um exclusivo de Portugal. E essa foi a motivação deste diploma aprovado pelo PSD, Chega e CDS. Agora, pode-se ver aqui um efeito positivo geral, mesmo que esta seja a motivação e seja uma motivação particular, que é o de uma certa higienização do espaço público, das instituições, uma certa dignificação das instituições, em que pode haver discordâncias, como é óbvio. Os mais tradicionalistas dirão que essa dignidade institucional deve ser preservada e que os edifícios públicos não devem ser montras de causas particulares, por muito dignas que essas causas sejam. Os mais progressistas vão defender, obviamente, o simbolismo desse hastear de uma bandeira associada a um determinado movimento, a expressão de solidariedade institucional com certas causas que é simbolizada pelo hastear de uma bandeira. Agora, aquilo sobre o qual não há discussão é a legitimidade da Assembleia da República, com esta ou outra composição, para decidir neste sentido, porque não estamos a falar aqui de uma limitação a direitos, liberdades e garantias, nem liberdade de expressão, nem de manifestação ou outra. Estamos a falar de regras de utilização do espaço público e das instituições, dos espaços institucionais. E o presidente decidiu vetar, não alegando qualquer inconstitucionalidade. Portanto, eu tenho muita curiosidade de conhecer a fundamentação política para este veto. Estamos a falar de António José Seguro não querer criar ondas. É verdade que é um assunto quase folclórico, nalgum sentido, mas é nestes assuntos, por vezes, das ditas causas fraturantes, que as pessoas se empenham mais até do ponto de vista político. E é muito curioso agora, ou tenho muita curiosidade em saber qual será a fundamentação política de António José Seguro para ter vetado este diploma. Ainda não se sabe, portanto eu aqui tenho que dar o benefício da dúvida, mas à partida parece-me que António José Seguro aqui está a não ter medo, a não ter receio de provocar ondas num tema que já se sabe, depois vai gerar muita discussão, mas tenho essa curiosidade.
Temos que saber também como é que os partidos vão fazer. Esta lei foi aprovada pelo CDS, pelo PSD e pelo Chega.
E pelo Chega.
Sendo que a proposta do Chega foi chumbada. Isto era uma proposta do CDS que foi alterada.
Do CDS, exatamente.
Portanto, e vamos ver se o PSD mantém a posição.
Se faz alterações.
Faz alterações. A Iniciativa Liberal, que muitas vezes vota em conjunto, desta vez absteve-se.
Absteve-se, exatamente.
Foi a esquerda toda que votou contra. Portanto, é fácil superar o veto do presidente, sobretudo se o PSD se mantiver onde está.
Pois, não é fácil superar, mas também vai ter um significado político.
Claro.
Se não houver nenhuma alteração... Agora temos que perceber também quais são as objeções.
Quais são os argumentos, exatamente.
Exatamente, porque depois isso pode resultar numa alteração ou numa tentativa de alteração da lei, do diploma no Parlamento para acomodar as objeções ou as alterações sugeridas, não sabemos, pelo presidente da República, ou não. O Parlamento pode simplesmente aprovar novamente por maioria e aí não restará alternativa a António José Seguro.
E a tua nota vai para?
Eu vou dar uma nota a António José Seguro, tenho esta curiosidade de saber a fundamentação. Para já vou dar um nove, mas é um nove com benefício da dúvida para o presidente.
Pedro, em 30 segundos consegues-me falar da prestação social única?
Vou tentar. Pois é, já tivemos isto com a reforma laboral, em que houve uma fixação com o tema da amamentação, e agora na prestação social única, eu acho que o governo cai outra vez num erro parecido, que é permitir esta leitura que está hoje na capa do JN, mas que está na proposta também, de que jovens deficientes com cancro, com doenças como Parkinson ou Alzheimer, podem ter que ser chamados para trabalhar como contrapartida de receber a prestação única. Portanto, só deficiências a partir de 80%, incapacidade a partir de 80%, é que estão fora disto. Eu sei que o governo depois responde nesta peça que isto terá de ser visto caso a caso, mas para quê permitir uma coisa destas? Permitir ser visto com uma insensibilidade destas, quando é uma coisa que parece evidente para toda a gente. Aliás, é dito na própria peça que quem precisa de apoio são eles. Quem precisa de apoio de alguém são eles, em vez de serem chamados a ir dar outro apoio. E, portanto, creio que o governo com esta insensibilidade, de facto, dá sinais de amadorismo e vai tingir toda a discussão sobre este tema.
Que vai ser amanhã. Queres dar uma nota?
Posso dar um menos 20, que é o artigo 20, mas vou dar menos 20.
Que é para acabarmos em contrapeso com o início do programa. E o Vencer é que está de regresso mais logo na tarde política.
Uma versão alargada que começa a seguir. Ao jornal das 18h, esta quinta-feira dão notas a Judite França, Nuno Graçal Poças e o Anselmo Crespo.