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Ideias Feitas na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.
Olá, Ricardo.
E hoje queres falar sobre o apelo de artistas ao fim dos combustíveis fósseis até 2030.
É verdade, é um apelo desesperado. Eu li a notícia no Observador: mais de uma centena de artistas e profissionais de todas as áreas da cultura assinaram duas cartas em apoio aos estudantes que protestam contra os combustíveis fósseis, e apelando à ação coletiva pelo fim dos combustíveis fósseis até 2030, informou esta quinta-feira o Climáximo. Por acaso costumo dizer A Climáximo, mas é assim que está a notícia, estou a citar. A Climáximo ou o Climáximo é aquela associação liderada pelo genro do pastor Abraão, que costuma cometer atos de vandalismo, alegadamente em prol do clima, pelo menos é o que eles dizem, e que misteriosamente ainda não foi legalizada. Pelos vistos, pode-se fazer aquelas coisas que a Climáximo costuma fazer. Quanto aos 100 artistas e profissionais da cultura que assinam as cartas em questão, eu já sei que tu vais rir, Ricardo, mas infelizmente não conheço a maioria, com certeza por estar demasiado distante do mundo cultural e artístico. Quando muito, reconheço os nomes da Lena d'Água, que é cancionetista, do Rui Chaves, que é escultor, e há o André Carrilho, que é desenhador. Dos outros, sinceramente, nunca ouvi falar, mas devem ser excelentes e isso também não é importante. Importante é que esta centena de pessoas se acha importante a ponto de fazer exigências sobre um assunto que eu, em princípio, julgaria que eles não dominam, mas pelos vistos dominam. Eu nunca percebi, francamente, porque é que o facto de se ser cantor, ou ator, ou pintor, ou poeta, ou qualquer coisa assim, confere a alguém um talento particular para saber o que é melhor para a humanidade, e para o planeta, e para o sistema solar, e o universo, e por aí fora. A verdade é que isto não é uma característica exclusivamente portuguesa, não é uma coisinha pitoresca portuguesa, noutros países passa-se o mesmo. Eles julgam que sim, eles julgam que sabem mais que o comum mortal e que por isso estão habilitados a dar palpites acerca dos destinos do mundo. É esquisito, mas é assim. Agora, o outro ponto que eu queria falar prende-se com a coerência, porque sendo artistas e profissionais da cultura, imagino que estas pessoas viajem, ou que pelo menos a maioria delas viaje, quer dentro do país, quer para o estrangeiro, quer no quotidiano. E como não imagino que sequer uma destas pessoas utilize transportes alimentados a combustíveis fósseis, o que depois de assinar estes manifestos seria um descaramento monumental, eu gostava genuinamente de saber como é que elas fazem. Se vão de bicicleta para o Algarve ou a pé, se vão de coche puxado a cavalos para o resto da Europa, se quando querem ir às Américas, caso isso aconteça, se vão de veleiro. Francamente, não sei. E gostava de saber, também francamente. Isto no que diz respeito aos transportes, porque eu também gostava de saber, e também francamente, se os 100 artistas e personalidades da cultura abdicam de usar as incontáveis traquitanas cuja produção e funcionamento dependem em larga medida, ainda hoje e pelas próximas décadas, com certeza, senão mais, dependem ainda dos combustíveis fósseis, desde o aquecimento aos cosméticos e passando por quase tudo que é feito de aço e de plástico. E já agora, boa parte da produção de eletricidade também depende dos combustíveis fósseis. Eu não sei se esta gente está preparada ou se já está a viver às escuras, se está preparada ou se já está exposta ao frio, se já está preparada para largar ou se já largou os computadores e os telemóveis e toda uma série de geringonças que usamos ou que a maioria das pessoas, os tais mortais comuns, usam no dia a dia. São dúvidas que, mais uma vez insisto, sinceramente tenho. Já estes 100 artistas e personalidades da cultura não parecem ter dúvidas nenhumas. Eles querem acabar com os combustíveis fósseis até 2030 ou antes, se possível. Ou seja, no máximo temos quatro anos e tal para gozar os benefícios que nos foram concedidos, de que desfrutamos graças a séculos de avanço tecnológico e que se espalhou com consequências históricas e sociais. E depois disso veremos que tipo de vida nos resta. Eu espero, mais uma vez, sinceramente, que os artistas e as personalidades da cultura nos deem umas luzes. Terá que ser, com certeza, à luz de velas ou outra, ou alimentada a energia solar, por exemplo, que também é muito útil, que tem dado muito jeito. O engraçado, e só mesmo para terminar, Ricardo, é que o lema desta história toda é: o nosso futuro não está à venda. Pois não está, porque se o futuro for aquilo que esta gente quer, se o futuro se reduzir a isso, não estou a imaginar que haja alguém que o queira comprar.
Alberto Gonçalves, que vai de bicicleta para o fim de semana. Um abraço, Alberto. Bom fim de semana.
Grande abraço. Até segunda. Bom fim de semana, Ricardo.
O Ideias Feitas conta com o apoio do Azeite de Alisman. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a tarde política da Rádio Observador. Convém não esquecer que logo há taça, há um derby em Lisboa. Atlético-Benfica. A Taça de Portugal serve de palco para um derby histórico que não se realiza há mais de 40 anos. Esta sexta-feira, a partir das 8 da noite, emissão especial com relato em direto do Atlético-Benfica. A Taça de Portugal joga-se na Rádio Observador. Boa tarde, boa viagem e bom fim de semana.
Na Rádio Observador, pontuamos o desporto todos os dias.
Vou dar 20 ao nosso Gabriel Alves. Vou dar um 20 ao João Almeida.
Por ser este dia, hoje vou dar de nota 20 ao meu pai. "E o Campeão É?", de segunda a sexta-feira, às 13h10. Sábados e domingos, às 11h35. O que quero é futebol, o resto é conversa. E sempre em podcast.
Este programa tem o apoio de Betclic. Desafie as odds.
Começa mais uma jornada da Liga Portugal Betclic. Aqui não há meio-termo. As equipas não jogam bem nem mal, antes pelo contrário. São remates rasteiros, a meia altura, por cima da barra. Estádios bonitos, modernos, arejados. Fica na retina o cheiro de bom futebol. Liga Portugal Betclic, em nome do futebol.
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Avó, posso servir? Fiz o bacalhau com todos, como me ensinaste.
Não, o bacalhau com todos não é assim.
Não? O que é que falta? Está o bacalhau, os legumes.
Desculpem o atraso, família. Onde é que eu me sento?
Agora sim, é bacalhau com todos. Pode servir.
Estudos dizem que cada vez comemos menos uns com os outros. Se a vida passa a comer, que passe a ser mais como no Natal, à mesa com todos. Continente é de toda a gente.
Rádio Observador, são 06h10.