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É uma hora. As notícias com João Costa Campos.
Boa noite e bom Natal! Começamos pelo habitual discurso de Natal do primeiro-ministro. Luís Montenegro pede aos portugueses uma mentalidade à Cristiano Ronaldo e aposta num ciclo político sem eleições. Na mensagem de Natal transmitida pela RTP, o primeiro-ministro não esconde as medalhas do reconhecimento internacional, como o da revista "The Economist", e pede ambição ao país. Miguel Vítor Dias.
Luís Montenegro aposta na estabilidade política e pede ao país que contribua para um ciclo mais alargado, sem eleições no horizonte.
Não temos de estar todos de acordo, mas temos de compreender que não é a nossa posição individual o mais importante. O mais importante é o interesse do país, que se reflete depois no interesse de cada cidadão. Agora que vamos ter cerca de três anos e meio sem eleições nacionais, é a altura de todos nos focarmos em cumprir a nossa responsabilidade e fazer tudo para garantir a Portugal e a cada português um futuro mais próspero.
E, por isso, o primeiro-ministro coloca a fasquia elevada e, repetindo a mensagem de que Portugal tem que sonhar alto, encontra um exemplo.
A mentalidade de não deixarmos para amanhã o que podemos fazer hoje, a mentalidade de não só fazermos diferente, mas de fazermos a diferença, a mentalidade de trabalharmos e desenvolvermos o nosso talento. A mentalidade Cristiano Ronaldo. Os portugueses têm talento.
Com um ano exigente pela frente no que toca à economia, Luís Montenegro puxa dos galões das distinções internacionais.
Portugal é hoje uma referência a nível europeu e mundial. Os rendimentos dos portugueses estão a subir e a nossa economia a crescer consistentemente acima da média europeia. Ano passado, fomos mesmo o país da OCDE em que os trabalhadores mais viram crescer o seu rendimento. Isto mostra que a distinção que recebemos da revista "The Economist", de sermos a economia do ano em 2025, não é um prémio teórico. A solidez económica que estamos a construir assenta no modelo de salários mais altos e impostos mais baixos.
E não deixa de frisar a importância de uma mudança no código laboral.
Precisamos de ser mais eficientes e mais produtivos para atingirmos novos patamares de crescimento que tragam também novos patamares de rendimento e novas ambições salariais, como resultado de uma agenda transformadora que, com a sua visão estratégica e estruturante, nos permitirá sermos mais produtivos e eficientes.
O chefe do Governo, na mensagem de Natal, a vincar a intenção de avançar com reformas no país.
Miguel Vítor Dias com os destaques da mensagem de Natal do primeiro-ministro Luís Montenegro. E são várias as reações ao discurso de Natal do primeiro-ministro, da esquerda à direita. O vice-presidente do PSD, Carlos Coelho, aplaude a mensagem do primeiro-ministro, diz que é sinal de que Luís Montenegro está focado no futuro.
Uma declaração com sensibilidade social e com otimismo e esperança no futuro. O primeiro-ministro não se esqueceu daqueles que estão em situação de maior fragilidade, designadamente os mais idosos, aqueles que vivem em situações de pobreza ou que têm problemas de saúde, e mesmo aqueles que sofrem a violência doméstica, que é um problema real que temos em Portugal. Também não se esqueceu daqueles que estão confrontados com cenários de guerra em África, no Médio Oriente e na Ucrânia. Mas, sobretudo, foi uma mensagem de confiança no futuro, uma confiança alicerçada nos dados que nós temos de 2025.
Já no CDS, a vice-presidente dos centristas, Catarina Araújo, diz que é uma mensagem de compromisso do Governo em melhorar a vida dos portugueses.
Esta é uma mensagem que, acima de tudo, nos fala e olha para o futuro. Uma mensagem de esperança, de confiança e determinação. Uma mensagem de um governo que quer continuar a trabalhar para continuar a transformar o país, a melhorar de forma concreta a vida das pessoas.
Já do lado do Partido Socialista vêm críticas ao primeiro-ministro. Em nome do Partido Socialista, Inês de Medeiros diz que o primeiro-ministro não foi eleito para fazer discursos motivacionais, mas sim para falar da realidade dos portugueses.
O senhor primeiro-ministro agora decidiu ser uma espécie de mentor de autoajuda com discursos motivacionais. Ora, não foi para isso que ele foi eleito. Não basta proclamar grandes chavões de motivação, importa saber criar riqueza, importa saber decidir e, sobretudo, importa ser claro naquilo que se pretende para esta família portuguesa que é o nosso país.
Já a líder da Iniciativa Liberal concorda com a visão de mentalidade de Luís Montenegro e diz que Portugal precisa de parar de ser um país de mínimos para passar a ser um país de máximos. No entanto, Mariana Leitão acompanha as críticas do Partido Socialista, diz que o primeiro-ministro não conhece a realidade do país.
Este país das maravilhas que Luís Montenegro nos tenta vender são palavras que estão muito distantes de uma realidade à qual os portugueses, infelizmente, têm de viver dia após dia, ano após ano. Precisamos deixar de ser um país de mínimos para passarmos a ser um país de máximos.
Já o Livre aproveita para voltar a criticar o pacote laboral do Governo. Paulo Muacho, deputado do Livre, diz ainda que o primeiro-ministro não vive no país real.
O senhor primeiro-ministro parece que vive num país diferente daquele que os portugueses vivem todos os dias. O senhor primeiro-ministro também quer recusar a mentalidade do deixar andar, o que é uma boa ideia, mas também temos de recusar a mentalidade do andar para trás, porque aquilo que o Governo quer fazer com o pacote laboral que apresentou, e que desta mensagem também transparece que quer insistir nesse pacote laboral, é voltar atrás, é nós termos uma política laboral e de direitos dos trabalhadores que está presa no século XX.
O PCP também reage. Margarida Botelho não concorda com a falta de mentalidade, é o que diz, descrita por Luís Montenegro.
Acho que o Sr. Primeiro-Ministro pode achar que é um problema de mentalidade, mas é um problema de realidade. As pessoas não têm falta de mentalidade, têm falta de dinheiro para chegar ao fim do mês. Não têm falta de vontade de arranjar uma casa, têm é falta de salário que a possa pagar e de casas a preços justos. Não têm falta de mentalidade para ter médico de família, precisam é de ter médico de família. Portanto, eu diria que quem vive em Portugal, quem trabalha em Portugal, que os portugueses têm até uma mentalidade bastante resistente.
Já o coordenador do Bloco de Esquerda critica a mensagem de Natal do Primeiro-Ministro, José Manuel Pureza, espera que o Governo desista do pacote laboral e diz que Luís Montenegro fala para um país que não existe.
Não fez uma mensagem sobre o país que existe, ou seja, ele, na verdade, quis centrar a sua mensagem sobre o trabalho, mas esqueceu-se de uma pequena coisinha, que foi de falar daquilo que quer fazer às pessoas que trabalham através do pacote laboral. Aliás, uma mensagem centrada sobre o trabalho que não fala do pacote laboral mostra a fraqueza do pacote laboral. E por isso nós temos hoje uma boa notícia no ano 2025, foi a melhor notícia do ano de 2025, que foi a mobilização de tanta gente contra esta tentativa de agressão ao mundo do trabalho e esperamos que a melhor notícia de 2026 ou do início de 2026 seja a desistência por parte do Governo desta proposta.
Quanto à líder do PAN, Inês de Sousa Real, acusa o primeiro-ministro de estar desfasado da realidade, diz que o treinador tem de estar dentro do campo e não fora dele.
Falar em reformas e não colocar em cima da mesa aquilo que é não só a sua perspetiva ou responsabilidade de parte do Estado, é de facto estar a colocar apenas o ônus nas pessoas e não ter a consciência de que o treinador tem que estar presente em campo e não fora de jogo. E por isso mesmo Luís Montenegro pinta-nos aqui um retrato, em termos de discurso, que é um retrato completamente, mais uma vez, desfasado da realidade do país.
Algumas das reações partidárias à mensagem de Natal do primeiro-ministro Luís Montenegro. Os Estados Unidos lançaram esta noite um ataque aéreo contra o Estado Islâmico na Nigéria, uma informação avançada pelo próprio presidente dos Estados Unidos na rede social X. Donald Trump fala num golpe poderoso e mortal contra o Estado Islâmico na Nigéria, células do Estado Islâmico do país, que acusa de massacrar cristãos na Nigéria. A operação, que teve colaboração das Forças Armadas nigerianas, matou vários terroristas do Daesh. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia recomendou hoje aos cidadãos russos que evitem viajar para a Alemanha. A porta-voz do ministério russo disse que a recomendação se deve ao que Moscovo considera ser a violação constante dos direitos dos russos em território alemão. A tensão entre os dois países aumentou depois de Berlim ter convocado o embaixador russo por causa de um ciberataque e de uma campanha de desinformação atribuídos a Moscovo. Há duas semanas, o chanceler alemão Friedrich Merz comparou a ambição de Vladimir Putin à de Adolf Hitler antes da Segunda Guerra Mundial. E a fechar, vamos ainda ao desporto. José Mourinho admite que Bruno Fernandes é insubstituível no Manchester United e lamenta a ausência do capitão durante o próximo mês. Bruno Fernandes saiu lesionado no jogo com o Aston Villa, sofreu uma lesão na coxa direita e pode ficar fora dos relvados cerca de quatro semanas. O treinador dos Red Devils explicou em conferência de imprensa que já disse ao plantel que é impossível substituir o internacional português. Mourinho sublinhou que o médio não é apenas fundamental na criação de oportunidades, mas também decisivo nas bolas paradas. Na antevisão do jogo com o Newcastle, da 18ª jornada da Premier League, o técnico pediu ao restante plantel o máximo empenho em Old Trafford.