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Edição das 10 com Miguel Cordeiro. Enterrar a rede elétrica nacional pode custar o equivalente a construir dois aeroportos de Lisboa.

Dois novos aeroportos, cerca de 20 mil milhões de euros. Esta conta é apresentada hoje pelo Jornal de Notícias, que ouviu vários engenheiros. Portugal tem cerca de 250 mil km de rede elétrica. Estamos a falar da rede muito alta, alta, média e baixa tensão e que é gerida pela REN e pela E-Redes. Atualmente, 21% desta rede está debaixo de terra. O JN, hoje, Ricardo Lopes, tentou perceber quanto custaria enterrar toda a rede elétrica de Portugal.

Numa conta feita por baixo, surge o número redondo €20 mil milhões, o equivalente ao custo de dois novos aeroportos de Lisboa. O JN escutou vários especialistas, entre eles Luís Mira Amaral, o ex-ministro da Energia, explica que há um custo de €100 mil milhões por quilômetro para enterrar as linhas de média tensão. Um valor mais alto se for para muito alta tensão. Contas feitas, seriam necessários, no mínimo, 19,4 mil milhões de euros. O valor também está 50 vezes acima do investimento total da E-Redes entre 2012 e 2021, que rondou os €348 milhões, de acordo com os indicadores financeiros da empresa. Nesse sentido, explica Luís Mira Amaral que não faz sentido enterrar toda a rede elétrica em Portugal. Poderá fazer sentido, sim, na rede de média tensão, enterrar seletivamente algumas linhas que abasteçam ou que alimentem sítios críticos. O ex-ministro diz que isso pode fazer sentido junto às grandes cidades ou infraestruturas que não podem passar sem energia elétrica.

Portanto, neste caso, conta feita, cerca de €100 mil por quilômetro para enterrar as linhas de média tensão e a conta total para enterrar o que falta, cerca de €20 mil milhões. O JN, Ricardo, escutou também António Vidigal, o antigo diretor da EDP, que considera positivo o estudo sobre este assunto pedido pelo governo.

António Vidigal diz que é preciso identificar os locais onde o investimento tem mais vantagens. O ex-diretor da EDP aponta um caminho, numa primeira hipótese, reforçava e redesenhava a rede aérea para ventos mais fortes e, no futuro, sim, apostar numa rede de média tensão enterrada.

A Ministra do Ambiente e Energia, entretanto, pediu um estudo para saber os custos desta eventual solução.

A manutenção da residência oficial nas Caldas da Rainha vai ter custos acrescidos para a presidência de António José Seguro, Miguel.

Por causa da segurança, essencialmente, o Jornal Público apresenta hoje esta conta. Doze efetivos da PSP, encarregados da missão de garantir a segurança de Seguro, vão ter de se deslocar diariamente em dois veículos entre Belém e a cidade do distrito de Leiria. São 94 km. Com isto, entre gasóleo, o custo das portagens e manutenção dos veículos que diariamente vão para as Caldas da Rainha, as despesas com a segurança dos chefes de Estado aumentam. Uma eventual solução pode passar por destacar para a cidade do distrito de Leiria uma equipa do Corpo de Segurança Pessoal, que está atualmente sediada em Belas. Além da segurança pessoal, o novo presidente da República vai também ter direito à segurança estática à porta do prédio em que vive, o que implica, pelo menos, seis agentes por dia.

E Marcelo Rebelo de Sousa falou sobre o presidente eleito e diz que vê em António José Seguro um presidente com um perfil de proximidade.

Em Espanha, na última visita que faz enquanto chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa lembra que tem sido considerado o presidente dos afetos e vê semelhanças na forma como António José Seguro se tem apresentado.

Quando eu, em vários momentos, tive de enfrentar os incêndios, agora as cheias, antes problemas críticos durante a pandemia, provavelmente disseram: "Olha, é o presidente da proximidade". Quando o presidente Seguro esteve agora no terreno, eu vi um exemplo de presidente da proximidade.

Sobre a forma como vai ser lembrado depois de deixar o cargo de presidente da República, diz Marcelo Rebelo de Sousa que os portugueses vão decidir.

O Partido Socialista diz que esperava mais do anúncio do governo sobre o PTRR, Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência.

José Luís Carneiro considera que Luís Montenegro apresentou apenas um plano de intenções. O PS diz que é poucochinho. José Luís Carneiro considera que ficaram por anunciar medidas concretas.

Trata-se de um plano de intenções, quando, do meu ponto de vista, o governo, todos os seus meios, todos os seus recursos, deviam estar concentrados num plano de ação e de resposta às comunidades locais, porque ainda há municípios que estão a reclamar a sua integração na declaração de contingência. Eu vou dar este número. As estradas de Portugal têm mais de €400 milhões para investir em infraestruturas que não podem aplicar nos municípios que não estão na declaração de calamidade, quando muitos desses municípios têm as suas infraestruturas rodoviárias praticamente destruídas.

Reação de José Luís Carneiro ontem à noite no Porto. Na oposição, também quase todos apontam para a falta de medidas concretas na apresentação deste plano.

Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel, falou também sobre este plano e elogiou a estratégia do governo.

Fala numa boa iniciativa e considera prudente que o governo não tenha apresentado um valor em concreto. No anúncio das linhas orientadoras do PTRR, Luís Montenegro não apresentou nem medidas, nem valor. Há uma data para este plano entrar em ação, final de abril, um plano com horizonte de execução de longo prazo. Até 2034, tem uma fase intermédia, de médio prazo, e uma já de curto prazo, centrada na recuperação de famílias e empresas.

Na Rádio Observador, vamos escutar ao longo desta manhã diferentes reações a este plano do governo para transformar e recuperar as zonas mais afetadas pelas tempestades.

Recebemos agora Armindo Monteiro, presidente da CIPA, Confederação Empresarial de Portugal. Armindo, muito bom dia. Que leitura faz do que foi anunciado pelo governo ontem à tarde?

Uma leitura muito positiva e também uma crítica. E começo pela leitura positiva, que é o fato de se colocar na agenda essa necessidade de ter um plano. Isso parece um pouco superficial, mas eu gosto que o nosso país tenha planos, desígnios, propósitos, objetivos, calendarizações, definição dos objetivos e métricas para avaliar esses objetivos e, por isso, a ideia de um plano é algo que nós, em Portugal, precisamos a vários níveis. E dada a calamidade que aconteceu, esse planeamento exige essa planificação. Esse é o ponto que considero positivo. O ponto, porventura negativo, mas que ainda tem remédio, é que é preciso que ele seja construído, elaborado, detalhado, com todas essas características que acabei de referir, que me parecem absolutamente necessárias. Isso ainda não tem, mas compete a todos. E ontem o senhor primeiro-ministro lançou esse desafio e esse convite. Compete a todos que se unam num objetivo concreto e comum, porque eu estou a ver já esse plano começar a entrar dentro do debate político-partidário e Portugal merece uma oportunidade. A região de Leiria, da Figueira, da Marinha Grande até Coimbra merece uma oportunidade. É uma região que exige a solidariedade de todos e não transformar-se agora num palco para o debate político-partidário.

Mas Armindo, o fato deste plano não ter um envelope financeiro já definido não é um problema ou acha que isso acaba por ser algo positivo, por não haver um valor a atingir?

O fato de ainda não estar definido o propósito, os objetivos, as métricas, também não é possível dizer quanto custa. Nós precisamos de ter essas dimensões todas arrumadas para depois percebermos quanto custa. E temos que ter bem a noção das prioridades, porque muitas vezes queremos fazer tudo ao mesmo tempo. Nós somos um país com recursos escassos e necessidades abundantes. E para um país com essas características, é próprio de uma família ou é próprio de uma empresa, nós temos que ser muito espartanos e muito criteriosos na aplicação dos dinheiros, na definição dos investimentos. Se nós não fizermos isso, se quisermos fazer tudo ao mesmo tempo, nós não vamos fazer nada, porque tudo é prioritário e não vamos conseguir fazer. Por isso, a definição do valor é importante desde que haja um plano, desde que haja uma definição, desde que haja um detalhe. E por isso insisto no ponto. Isto devia mobilizar os portugueses, não deveria dividi-los, não deveria transformar-se num jogo político-partidário. Estamos numa catástrofe como estivemos com a Covid e tivemos um país mobilizado e tivemos portugueses mobilizados. É importante que agora também o façamos e resistamos a esta tentação de sempre transformar isto em chicana política. Portugal não merece isso.

Armindo Monteiro, presidente da Confederação Empresarial de Portugal, muito obrigado por ter estado conosco neste jornal das 10h, a analisar esse PTRR ontem anunciado por Luís Montenegro.

São agora 10h10. Já a seguir, máquinas que pensam. Antes, Miguel, que outras notícias estão em destaque?

Cinco pessoas ficaram feridas na sequência de um atropelamento e fuga no Chiado, em Lisboa, esta noite. Isso foi confirmado à Rádio Observador pelo Regimento dos Bombeiros Sapadores de Lisboa e pelo Comando Metropolitano de Lisboa da PSP. Quatro mulheres e um homem ficaram feridos. Há dois em estado grave que foram transportados para o Hospital de Santa Maria. Está em andamento a jornada 23 do campeonato. Hoje há cinco jogos na agenda. Benfica e Sporting jogam à mesma hora, às 18h, os Leões em Moreira de Cónegos, frente ao Moreirense, o Benfica no Estádio da Luz, frente ao Aves. Hoje, na Primeira Liga, jogam também o Alverca com o Santa Clara, a partir das 15h30. À mesma hora arranca o Arouca Nacional e depois, à noite, às 20h30, há dérbi minhoto entre Sporting Braga e Vitória. Para fechar, festivais não é só no verão. Arranca hoje a 13ª edição do Festival Play, o Festival Internacional de Cinema Infantil e Juvenil em Lisboa. Há sessões de cinema para todas as idades, inclusive para bebês. E olha que os bebês não pagam. Sabes por quê, João?

Diz lá.

Porque pagam os pais.

Excelente conclusão. Muito bem, Miguel. Diz-me quais são os destaques.

Na verdade, vamos clarificar. Para os bebês que estão ao colo, os bebês mais pequenininhos, os bilhetes são gratuitos, mas há uma tabela de preços que pode ser consultada no site do festival. As sessões variam entre os €2 e os €8. Para além das exibições no grande ecrã para todas as idades, há também um cineconcerto. Há muitos filmes para ver ao longo dos próximos dias. Este festival vai até ao próximo dia 1 de março e começa hoje. Aproveitar e consultar a programação no site.

As guerreiras do K-pop não vão estar lá.

Não sei.

As crianças gostam. Agora são muito fãs daquela música Golden, anda por todo lado. Já não a posso ouvir.

Não estou a par.

Fica aqui esta sugestão para os pais levarem os filhos a este festival de cinema, Festival Play, que arranca hoje e termina no dia 1 de março.