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Começa agora o Jornal das Duas, edição do jornalista Miguel Cordeiro. Miguel, no final do ano, o Bloco de Esquerda vai realizar uma conferência nacional para redefinir as estratégias do partido.

Este anúncio foi feito por Mariana Mortágua ao final desta manhã, em conferência de imprensa. A líder do Bloco de Esquerda revela o essencial da reunião de ontem da Mesa Nacional do partido, reconhece os maus resultados das eleições europeias e sublinha que, nesta altura, o principal objetivo da partido é reverter a viragem à direita em Portugal. Avança, para já, uma conferência nacional no último trimestre com o objetivo de redefinir estratégias.

Um primeiro passo nesse processo é uma conferência nacional, que a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda convoca para o último trimestre de 2024. Nesta conferência nacional, de participação aberta a todos os militantes, pretendemos um debate muito alargado sobre o papel do Bloco de Esquerda no presente ciclo político, nacional e internacional.

Mariana Mortágua mostra-se disponível para dialogar e para firmar o papel da esquerda fora e dentro de Portugal. A pensar no futuro, abre portas para eventuais alianças nas próximas eleições autárquicas.

Queremos que essa conferência sirva também para fazer um debate sobre as responsabilidades da esquerda perante um ciclo autárquico que se abre agora. E, em particular, para discutir a política de alianças do Bloco de Esquerda nas eleições autárquicas. O que propomos ao Bloco, o que propomos aos seus dirigentes locais, aos nossos militantes, é que debatam as possibilidades, as condições para convergências à esquerda que se possam traduzir em projetos verdadeiramente transformadores no território.

Mariana Mortágua, na sede do Bloco de Esquerda esta manhã em Lisboa, foi também questionada sobre uma possível aliança com o Livre. Diz que há espaço para dialogar com o partido.

E esta manhã, na Rádio Observador, escutámos Carlos Matias, ex-deputado do Bloco de Esquerda, que pediu precisamente uma convenção nacional do partido.

Mas não só. Carlos Matias pede também que se repense a liderança. Os opositores de Mariana Mortágua criticam o mau resultado nas eleições europeias, num projeto de resolução que foi divulgado à comunicação social esta noite. Entre os assinantes está Carlos Matias, ex-deputado. Defende, esta manhã, em declarações à Rádio Observador, que é preciso uma renovação do partido e também dos rostos que lideram o Bloco.

Para além de retomar a matriz original, há rostos que há muito tempo estão à frente do Bloco e, portanto, é preciso uma renovação também dos rostos. Enfim, não quero neste momento entrar, nem é oportuno, nem vem a propósito, discutir se é A, se é B ou se é C, mas que tem que haver, com certeza, uma renovação também dos rostos, tem que haver a renovação do partido.

O ex-deputado considera que os maus resultados do Bloco de Esquerda são também uma consequência da geringonça. Aliás, Carlos Matias vê o Bloco demasiado dependente do Partido Socialista.

E o Livre pede reuniões ao PS, Bloco de Esquerda, PCP e PAN para discutir desafios políticos.

É um pedido que surge no seguimento das eleições europeias e já a pensar nas autárquicas do próximo ano. O Livre defende que é imprescindível que o diálogo entre as forças progressistas e de esquerda aconteça numa altura de grandes desafios para a democracia nacional e europeia, o que pode ser lido nessa mensagem do Livre. O partido liderado por Rui Tavares diz também que, se este pedido for aceito, vão sair das reuniões alternativas progressistas centradas no reforço da justiça social e ambiental e na luta pela igualdade. O Bloco de Esquerda já mostrou disponibilidade para reunir.

José Sócrates compara as escutas telefônicas da Operação Influencer com a Operação Marquês e aponta para um duplo critério moral.

É uma nota enviada às redações. O ex-primeiro-ministro aponta que há um silêncio da sociedade sobre as escutas do Caso Marquês, em contraste com uma viva indignação sobre o Caso Influencer, o caso que envolve António Costa. Neste texto, José Sócrates ataca também o recurso às escutas nas investigações judiciais, apelida de uma violência ilegítima do Estado português sobre o indivíduo. O antigo chefe de governo diz que é vítima deste método, que considera ter sido normalizado e tolerado por todos há 10 anos.

Olhamos também para a saúde. Há erros graves no processamento de salários dos profissionais. É um alerta do Sindicato Independente dos Médicos.

Problemas em vários hospitais, diz o sindicato, em comunicado enviado às redações. O SIM afirma que alertou várias vezes para esta situação, mas até agora nada mudou. O secretário-geral do sindicato, Nuno Rodrigues, diz que os médicos trabalham muito e não recebem o que deviam.

Passados seis meses de 2024, há várias unidades locais de saúde que persistem em pagar de forma errada os médicos. Uma pessoa trabalhando no duro, trabalhando muito mais do que o que fazia e depois chegar ao final do mês e não ter o seu vencimento de acordo com o seu esforço, naturalmente que isto está a causar uma enorme desmotivação e revolta com os meus colegas.

O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos diz também que se o sindicato e o governo não chegarem a um acordo no prazo de um mês, o sindicato vai tomar medidas que podem prejudicar os utentes.

Se no prazo de um mês ainda não for conseguido, dentro do governo, o necessário consenso para apresentar a proposta de a greve salarial dos médicos constar nesse protocolo negocial, teremos de tomar outras medidas que são sempre desagradáveis e é exatamente o oposto do que o Sindicato Independente dos Médicos quer, que são nocivas para os utentes. Greves de protesto, de manifestações. Isto é tudo o que os médicos não querem. Os médicos são pessoas ponderadas e com bom senso. Nós só pedimos que o governo tenha a mesma ponderação e o mesmo bom senso que nós.

Nuno Rodrigues, representante do Sindicato Independente dos Médicos, perante os erros de pagamento de salários a estes profissionais.

E no desporto, hoje arranca a terceira jornada da fase grupos do Euro e há dois jogos às 20h.

A Alemanha vai defrontar a Suíça ao mesmo tempo que a Escócia joga com a Hungria. Apesar da Alemanha já estar apurada para a próxima fase, as contas do grupo ainda não estão fechadas. A equipa germânica, que é orientada pelo treinador mais novo da competição, Julian Nagelsmann, lidera o grupo com seis pontos. A seleção que vai ter pela frente esta noite está em segundo, a Suíça, com quatro pontos. Quanto às equipas do outro jogo, Escócia tem um ponto, no terceiro lugar deste grupo A, e a Hungria está com zero pontos. Portanto, 20h, Alemanha-Suíça e também Escócia-Hungria.

E a UEFA anunciou que vai reforçar a segurança em todos os estádios para travar as invasões de campo por parte de adeptos, que têm interrompido os jogos deste Europeu.

Reação do organismo que rege o futebol europeu, que surge menos de 24 horas depois da chuva de invasões no Turquia-Portugal. No jogo de ontem, houve pelo menos cinco invasões de campo. Roberto Martínez, no final do jogo, alertou para essa falta de segurança.

E ainda no desporto, Gustavo Ribeiro vai repetir a presença nos Jogos Olímpicos. O skater português garantiu hoje um lugar em Paris, na vertente de street.

Informação que foi oficializada pelo Comité Olímpico de Portugal, que refere que o apuramento aconteceu na última etapa dos Olympic Qualifying Series, em Budapeste. Na estreia do skate em Jogos Olímpicos, em 2020, Gustavo Ribeiro foi oitavo na final de street. Aconteceu em Tóquio, nesse ano de 2021.

E ainda, Teresa Bonvalot é pentacampeã nacional de surf.

Uma vitória alcançada pela surfista na quarta de cinco etapas da liga, que decorre na praia do Areal de Santa Bárbara, na Ribeira Grande, nos Açores. Teresa Bonvalot sagrou-se pela primeira vez campeã nacional aos 14 anos, em 2014. Celebrou novamente em 2015, 2020 e 2022. Atualmente, apenas Patrícia Lopes tem um melhor currículo no campeonato português. Festejou 11 vezes nesta liga portuguesa.

E é assim que fechamos o jornal das 14h, edição do jornalista Miguel Cordeiro. Já a seguir temos: "E o resto é história". Até já, Miguel.

Até já.