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Santana Lopes carrega nas críticas aos governos de José Sócrates e Passos Coelho. Diz que a Santa Casa da Misericórdia não era uma caixa de esmolas e sempre fez negócios com privados.

Na resposta por escrito e por atacado às perguntas da comissão de inquérito, o antigo provedor defende os investimentos feitos durante o tempo em que esteve à frente da instituição e culpa os governos anteriores por decisões que diz penalizaram a instituição.

Refere-se ao quadro legal para a exploração do jogo online, criado em 2015, contra a vontade da Santa Casa e perante o aumento de 10 milhões de euros nos custos com pessoal, durante o primeiro mandato em que foi provedor. Santana Lopes atribui esse encargo à transferência de equipamentos e funcionários da Segurança Social para a esfera de responsabilidade da Santa Casa, decisão de Sócrates, caucionada depois por Passos.

Afirma ainda que o Estado nunca quis saber, por exemplo, do fato de os antecessores terem decidido entregar uma parte valiosa do património a um fundo imobiliário privado e a uma empresa ligada ao grupo Espírito Santo, da qual, frisa também, Luís Marques Mendes chegou a ser administrador. Santana Lopes pôde responder por escrito à comissão de inquérito, pelo fato de ter sido primeiro-ministro. Revela que abdicou de três anos de salário quando esteve na instituição.

Volta a deixar em aberto uma candidatura à presidência. Henrique Gouveia e Melo diz que antes de tomar uma decisão, tem de descansar.

Eu, desde que passei à reserva, estou mais perto de tirar minhas merecidas férias.

E depois?

Vou ver logo se vê. Nos últimos anos, tive anos muito intensos.

Intenso está também o debate em torno das presidenciais e as sondagens dão ao almirante uma posição bem destacada à frente nas preferências dos eleitores. Gouveia e Melo toma nota.

Eu encaro as sondagens, o que elas significam. Agradeço aos portugueses a simpatia, que manifestam muitas vezes até na rua, e a confiança que têm em mim. E para mim é só isso.

Há quem convoque Gouveia e Melo a mostrar o pensamento político que tem. Hoje marcou presença num evento do Expresso e falou sobre Europa, defesa e segurança, rejeitando o regresso do serviço militar obrigatório para todos.

Serviço militar no modelo antigo, isso não faz sentido nenhum hoje em dia. Tem que se encontrar uma forma mais inteligente. A Suíça encontrou um modelo, a Suécia encontrou outro modelo. Também não podemos ir agora obrigar os jovens todos a perderem dois ou três anos de vida e depois esse tempo ser inútil.

Gouveia e Melo pede um meio-termo, sem concretizar, para que o país tenha recursos para se defender em caso de necessidade e mantém, como percebemos, o tabu sobre se avança ou não na corrida ao Belém.

Está lançada a ideia: primárias no PS para decidir que candidato presidencial apoiar. Quem o defende é, por exemplo, o antigo líder Ferro Rodrigues, ao Expresso.

E Pedro Nuno Santos já foi confrontado com esta intenção. Considera que este não é ainda o tempo de decidir e, sem comentar de forma direta a proposta, deixou um recado para o interior do partido.

Eu não me sinto pressionado. Os timings do Partido Socialista são definidos pelo Partido Socialista, por nós. E há momentos para se apresentarem os diferentes candidatos e há momentos para se decidir. Este não é o momento da decisão. Não é só o Partido Socialista. Que eu saiba, nenhum partido ainda decidiu o apoio a candidatos presidenciais. Não exijamos mais ao PS do que exigimos aos outros partidos.

É a reação do secretário-geral socialista ao manifesto divulgado hoje, subscrito por cerca de uma centena de socialistas que defendem um referendo interno no PS para escolher que candidato a Belém apoiar.

Sendo que as candidaturas à presidência são unipessoais, Pedro Nuno Santos diz que o PS vai pronunciar-se no tempo certo, depois de os candidatos anunciarem a vontade de concorrer.

Quem não quer perder tempo é Daniel Adrião, que tomou a iniciativa deste manifesto.

O fato de não existir claramente um candidato da área do Partido Socialista que seja absolutamente consensual, naturalmente, que aconselha a que haja uma auscultação. Sempre que o Partido Socialista abriu as portas à cidadania e à sociedade civil, saiu reforçado.

Daniel Adrião e os subscritores deste manifesto têm pressa, mas Pedro Nuno Santos prefere deixar o tema em banho-maria. Nas autárquicas também, indefinição, por exemplo, em relação à Câmara de Lisboa.

Sendo que hoje estão a decorrer eleições para a Federação Distrital Socialista. Miguel Prata Roque e Carla Tavares são os candidatos. Os resultados devem ser conhecidos perto da meia-noite. E quem já decidiu é recandidato à Câmara de Loures, Ricardo Leão.

O autarca que esteve debaixo de fogo por defender despejos de quem cometesse crimes e vivesse em casas municipais. Ricardo Leão diz que em nenhum momento o líder do PS pôs em causa o trabalho autárquico que tem desenvolvido e por isso quer recandidatar-se.

Foram todas chumbadas. Nem uma proposta para alterar a lei da interrupção voluntária da gravidez passou hoje pelo crivo do Parlamento.

A esquerda queria alargar o prazo de acesso das 10 para as 12 semanas, como é de resto aconselhado pela Organização Mundial da Saúde. Sinal vermelho também para as propostas da direita, de CDS e Chega. Queriam impor, estes partidos, mais restrições ao aborto.

O PSD votou contra todas as iniciativas, mesmo as do parceiro de coligação, CDS, escudando-se no referendo de 2007, como recordou a deputada social-democrata Andreia Neto, os portugueses são soberanos e já decidiram.

A resposta já foi dada. À pergunta mais debatida, mais escrutinada, mais ponderada da história da nossa democracia.

Já o PS acusa o PSD de hipocrisia. Isabel Moreira vinca que a ideia era manter o espírito da lei, apenas alargar os prazos e lança uma farpa a este PSD.

Ninguém percebe o que leva o PSD, institucionalmente falando, porque sabemos, naturalmente, a posição de Leonor Beleza, de Teresa Leal Coelho, de Paulo Teixeira da Cruz, de Rui Rio e até de Passos Coelho, até certa data, a insistir numa história de décadas, sempre contra a autonomia das mulheres.

Pelo CDS, Paulo Núncio faz finca-pé no tema da objeção de consciência.

A objeção de consciência dos médicos não é matéria negociável. Querer obrigar profissionais a praticarem atos contra a sua consciência é um poder que este Parlamento não tem.

A Iniciativa Liberal até concorda, mas alerta para os problemas de implementação da lei por causa dos médicos que se recusam a realizar os procedimentos. Vamos aqui ouvir Mariana Leitão.

Em algumas regiões do país, os hospitais públicos têm tantos profissionais objetores que as mulheres não conseguem aceder ao serviço, mesmo estando dentro do prazo legal.

Pelo Chega, André Ventura, o líder do partido, faltou ao debate. Coube a Sandra Ribeiro apontar os erros do sistema.

O Estado falhou a estas mulheres porque não lhes apresentou qualquer alternativa, que não a experiência traumática do aborto.

O PCP, pela voz da deputada Paula Santos, lembra que o PS, agora preocupado com a interrupção voluntária da gravidez, tem telhados de vidro, perdeu oportunidades durante a geringonça.

Até para o alargamento do prazo, para a realização da IVG, por opção da mulher. Mas não foi essa a opção do PS.

E a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, recorda que antes da despenalização, o aborto clandestino era a terceira maior causa de morte de mulheres em Portugal.

Eu sei que este dado não impressiona aqueles que aqui se dizem defensores da vida. Foi a nossa vitória e foi a derrota do vosso conservadorismo, que salvou a vida a milhares de mulheres.

A crítica do Bloco à direita, o Livre, lamenta que o Governo não tenha marcado presença neste debate, através de representantes do Ministério da Saúde.

Isabel Mendes Lopes aproveitou ainda para lançar um apelo.

Melhores condições de acesso à interrupção voluntária da gravidez, de desburocratização do processo e do fim de resquícios de moralismo na lei.

O resumo do debate que, feitas as contas, deixou tudo na mesma, a lei do aborto fica como está.

Da sessão plenária desta sexta-feira, resulta ainda a aprovação de uma resolução apresentada pela Iniciativa Liberal para que o Governo não reconheça os resultados das eleições gerais em Moçambique.

Ainda vai ser discutida na especialidade, mas passou com a abstenção do PSD, PS e CDS. Mesmo se vier a ser viabilizada em votação final global, é apenas uma recomendação ao governo português.

Os liberais avisam desde já que votam contra a ida de Marcelo Rebelo de Sousa à cerimónia de posse de Daniel Chapo. Também foi aprovada uma proposta do Chega para uma recontagem transparente dos votos em Moçambique.

O Presidente da República aprovou o diploma do Governo para aumentos na função pública. As remunerações são atualizadas para um mínimo de €878 e as ajudas de custo também aumentam.

O diploma tinha sido aprovado ontem em Conselho de Ministros, prevê um aumento acumulado de, pelo menos, €234 durante a legislatura até 2028.

Agora a Comissão Parlamentar de Inquérito ao Caso das Gémeas, Miguel, vai recorrer da decisão do Supremo Administrativo.

O tribunal ordenou a alteração do nome da comissão de inquérito, alega que há uma violação arbitrária dos direitos ao bom nome e à reserva da vida privada. Um absurdo para Rui Paulo Sousa, que lidera os trabalhos da comissão.

Ao Observador, o deputado do Chega acusa o tribunal de se imiscuir na atividade da Assembleia da República. O envio do recurso foi, entretanto, aprovado por PS, PSD e Chega. Só o Livre votou contra. O processo tem ainda assim de passar pelo presidente da Assembleia da República.

Cinco horas, mais 10 minutos. Está na hora de conhecermos outras notícias que estão a marcar a atualidade a esta hora.

E começamos com uma notícia de trânsito. Está retomada a circulação na Autoestrada Três. A A3 esteve cortada entre as 15h e as 16h15 no sentido Porto-Braga.

Houve três colisões diferentes num raio de 3 km e vários carros tiveram de ser removidos. Uma das colisões envolveu sete viaturas. Há registo de quatro feridos ligeiros.

A esta hora já se circula normalmente na A3, entre o Porto e Braga. A PSP assegura que preparou um planeamento operacional para as manifestações de amanhã em Lisboa para impedir ações hostis e de violência.

Vão estar envolvidas no policiamento diversas valências da Polícia de Segurança Pública, o caso da Unidade Especial. A Direção Nacional da PSP diz que analisou e fez a avaliação do risco da manifestação "Não nos encostem à parede", que se realiza entre a Alameda e o Martim Moniz, em Lisboa.

Também analisou a vigília pela autoridade e contra a impunidade, que vai ser promovida pelo Chega. A PSP refere que se reuniu com os promotores das duas iniciativas para os sensibilizar sobre as questões de proteção e segurança de quem participar nestas manifestações.

A Ministra da Saúde estima que no prazo de três a quatro semanas vai ser possível avaliar o modelo de pré-triagem da linha Saúde 24.

Ainda assim, Ana Paula Martins avança um valor, diz que houve uma redução na ordem dos 30% na afluência às urgências. Para chegar a este valor, a ministra diz que teve por base os profissionais que estão no terreno e com quem todos os dias a direção executiva fala.

Palavras que surgem depois da inauguração da nova unidade psiquiátrica integrada para adolescentes em Lisboa. Ana Paula Martins falou aos jornalistas e recusou a ideia de que o modelo de pré-triagem seja ineficaz. Defende mesmo que só será possível tirar conclusões depois de passar toda esta fase mais intensa de vírus respiratórios e do inverno.

A ministra lembrou que o modelo foi testado ainda pelo anterior governo socialista. O objetivo é ampliar a todo o país.

Nos Estados Unidos, dispensa incondicional para Donald Trump no caso de Stormy Daniels.

Decorreu hoje a leitura da sentença histórica que levou pela primeira vez um presidente dos Estados Unidos a ser condenado. Em causa estavam 34 crimes de falsificação de registros financeiros para pagar o silêncio de Stormy Daniels durante a campanha presidencial de 2016. O presidente eleito assistiu à leitura da sentença através de videoconferência.

Decidiu o tribunal que Trump fica com uma dispensa incondicional, uma pena simbólica que não acarreta qualquer período de prisão ou aplicação de qualquer outra sanção.

Decidiu o tribunal: não cumpre pena de prisão, mas vai ficar com o caso registrado no cadastro. Vai tornar-se o primeiro presidente dos Estados Unidos a entrar na Casa Branca depois de ter sido condenado.

Durante a audição de hoje, Trump falou pela primeira vez para dizer que este caso representa uma caça às bruxas política e garante que está totalmente inocente.

Em causa aqui, convém recordarmos, o silêncio de Stormy Daniels, uma atriz de filmes pornográficos. Donald Trump estava incriminado neste caso.

Benfica e Sporting lutam amanhã pela Taça da Liga, o derby de Lisboa joga-se em Leiria.

Hoje fez a antevisão do lado do Sporting. Rui Borges confirma problemas com Morita, que está fora do jogo de amanhã. Ainda assim, apesar das lesões, o treinador do Sporting está confiante para o duelo com o Benfica, diz o que espera da equipe verde e branca.

Vamos ser competitivos, vamos ser uma boa equipe, vamos querer e vamos manter a ambição e a coragem que temos tido. Resta-me a mim, resta-nos a nós, enquanto equipe técnica, arranjar soluções para isso. Temos outros jogadores, 11 vamos jogar. Acima de tudo, sei que vamos ser competitivos, independentemente de quem jogue.

É essa a garantia do treinador do Sporting, Rui Borges. Do outro lado, Bruno Lage quer escrever uma história diferente daquela que aconteceu para o campeonato há duas semanas. As Águias não vencem a Taça da Liga há nove anos e, por isso, Bruno Lage diz que espera uma equipe concentrada.

Aquilo que eu quero é, independentemente do jogador, que entre a titular ou que saia do banco, que é a dinâmica que nós queremos em termos ofensivos no Sporting, que a nossa organização defensiva, a nossa atitude e a forma como podemos pressionar, independentemente do jogo, esteja sempre do primeiro ao último minuto.

Os desejos e ambições de Bruno Lage e também do técnico do Sporting, Rui Borges. Sporting e Benfica, final da Taça da Liga, amanhã em Leiria.

Final da Taça, grande derby que arranca às 19h45, com relato em direto aqui na Rádio Observador.