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Esta é a tarde política da Rádio Observador, nesta sexta-feira, 26 de junho, que acaba também por ficar marcada pela entrevista da Ministra do Trabalho à Rádio Observador, entrevista que ouvimos há cerca de uma hora aqui na rádio. E a Ministra do Trabalho recusa que tenha chegado a um acordo com André Ventura sobre a descida da idade da reforma. Luiz Soares, este esclarecimento vem na sequência de?

Vem na sequência das declarações do líder do Chega, que na semana passada disse que a Ministra do Trabalho foi desautorizada pelo Primeiro-Ministro, uma vez que antes do chumbo do pacote laboral, a ministra admitiu uma eventual descida da idade da reforma para trabalhadores por turnos. Ora, em entrevista ao Observador, Maria do Rosário Palma Ramalho garante que nunca discutiu o tema com o líder do Chega, apenas manteve reuniões com três deputados do partido. Maria do Rosário Palma Ramalho admite que André Ventura possa ter sido mal informado pelas deputadas que negociaram com a ministra.

Nunca negociei com o doutor André Ventura. Sempre negociei com a sua equipa, com três deputadas, mais precisamente, e foi uma negociação muito séria, muito fair, que eu tenho aqui que referir como uma negociação muito positiva. E só negociamos as matérias laborais, porque era só para essas que eu tinha sido mandatada. Relativamente aos trabalhadores por turnos, o que negociamos foi uma questão diferente, que foi a questão do subsídio.

E aí estava disposta a admitir esse subsídio?

Sim, nós considerámos, efetivamente, essa hipótese. Ou foi mal informado pela sua equipa, não sei.

Nesta entrevista, Maria do Rosário Palma Ramalho explica ainda que a versão final da Prestação Social Única, aprovada com o PS, é aquela que o governo defendia e garante que não há alterações no que diz respeito ao incentivo ao trabalho. A obrigatoriedade mantém-se, explica a Ministra do Trabalho.

O atual RSI prevê que haja uma coisa chamada contrato. E, portanto, este contrato faz depender da vontade do contraente, do beneficiário, estar disponível ou não para estas coisas. E esse contrato desaparece.

Significa que se o técnico impuser determinada coisa, ele terá que fazer. E por isso é que para o governo a obrigatoriedade se mantém, é isso?

Sem dúvida. E assim terá que ser. Assim como se não for cumprida uma daquelas atividades por uma razão injustificável e grave, se perde o direito à prestação. Na verdade, o que nos separava aqui, julgo eu, do Partido Socialista, era mais semântica.

É tudo uma questão de semântica, explica a Ministra do Trabalho nesta entrevista ao Observador, na qual defende também que o governo deve voltar à reforma laboral o mais depressa possível, embora admita que é preciso primeiro fazer uma avaliação política com o Primeiro-Ministro.

E depois dos sismos na Venezuela, o Presidente da República garante que Portugal vai dar a ajuda necessária ao país e aos lusodescendentes.

Ainda hoje parte para a Venezuela uma missão portuguesa de apoio, de acordo com a Proteção Civil. Trata-se de uma equipa especializada na vertente de busca e resgate em estruturas colapsadas. No total, são 62 elementos com muita experiência em cenários de sismos. Em declarações aos jornalistas em Miami, onde vai ver o jogo de Portugal de amanhã, António José Seguro garantiu o apoio ao país.

Portugal vai ajudar, como é sua responsabilidade e uma marca da sua forma de se relacionar com todos os povos, e sobretudo porque temos uma grande comunidade de portugueses também na Venezuela, que precisam do nosso apoio e que precisam que todos nos possamos unir e desenvolver todos os esforços para que todas as pessoas que ainda não foi possível contactar estejam com vida.

Garantia deixada por António José Seguro, que tem estado em contato com o Primeiro-Ministro sobre o tema. O Presidente da República, que participou em Miami na sessão de abertura do Portugal Football Summit. Os mais recentes dados dão conta de quase 600 mortos e quase 3 mil feridos na sequência dos sismos na Venezuela. Entre os mortos, há nove portugueses e lusodescendentes.

O conselheiro das comunidades portuguesas, Fernando Campos Topa, admite que um grande número de portugueses e lusodescendentes possam agora tentar rumar de volta a Portugal.

Afirma que a Venezuela vai enfrentar um período difícil de reconstrução depois dos sismos e, por isso, Fernando Campos Topa não descarta a possibilidade de uma nova vaga de regressos a território português.

O país economicamente e as pessoas não estão preparadas economicamente para enfrentar situações de recuperação de vivendas. Muitas pessoas perderam vivendas completamente. E famílias, por exemplo, da nossa comunidade, deve haver famílias que falam: "Melhor ficar os filhos, morar os pais, ficar os pais, morar os filhos". Eu não descarto até que possa haver uma nova vaga de cidadãos portugueses a querer ir para Portugal. Isso pode suceder facilmente.

Fernando Campos Topa fala numa situação difícil em La Guaira, o estado mais afetado pelos sismos.

Na zona de La Guaira, na zona perto do aeroporto, na zona do chamado litoral central, realmente a situação é complicada, é muito difícil. Inclusive não se pode, neste momento, circular livremente de Caracas para La Guaira. A situação é muito difícil.

Não se pode circular livremente sob risco de quê?

Não, porque as autoridades não estão a permitir que as pessoas circulem para o litoral central assim de maneira tão simples. Há bastante controle.

O retrato traçado observador pelo conselheiro das comunidades portuguesas em Caracas, Fernando Campos Topa, entrevistado esta tarde pelo jornalista Miguel Oliveira.

E outras notícias a marcar esta sexta-feira.

Há novidades no partido Livre. Rui Tavares decidiu abandonar o cargo de porta-voz. Isabel Mendes Lopes mantém-se e passa a partilhar funções com Jorge Pinto. Rui Tavares só poderá voltar a ser porta-voz do partido em 2030, mas isso não quer dizer que Tavares fique de fora, por exemplo, dos debates das legislativas em 2029. Isso depende daquilo que o partido considerar o que for melhor para essa altura. Ao que apurou o Observador, a ideia de passar Jorge Pinto a porta-voz já estava prevista quando o deputado foi escolhido para candidato presidencial. Depois da polêmica em torno de uma pergunta do exame de português do 12º ano, a forma como são elaborados os enunciados das provas vai mudar. É o que resulta da auditoria pedida pelo Ministério da Educação aos procedimentos do Educa na elaboração da prova de português do 12º ano. A Inspeção-Geral de Educação e Ciência considera que o uso na prova da mesma imagem já apresentada no manual de preparação comprometeu o rigor exigido a um processo desta natureza. O INEM está a apurar as circunstâncias em que uma jovem morreu em Vila Real, depois de um alerta para uma paragem cardiorrespiratória e de ser verificado que a viatura médica de emergência de reanimação estava inoperacional. O INEM explicou à Agência Lusa que após a informação transmitida pela equipa no local de que a vítima se encontrava em paragem cardiorrespiratória, foi acionada a VMER do Hospital de Vila Real, mas no momento da deslocação a equipa comunicou que a viatura estava inoperacional. O INEM diz que se encontra a apurar as circunstâncias desta ocorrência.

O Luiz Soares vai regressar às 18h06.