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Boa tarde. Diana Rosa com a edição das seis. Diana, boa tarde. O governo convocou um Conselho de Ministros de urgência para amanhã.
O objetivo é analisar a situação de calamidade, as medidas de prevenção para os próximos dias e a recuperação das zonas afetadas pela Depressão Christine. A reunião vai realizar-se na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento. Está marcada para às 10h00. Também para este domingo à tarde está prevista uma reunião extraordinária da Comissão Nacional da Proteção Civil, que será presidida pela ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral.
E Marcelo Rebelo de Sousa acredita que o primeiro-ministro está preocupado com as consequências da tempestade e foi por isso mesmo que convocou o Conselho de Ministros para amanhã.
Considera o presidente que Luís Montenegro ficou com uma ideia mais clara do que se passa no terreno depois de ter visitado as regiões afetadas.
O senhor primeiro-ministro está muito preocupado e eu acho que ele está nesta onda. Ele tem a noção de que isto é muito mais tenso e muito mais grave do que poderia parecer à primeira vista. E sendo assim, que o governo deve intervir e intervir com urgência. Esse Conselho de Ministros é um exemplo disso mesmo. O senhor primeiro-ministro cancelou compromissos externos, avança para o Conselho de Ministros, porque sente que logo no começo da semana se deve, por um lado, olhar para o que aconteceu e prevenir o que ainda pode acontecer.
O chefe de Estado deixou ainda um recado ao próximo presidente da República. Afirma que o novo inquilino de Belém vai ter um papel fundamental a desempenhar na sequência da calamidade deixada pela Depressão Christine.
Sendo um esforço nacional, é um esforço que explica porque é que o presidente, o governo e os autarcas neste momento devem estar unidos, e todos os partidos. O futuro presidente terá um papel muito importante a desempenhar, que é já daqui a 30 dias.
Papel unificador.
Unificador, claro. E o governo em diálogo com a Assembleia.
Sublinha ainda Marcelo Rebelo de Sousa a importância dos fundos europeus. Lembra que a situação nas zonas afetadas, no que toca à água e à eletricidade, não se vai resolver num dia.
E em Leiria, Diana, os agricultores pedem mais atenção por parte das freguesias rurais. Fábio Franco é empresário agrícola e viu toda a produção destruída e também infraestruturas à passagem da Depressão Christine.
Depois de ter pedido ao candidato André Ventura para olhar para os arredores de Leiria, recebeu hoje o candidato apoiado pelo CHEGA e deu conta da dificuldade que vai ter para recuperar a empresa. Miguel Viterbo Dias.
Na Ortigosa, uma freguesia rural do Conselho de Leiria, Fábio Franco pede ao poder político mais atenção aos arredores.
Saiam de lá dentro da cidade, porque aquilo está minimamente. Tem água, tem luz, tem comunicações. Nós não temos nada. Nós não temos acessos para um simples idoso que vive no meio rural, no meio de uma floresta.
O empresário da Sociedade Agrícola do Vale do Lis diz que vai perder 150 toneladas de alface, que tem em estoque, depois da destruição dos armazéns.
Tenho armazém, os pavilhões destruiu-se a cobertura, portanto, também se vai acabar por estragar.
E por isso avisa que nos próximos dias e semanas, a economia vai notar os efeitos da tempestade.
Talvez ainda estejam a comer alfaces produzidas em Leiria, mas para a semana, certeza que não vão consumir alfaces.
Uma produção agrícola desfeita, danos na habitação própria e uma família em sofrimento.
Olhava-me sempre com gosto e ligava-me tanta vez: "Ó mãe, vai fazer isto, ó mãe, vai fazer aquilo", qualquer coisa a mãe tinha que estar presente.
A mãe de Fábio Franco a dar conta da paixão do filho pelo mundo rural, depois de vários contratempos, como o furacão Leslie, que já tinha levado a uma preocupação adicional com as estufas.
Quando eu fiz no Leslie, como já estávamos escaldados, digamos assim, foi uma estrutura bastante reforçada, com bastante betão nas sapatas. Tentamos criar uma coisa mais robusta ainda.
Fábio Franco, da Sociedade Agrícola do Vale do Lis, em Leiria, preocupado sobre se à terceira ainda conseguirá reconstruir a propriedade à qual se tem dedicado.
É a reportagem do Miguel Viterbo Dias, que esteve na freguesia de Ortigosa, em Leiria, por onde passou André Ventura, a ouvir aqui a preocupação do meio rural e os avisos ao poder político.
E por perto, na Marinha Grande, há funcionários de empresas que estão 24 horas a guardar as instalações para evitar, Diana, pilhagens.
Têm medo dos eventuais roubos, uma vez que os edifícios ficaram sem portas, sem janelas. Paula Barreira trabalha há 35 anos numa empresa na Marinha Grande, explica ao Observador como se revezam os colegas para tomar conta do espaço há vários dias.
Desde o primeiro dia que estou aqui, quando os meus colegas chegarem para dormir, eu vou-me embora para casa. Vocês estão a dividir? Sim, estamos a dividir. Durante o dia ajudam todos, incluído eu. Chegam aqui às 22h os colegas para ficar à noite e eu vou-me embora para casa. Amanhã de manhã cá estou eu. Eu e mais uns colegas para ajudar outra vez. À noite, depois vêm outros render. São sempre os mesmos, por norma, têm sido os mesmos a ficar cá à noite. Mar banho não tomo desde o dia que houve a tempestade, só lavada com toalhetes. Não temos água nem temos luz em casa.
Entrevistada pela jornalista Marina Ferreira, esta trabalhadora da Marinha Grande sublinha que ainda só sabe o que se passa quem lá vai.
Não fazem a mínima ideia como isto está. Quem se pôs ao caminho, como eu e mais colegas, às 08h no dia da tempestade, nessa noite. Chegámos aqui, eu fui a segunda pessoa a chegar. Chegou um colega que estava lá embaixo e eu cheguei aqui, para mim foi isolante. E eu gritei, foi o pior dia da minha vida. O meu pai falou assim: "Não foi tão difícil como ver esta casa como está, porque isto faz parte da nossa vida."
É uma reportagem da jornalista Marina Ferreira, que tem estado na Marinha Grande, um artigo que está esta hora em destaque no site do Observador.
Diana, um homem de 73 anos morreu hoje ao cair do telhado que estava a reparar na sequência do mau tempo. Aconteceu no Conselho da Batalha.
Na freguesia do Reguengo do Fétal, o comandante dos Bombeiros Voluntários da Batalha, Hugo Borges, confirmou que o alerta chegou às autoridades por volta da 13h, tendo acorrido à localidade da torre. Um meio aéreo foi acionado para o local, mas acabou por não aterrar. Morreu esse homem de 73 anos. O telhado tinha um problema, tinha um buraco, precisamente provocado pela passagem da depressão Christine.
Amanhã é dia de voto antecipado nas eleições presidenciais e ainda por causa da tempestade, o local de voto foi alterado, Diana, em seis municípios.
Precisamente, Vicente. Vieira do Minho, Alvaiázere, Leiria, Torres Vedras, Alcácer do Sal e Silves. Numa nota publicada no portal do eleitor, a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna informa que a alteração foi decidida por motivos de força maior, a pedido das seis Câmaras Municipais. Ora então, vamos saber as alterações no município de Vieira do Minho, distrito de Braga. O novo local de voto vai ser a sede da Junta de Freguesia de Vieira do Minho, a antiga Casa do Povo, em Alvaiázere, no distrito de Leiria. A votação vai decorrer desta vez no quartel dos Bombeiros Voluntários, no município de Leiria, igualmente afetado pela depressão. O local da votação muda para a Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo. Em Torres Vedras, distrito de Lisboa, vai fazer-se no edifício da Câmara Municipal. Em Alcácer do Sal, muito afetado também por cheias devido à passagem da tempestade, distrito de Setúbal, a votação vai decorrer na sede da Junta de Freguesia de Alcácer do Sal. Em Silves, finalmente, distrito de Faro, o voto antecipado vai decorrer no edifício das piscinas municipais.
Diana Rosa, regresso com as notícias à antena da Rádio Observador quando forem 18h30. Diana, até já.
Até já.