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Rádio Observador. São as notícias, edição da jornalista Vanessa Cruz. Vanessa, o ministro português dos Negócios Estrangeiros tem uma declaração prevista para esta hora sobre a situação na Venezuela. Os Estados Unidos vão liderar a Venezuela até haver uma transição segura e adequada do poder.

São as palavras de Donald Trump numa conferência de imprensa esta tarde, que durou uma hora, e depois dessa conferência de imprensa espera-se agora esta reação por parte do governo português, vamos acompanhar em directo assim que começar. Está prevista para esta hora. Entretanto, depois desse ataque feito de madrugada pelos Estados Unidos em território venezuelano e que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Donald Trump diz que vai governar a Venezuela por tempo indeterminado e que Washington quer paz, liberdade e justiça para o grande povo venezuelano.

Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa. Não queremos envolver-nos com a entrada de outra pessoa e ter a mesma situação que tivemos durante os últimos longos anos. Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa. E tem de ser criteriosa.

O presidente norte-americano não adianta muitos detalhes sobre como vai ser feita esta liderança dos Estados Unidos na Venezuela. Diz que espera que seja rápida, mas admite que pode demorar algum tempo sem balizar esse horizonte temporal. Diz que é preciso reconstruir todas as infraestruturas. Sublinha também Donald Trump que o petróleo é uma substância perigosa de extrair e aproveita para dizer que os Estados Unidos estão no negócio do petróleo e que o vão vender, provavelmente em quantidades muito maiores a outros países. Donald Trump disse que a Venezuela tem de dar aquilo que foi roubado aos Estados Unidos. Revela também que já tinha planeado uma segunda fase de ataques à Venezuela, mas que a princípio não vai ser necessária, tendo em conta o sucesso desta operação relâmpago. A primeira fase foi tão bem-sucedida que não deverá ser preciso essa segunda fase.

Trump garantiu ainda que Maduro e a mulher vão enfrentar todo o poder da justiça americana em solo americano.

Confirma assim as informações que davam conta de um julgamento ao presidente venezuelano. De resto, as informações são de que Maduro vai ser presente a juiz já na segunda-feira, no Tribunal Federal de Manhattan, em Nova York. Donald Trump, nesta conferência de imprensa, acrescenta também que o casal Maduro e a primeira-dama estão num navio, vão depois para Nova York e lá será decidido o julgamento.

Maduro e a sua esposa vão enfrentar em breve todo o poder da justiça americana e vão ser julgados em solo americano. Neste momento, eles estão no navio que os vai levar a Nova York e depois vai ser tomada uma decisão, presumo que entre Nova York e Miami ou Flórida. Temos pessoas cujas provas irrefutáveis dos seus crimes vão ser apresentadas num tribunal.

Donald Trump nesta conferência de imprensa. O líder da Venezuela, entretanto, Nicolás Maduro, há uma foto dele partilhada pelo próprio Donald Trump na rede Truth Social. É uma foto de Nicolás Maduro a bordo do navio de guerra Iwo Jima. O líder venezuelano está a usar óculos de sol e um supressor de ruído. Aparece vestido com um fato de treino cinzento da Nike.

Donald Trump começou por dizer que nenhuma nação do mundo podia fazer o que os Estados Unidos fizeram.

São as palavras de Donald Trump, que enaltece os feitos dos Estados Unidos. Diz que sob a direção dele próprio, as Forças Armadas conduziram uma missão importante na capital da Venezuela, Caracas, e diz que não se via um ataque como este desde a Primeira Guerra Mundial.

Nenhuma ação no mundo poderia alcançar o que os Estados Unidos alcançaram ontem ou em tão pouco tempo. Todas as capacidades militares venezuelanas ficaram impotentes quando os homens e mulheres das nossas Forças Armadas, num trabalho em conjunto com as autoridades policiais dos Estados Unidos, capturaram Maduro com sucesso a meio da noite. Estava escuro, as luzes de Caracas estavam em grande parte apagadas.

Donald Trump a enaltecer os feitos dos Estados Unidos. Admite que os venezuelanos já estavam à espera das tropas norte-americanas e destaca a incapacidade da Venezuela em travar os Estados Unidos. Donald Trump que anunciou que vai governar a Venezuela por tempo indeterminado.

E quanto a Corina Machado, Donald Trump considera que seria difícil para a líder da oposição liderar a Venezuela.

É, admite que não sabe do paradeiro de Maria Corina Machado. Diz também que não contactou com a venezuelana recém-vencedora do Nobel da Paz. Donald Trump classifica-a como uma mulher muito simpática, mas que não tem apoio ou respeito dentro do país. Durante a tarde, Corina Machado disse que a oposição está preparada para tomar o poder. Considera que Edmundo González, que terá vencido as últimas eleições, embora Nicolás Maduro tenha continuado no poder, deve assumir de imediato o mandato constitucional e ser reconhecido como comandante-chefe da Força Armada Nacional. É o que defende Maria Corina Machado, sendo que Donald Trump também deu a indicação de que tinha falado já Marco Rubio, o secretário de Estado norte-americano, com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, que fará o que os Estados Unidos quiserem. É pelo menos esta afirmação feita por Donald Trump. Entretanto, continuamos a aguardar essa declaração por parte do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, que agendou uma conferência de imprensa. Uma declaração, aliás, para já há cerca de 15 minutos, ainda não começou a esta hora, mas Portugal vai tomar esta posição oficialmente sobre estes últimos acontecimentos na Venezuela, sendo que Luís Montenegro, há poucos minutos, fez uma publicação na rede social X, dando a indicação, o primeiro-ministro, de que se reuniu com o Presidente da República e também acompanhado pelo ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e que estão os três a acompanhar em permanência, desde o primeiro momento, a situação na Venezuela, com atenção particular à segurança e ao bem-estar da comunidade portuguesa no país. Adianta também Luís Montenegro que a Embaixada de Portugal em Caracas e a rede consular no país estão plenamente mobilizadas para acompanhar os concidadãos e que estamos todos focados no futuro e no restabelecimento de uma democracia plena, onde os venezuelanos escolham livremente o seu futuro. É esta afirmação de Luís Montenegro, nesta curta declaração na rede social X. Adianta também que, não tendo reconhecido os resultados das eleições de 2024, Portugal toma nota das declarações e garantias do presidente norte-americano Donald Trump e constata o papel dos Estados Unidos na promoção de uma transição estável, pacífica, democrática e inclusiva na Venezuela, com a maior brevidade possível. É o que pede Portugal nesta declaração, esperando para ver, mas aqui uma declaração ao lado dos Estados Unidos, tomando boa nota dessa transição estável, pacífica e democrática que os Estados Unidos dizem que vão fazer na Venezuela. Uma declaração de Luís Montenegro. Nesta altura, continuamos a aguardar essa declaração de viva-voz, neste caso, do governo português, por parte do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

E há também outras reações políticas a nível nacional, para além do ministro dos Negócios Estrangeiros, por parte de candidatos presidenciais.

Aqui é exemplo Rita Catarina Martins. A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda admite que o regime de Nicolás Maduro já era um regime desfeito nesta altura, mas diz ao mesmo tempo que nada disso legitima o que Donald Trump está a anunciar, porque pode ser o começo de algo ainda mais grave.

Se aceitarmos que Donald Trump pode hoje ocupar a Venezuela e ficar com o seu petróleo, estaremos a aceitar que isto pode acontecer em qualquer parte do globo. Estaremos a aceitar e a legitimar, por exemplo, a ocupação da Ucrânia por Vladimir Putin. Estaremos a aceitar que em qualquer momento, se Donald Trump quiser, também pode entrar na Gronelândia. Estamos a aceitar que a força é a única regra do direito internacional. E é por isso que o que exige a prudência neste momento é a coragem de condenar a atitude norte-americana, exigir a retirada das suas tropas e apoiar o povo venezuelano a decidir o seu futuro.

Catarina Martins, candidata presidencial apoiada pelo Bloco de Esquerda, numa declaração em Olhão, a pedir uma condenação internacional do ataque norte-americano à Venezuela.

E André Ventura celebra este ataque e elogia os Estados Unidos.

Sim, celebra o fim de um tirano sanguinário e torturador. André Ventura diz que é preciso parar com a conversa de chacha sobre a ingerência dos Estados Unidos. Isto quando questionado sobre se esta ação norte-americana, o ataque desta madrugada, foi feito à revelia do direito internacional, se foi um ataque justificado. André Ventura diz que é preciso parar com essa conversa de chacha. São as palavras do candidato presidencial. Diz que é sim hora de celebrar o fim de um regime tirano, referindo-se aqui a Nicolás Maduro. E pelo PS, a primeira reação à conferência de imprensa de Donald Trump é do responsável pelas Relações Internacionais do Partido Socialista. Francisco Assis, eurodeputado, considera absolutamente inadmissível a intenção dos Estados Unidos de dirigirem a Venezuela. O socialista diz que é um retrocesso e apela a uma condenação por parte da União Europeia. Diz Francisco Assis que é absolutamente inadmissível este ataque norte-americano e a declaração de Donald Trump sobre governar a Venezuela é inadmissível nos pressupostos, na substância, naquilo que se propõe fazer. Não é assim que se resolvem os problemas, é esta a posição do Partido Socialista, pela voz de Paulo Rangel. Aliás, Paulo Rangel não, ele é quem queremos ouvir. Quem se referia a uma ação inadmissível por parte dos Estados Unidos é, sim, Francisco Assis. Como dizia há pouco, Marcelo Rebelo de Sousa e Luís Montenegro estiveram reunidos também com o ministro Paulo Rangel sobre a situação na Venezuela e a qualquer momento está prevista essa declaração de viva voz por parte de Paulo Rangel, também naturalmente com a conclusão deste encontro entre o primeiro-ministro, o presidente da República e o ministro dos Negócios Estrangeiros. Vamos aproveitar ainda este tempo para olhar para a forma como Nicolás Maduro terá sido capturado com a ajuda de uma fonte da CIA próxima do regime venezuelano. Na mesma conferência de imprensa desta tarde, que durou cerca de uma hora, o chefe de Estado-Maior conjunto dos Estados Unidos elogiou a precisão e a descrição da missão que foi levada a cabo por Washington. Admitiu que foi uma missão ousada, mas que só os Estados Unidos poderiam conseguir fazê-la. O general Dan Cain explica ainda que depois de meses de trabalho, as Forças Armadas sabiam onde Maduro vivia, onde viajava, o que comia, o que vestia, quais eram os animais de estimação. Donald Trump descreveu depois, com mais precisão, o momento da captura de Nicolás Maduro.

Ele estava a tentar entrar num lugar seguro. As pessoas estavam a perguntar-se se conseguíamos chegar de surpresa, mas eles estavam à espera de algo. Havia muita oposição, mas ele estava a tentar chegar a um lugar seguro, o que não era seguro, porque nós teríamos tirado a porta. Ele não conseguiu chegar à porta. Aliás, conseguiu, mas não a conseguiu fechar.

Escutávamos aqui essa descrição sobre o momento da captura de Nicolás Maduro. Eram duas horas da manhã em Caracas quando este ataque norte-americano aconteceu. Acabou por ser uma operação bem-sucedida por parte das forças norte-americanas. Nicolás Maduro e a mulher foram os dois capturados e Donald Trump, horas depois, às 16h, acabou por dar essa indicação de que vai governar a Venezuela durante algum tempo. Nicolás Maduro vai para Guantánamo e daí vai ser transportado de avião para Nova York. Está nesta altura a bordo de um navio. Deve ser transportado até à base militar norte-americana em Guantánamo, é o que avançam à CNN duas fontes. Depois será então levado de avião para Nova York. Deverá passar a noite de hoje ainda na prisão. Deverá também Nicolás Maduro ser presente a juiz, a tribunal, na segunda-feira. É pelo menos o que está previsto, embora essa data ainda possa mudar. Continuamos nesta altura a aguardar essa declaração por parte do ministro português dos Negócios Estrangeiros. A primeira vez que o governo vai falar de viva voz depois deste ataque dos Estados Unidos em território venezuelano, e que resultou nessa captura do presidente Nicolás Maduro, sendo que esta declaração do governo português se segue a uma reunião, sabemos agora, entre Paulo Rangel, o ministro, e também o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Luís Montenegro diz que esteve reunido com o chefe de Estado e com o ministro que tem a tutela dos Negócios Estrangeiros. Lembra que Portugal não reconheceu os resultados das eleições venezuelanas de 2024 e acrescentou que vai agora ter atenção às ações futuras dos Estados Unidos. Luís Montenegro diz que constata o papel norte-americano na promoção de uma transição estável, pacífica, democrática e inclusiva na Venezuela. Ao longo da noite, nesta emissão da Rádio Observador, vamos dar-lhe conta do que acrescenta o ministro português dos Negócios Estrangeiros. Essa declaração que estava prevista para os últimos minutos ainda está atrasada por agora. Rita, vamos continuar com o futebol.

Exatamente, fica por aqui o jornal com edição de Vanessa Cruz e a qualquer momento interrompemos a emissão desportiva para ouvir o ministro dos Negócios Estrangeiros. Deixe-se ficar com a Rádio Observador.