Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Vamos às notícias. São as notícias das 21:00, edição da jornalista Vanessa Cruz. Vanessa, Portugal relativiza a violação do direito internacional por parte dos Estados Unidos. O governo pede uma solução democrática para a Venezuela e vê Edmundo González como um presidente legítimo a prazo.

Declaração de viva voz feita pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros depois de uma reunião com o Primeiro-Ministro Luís Montenegro e com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Paulo Rangel diz que Portugal está disponível para contribuir para a transição democrática na Venezuela e vê nos Estados Unidos intenções benignas com este ataque que capturou Nicolás Maduro.

Eu pergunto: o que defendem é que regresse Maduro à presidência da Venezuela? Eu julgo que ninguém defende essa solução.

Mas qual é a posição do governo? É legítimo ou não é legítimo?

Não, repare, a posição do governo é justamente contribuir para a formação de um governo legítimo, porque aquele que nós tínhamos até agora era ilegítimo. A nossa preocupação são as comunidades portuguesas e, portanto, nem os mais ferozes, com certeza, defensores da tese da ilegitimidade do ataque, nem aqueles que até são normalmente pessoas que têm posições mais anti-americanas, vão defender o regresso deste presidente. Como eu lhe digo, nós apelamos sempre ao respeito do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, mas agora o que importa é construir um governo legítimo.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros defende também que o líder da oposição venezuelana, Edmundo González, tem condições para vir a liderar o país, mas não para já.

A solução de Edmundo González, a prazo, é com certeza uma solução perfeitamente aceitável, diria mesmo, talvez, a preferível. A prazo, porque não pode ser imediatamente, porque neste momento a situação no terreno ainda não é clara. Há um candidato eleito, comprovadamente vencedor, segundo um conjunto de agências internacionais independentes e imparciais, que tiveram acesso às datas das eleições que estavam disponíveis e, portanto, ele será, com certeza, um presidente legítimo se o resultado deste processo de transição for esse.

De resto, os Estados Unidos dizem que vão governar a Venezuela durante algum tempo. Paulo Rangel adianta também que a comunidade portuguesa a viver no país está bem e que o governo português está coordenado com os vários executivos europeus, sobretudo de Espanha e de Itália, que também têm muitos concidadãos a viver na Venezuela. O governo de Portugal pede que se dê um sinal com a libertação de mais presos políticos na Venezuela. Nesta declaração, ao início da noite, Paulo Rangel chegou mesmo a chamar diretamente Maduro de ditador.

Foi a primeira declaração de viva voz por parte do governo português. O primeiro-ministro também se pronunciou, mas por escrito.

Sim, foi Luís Montenegro, de resto, a anunciar o encontro com Marcelo Rebelo de Sousa e com Paulo Rangel esta tarde. Lembra que Portugal não reconheceu os resultados das eleições de 2024 na Venezuela e que toma nota das declarações e garantias do presidente Donald Trump esta tarde. Portugal constata o papel dos Estados Unidos na promoção de uma transição estável, pacífica, democrática e inclusiva na Venezuela com a maior brevidade possível.

Também o presidente da República emitiu depois uma curta nota e a situação na Venezuela também vai ser tema do Conselho de Estado da próxima sexta-feira.

Sexta-feira, dia 9, Marcelo Rebelo de Sousa acrescenta esse ponto ao encontro com os conselheiros da presidência e faz também notar, Rita, que a comunidade portuguesa na Venezuela é muito numerosa.

Já o presidente do Governo Regional da Madeira diz que os madeirenses emigrados na Venezuela estão bem.

Miguel Albuquerque esteve hoje em contacto com as comunidades madeirenses no país sul-americano. Receia que haja um conflito caso se verifique uma quebra nas cadeias de abastecimento.

A população está calma, com alguma apreensão, mas aguardam com alguma expectativa o que vai acontecer. O que vai acontecer, parece-me, será uma transição, é o que se espera, uma transição de regime controlada. Neste momento, o grande receio é a existência, eventualmente, de alguma conflitualidade que possa ocorrer devido à existência dos coletivos, alguma situação de saque, se houver quebras nas cadeias de abastecimento.

Reação de Miguel Albuquerque, num registo da RTP. O presidente do Governo Regional da Madeira espera uma transição de regime controlada na Venezuela. Confirma que há dois presos políticos madeirenses, os tais de que falava Paulo Rangel.

E vamos ainda aos destaques da conferência de imprensa do presidente dos Estados Unidos. Donald Trump anunciou que vai governar a Venezuela até haver uma transição segura e adequada do poder.

Os Estados Unidos vão dirigir o país por tempo indeterminado.

Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa. Não queremos envolver-nos com a entrada de outra pessoa e ter a mesma situação que tivemos durante os últimos longos anos. Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa. E tem de ser criteriosa.

Donald Trump não adianta muitos detalhes sobre como é que vai ser feita esta liderança norte-americana na Venezuela. Diz apenas que espera que seja rápida, mas admite que pode demorar algum tempo sem definir quaisquer prazos.

Trump garantiu ainda que Maduro e a mulher vão enfrentar todo o poder da justiça americana em solo americano.

Devem ser presentes em tribunal já na segunda-feira, no tribunal de Manhattan, em Nova York. Donald Trump também disse que nenhuma nação do mundo podia fazer o que os Estados Unidos fizeram e que não se via um ataque como este desde a Primeira Guerra Mundial.

Entretanto, a presidente interina da Venezuela já reagiu à declaração de Donald Trump com esse anúncio de que os Estados Unidos vão dirigir o país durante algum tempo.

Delcy Rodríguez, até aqui vice de Maduro, agora presidente interina da Venezuela, denuncia uma agressão militar sem precedentes e assume um tom desafiador nesta reação. Diz que as máscaras caíram e que o objetivo fica à tona, a mudança de regime na Venezuela, mas também avisa que vai dar luta.

Nós estamos prontos para defender a Venezuela Nós estamos prontos para defender a Venezuela, prontos para defender os nossos recursos naturais, que devem ser para o desenvolvimento nacional. Este conselho de defesa da nação está ativo, já com o apoio do decreto de comoção extrema, que foi fixado e subscrito pelo presidente Nicolás Maduro, e que tudo o que estiver previsto nesse decreto, se execute a partir deste momento. À nossa Venezuela, ao nosso povo. Aqui há um governo com clareza.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

E França pede uma transição pacífica e democrática, e Espanha, que tem uma grande comunidade na Venezuela, critica os Estados Unidos.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez lembra que se Espanha não reconheceu o regime de Maduro, também não vai reconhecer uma intervenção que viola o direito internacional por parte dos Estados Unidos. É uma reação na rede social X, com Sánchez a acrescentar que a operação norte-americana empurra a região para um horizonte de incerteza e de belicismo. Da parte de França, tal como Portugal, o presidente Emmanuel Macron apela a que Edmundo González lidere o processo de transição, um processo que respeite a vontade da população. Edmundo González, que é reconhecido pela comunidade internacional como o vencedor das últimas eleições na Venezuela. França classifica de grave afronta o que foi feito por Maduro durante estes anos contra o próprio povo.

E vamos escutar agora um português, Vanessa, que vive em Caracas.

Carlos Schulz Nunes relata como acordou nesta última madrugada com o ataque dos Estados Unidos.

Nunca na vida tinha estado numa guerra e às duas da manhã, a dormir, em pleno sono profundo, acordo com uma grande explosão, seguida de outra, da qual obviamente assustado, vou à janela e vejo um terceiro míssil acertar a 300, 400 metros da nossa casa, numa base aérea militar. São duas horas de terror, de pânico, onde ouvimos os mísseis a passar por cima de nós, os aviões a passar por cima de nós e as bombas a explodirem constantemente.

Apesar do susto e da grande incerteza sobre o futuro da Venezuela, a situação acalmou nas horas seguintes.

Pouco a pouco começamos a ver as pessoas a sair à rua, a ir comprar o pão, a fazerem as compras, mais tranquilas neste momento.

E houve algum contacto por parte das autoridades portuguesas?

Sim. Isso há que sempre salientar. Tanto a nossa embaixada e consulado localmente, pelas redes sociais, pela comunicação, estão em contacto com a população portuguesa e o nosso Estado em Portugal, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a Secretaria de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, todos os três Estados em contacto com a nossa comunidade e têm feito um papel excelente. Neste momento há que ter calma, não há nenhum incidente maior com a nossa comunidade, com portugueses.

Carlos Schulz Nunes, a destacar o trabalho das autoridades portuguesas no contacto com quem vive na Venezuela. O testemunho deste português foi recolhido pelo jornalista e subdiretor do Observador, Ricardo Conceição.

E agora são 9:10. Que outras notícias estão a marcar a atualidade, Vanessa?

Desporto. O Benfica venceu o Estoril Praia por 3x1, num jogo a contar para o campeonato. Pavlídis esteve em destaque na partida, marcou os três gols da equipa de José Mourinho. Pelo Estoril, marcou João Carvalho. Com esta vitória, o Benfica aproveitou o deslize do Sporting. Os encarnados estão agora a três pontos do segundo lugar. Não e não. Jorge Pinto assegura que não vai desistir antes da primeira volta das eleições presidenciais do dia 18 de janeiro. O candidato apoiado pelo Livre argumenta que os portugueses merecem poder votar em quem fala para eles. Posição que surge depois de, no debate de ontem na rádio, Jorge Pinto não ter dito taxativamente se pretendia desistir ou não, ao contrário do que fizeram Catarina Martins e António Filipe. Mas agora, em campanha em Ponta Delgada, nos Açores, Jorge Pinto defende que a campanha que protagoniza tem incorporado vozes novas e que não vai desistir. Ficou em prisão preventiva o homem de 25 anos, suspeito do homicídio de uma criança de nove anos e da tentativa de homicídio de uma outra de 14, em Setúbal, no fim de ano. De acordo com a Agência Lusa, fica em prisão preventiva. A PJ revelou hoje que localizou, identificou e deteve este homem, fortemente indiciado pela prática dos dois homicídios. O suspeito abandonou o local do crime, apresentou-se na última sexta-feira no Departamento de Investigação Criminal de Vila Real. Foi hoje presente a juiz, fica em prisão preventiva. Vem aí frio, ainda mais, muito frio entre segunda e terça-feira. Em Bragança, Guarda, Castelo Branco e Portalegre vão estar sob aviso amarelo. É o terceiro mais grave, com temperaturas negativas, -4° e até 5° em Bragança. E no que toca à Guarda, também -4°. Já Castelo Branco, entre 1° e 8°, e Portalegre vai dos 2° aos 8°.

E é assim que fechamos o Jornal das Nove, edição da jornalista Vanessa Cruz. A seguir, temos Gabinete de Guerra.