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Notícias na Rádio Observador. É o jornal das 10h, edição da jornalista Vanessa Cruz. Vanessa, começamos com a situação na Venezuela. O avião onde seguia Nicolás Maduro acaba de aterrar em Nova Iorque.
É o que nos mostram as imagens das televisões. O presidente da Venezuela e a mulher foram capturados na última madrugada pelos Estados Unidos. O avião onde seguiam está agora a aterrar em Nova Iorque. Eles foram capturados em Caracas, a capital venezuelana. Nas imagens que estão a ser transmitidas em directo. Podemos perceber que há movimentações junto a uma das portas de saída do avião, mas ainda sem sinal de Maduro, sendo que anoitece a esta hora nos Estados Unidos, em Nova Iorque. Donald Trump esta tarde anunciou que os Estados Unidos vão governar o país durante algum tempo, sem precisar quanto tempo. Nicolás Maduro, de resto, deve ser presente a tribunal em Nova Iorque já na segunda-feira.
E o Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se também depois de amanhã.
Precisamente para discutir a operação norte-americana de captura do presidente da Venezuela. Operação que, como dizia, aconteceu em Caracas. A reunião do Conselho de Segurança da ONU está prevista para quando forem 15h em Lisboa, na segunda-feira. Foi pedido este encontro pela Venezuela, um pedido apoiado pela Colômbia, que acaba de entrar no Conselho de Segurança, é o que está a adiantar a France Presse. O México, entretanto, informa que vai ser emitida uma declaração regional conjunta sobre o ataque dos Estados Unidos na Venezuela.
E já vamos ouvir a presidente interina da Venezuela, que já reagiu à conferência de imprensa desta tarde de Donald Trump. Mas primeiro, Vanessa, o governo pede uma solução democrática para a Venezuela e vê Edmundo González como um presidente legítimo a prazo.
Declaração de viva voz feita pelo ministro português dos Negócios Estrangeiros depois de uma reunião esta tarde com o primeiro-ministro e o presidente da República. Paulo Rangel diz que Portugal está disponível para contribuir para a transição democrática na Venezuela. Vê nos Estados Unidos intenções benignas com este ataque que capturou Nicolás Maduro. Daí Rangel relativizar, ao mesmo tempo, a violação do direito internacional.
Eu pergunto: o que defendem é que regresse Maduro à presidência da Venezuela? Eu julgo que ninguém defende essa solução.
Mas qual é a posição do governo? É legítimo ou não é legítimo?
Não, repare, a posição do governo é justamente contribuir para a formação de um governo legítimo, porque aquele que nós tínhamos até agora era ilegítimo. A nossa preocupação são as comunidades portuguesas e, portanto, nem os mais ferozes, com certeza, defensores da tese da ilegitimidade do ataque, nem aqueles que até são normalmente, eu diria, pessoas que têm posições mais anti-americanas, vão defender o regresso deste presidente. Como lhe digo, nós apelamos sempre ao respeito do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. Mas agora, o que importa é construir um governo legítimo.
O ministro dos Negócios Estrangeiros defende também que o líder da oposição venezuelana, Edmundo González, reconhecido pela comunidade internacional como o vencedor das últimas eleições na Venezuela, é um legítimo presidente, mas a prazo, é o que diz Paulo Rangel.
Paulo Rangel diz também que a comunidade portuguesa a viver no país está bem.
É, e o mesmo é também dito pelo presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque. Há muitos madeirenses que vivem na Venezuela. Voltando aqui ao ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel assegura que o governo está coordenado com os vários executivos europeus, sobretudo de Espanha e de Itália, que também têm muitos concidadãos a viver na Venezuela.
E o primeiro-ministro também se pronunciou, mas por escrito.
Foi Luís Montenegro que anunciou o encontro com Marcelo Rebelo de Sousa e com Paulo Rangel esta tarde. Nesta declaração por escrito na rede social X, lembra que Portugal não reconheceu os resultados das eleições de 2024 e que toma nota das declarações e garantias do presidente Donald Trump. Diz Luís Montenegro que Portugal constata o papel dos Estados Unidos na promoção de uma transição estável, pacífica, democrática e inclusiva na Venezuela. Sublinha também com a maior brevidade possível.
A situação na Venezuela vai ser tema do Conselho de Estado já na próxima sexta-feira.
É, numa curta nota a dar conta desse encontro a três, com o primeiro-ministro e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Marcelo Rebelo de Sousa acrescenta que a situação na Venezuela vai ser discutida no Conselho de Estado de dia 9 de janeiro e faz notar que a comunidade portuguesa em território venezuelano é muito numerosa.
E vamos ainda recordar os destaques da conferência de imprensa do presidente dos Estados Unidos.
Donald Trump anunciou que vai governar a Venezuela até haver uma transição segura e adequada do poder.
Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa. Não queremos envolver-nos com a entrada de outra pessoa e ter a mesma situação que tivemos durante os últimos longos anos. Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa. E tem de ser criteriosa.
Sendo que Donald Trump não adianta muitos detalhes sobre como é que essa liderança norte-americana na Venezuela vai ser processada. Diz apenas que espera que seja rápida, mas ao mesmo tempo que pode demorar algum tempo, não há qualquer prazo definido.
E a presidente interina da Venezuela promete dar luta.
Sim, Delcy Rodríguez, até aqui vice-presidente de Maduro, agora presidente interina, denuncia uma agressão militar sem precedentes. Assume um tom desafiador na reação à conferência de imprensa de Donald Trump. Diz que as máscaras caíram e que o objetivo fica à tona, que é a mudança de regime na Venezuela, mas promete, como dizias, dar luta.
" Nós estamos prontos para defender a Venezuela". Nós estamos prontos para defender a Venezuela, prontos para defender os nossos recursos naturais, que devem ser para o desenvolvimento nacional. Este conselho de defesa da nação está ativo, já com o apoio do decreto de comoção extrema, que foi fixado e subscrito pelo presidente Nicolás Maduro, e que tudo o que estiver previsto nesse decreto, se execute a partir deste momento. À nossa Venezuela, ao nosso povo. Aqui há um governo com clareza.
Reação da presidente interina da Venezuela, Delci Rodríguez.
Dois candidatos presidenciais têm posições distintas sobre a operação norte-americana na Venezuela.
Começamos por ouvir André Ventura, diz que a discussão sobre a possível violação do direito internacional na captura do presidente venezuelano é irrelevante para o candidato presidencial, apoiado pelo Chega. A detenção de ditadores, torturadores, traficantes de droga sobrepõe-se ao direito internacional. É assim que o líder do Chega e candidato ao Belém se refere à captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Eu acho que quando nós nos livramos de ditadores, torturadores, de traficantes de droga, de narcotraficantes no mundo, isso é positivo, sejam eles chefes de Estado ou não sejam. O Nicolás Maduro é um ditador, é um sanguinário e deve ser julgado e deve ser levado à justiça por isso. Eu teria preferido que fosse a própria justiça venezuelana a pôr fim ao regime de Nicolás Maduro. Isso não aconteceu por uma razão, porque tal como acontece no Irão, tal como acontece na Coreia do Norte, tal como acontece na China, tal como acontece em muitas ditaduras do mundo, estes ditadores sequestram a justiça, sequestram os poderes públicos, sequestram e dominam-nos. Temos que parar com conversa de chacha. Não dá!
Conversa de chacha, o direito internacional, são as palavras de André Ventura à margem de uma ação de pré-campanha em Albufeira.
Visão bem diferente tem outra candidata presidencial, Catarina Martins.
Ao mesmo tempo que defende que o regime de Nicolás Maduro já estava desfeito, Catarina Martins diz que nada disso legitima o que Donald Trump está a anunciar, porque pode ser o começo de algo ainda mais grave.
Se aceitarmos que Donald Trump pode hoje ocupar a Venezuela e ficar com seu petróleo, estaremos a aceitar que isto pode acontecer em qualquer parte do globo. Estaremos a aceitar e legitimar, por exemplo, a ocupação da Ucrânia por Vladimir Putin. Estaremos a aceitar que em qualquer momento, se Donald Trump quiser, também pode entrar na Gronelândia. Estamos a aceitar que a força é a única regra do direito internacional. E é por isso que o que exige a prudência neste momento é a coragem de condenar a atitude norte-americana, exigir a retirada das suas tropas e apoiar o povo venezuelano a decidir o seu futuro.
Catarina Martins, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda em Olhão, a pedir uma condenação internacional do ataque norte-americano à Venezuela.
Viramos atenções ainda para o futebol. O Benfica venceu o Estoril Praia por 3x1 para o campeonato. Pavlidis esteve em destaque.
O avançado grego foi o homem do jogo, marcou os três gols da equipe de José Mourinho. Pelo Estoril, marcou João Carvalho. Com este triunfo, o Benfica aproveita da melhor forma o deslize do Sporting, que empatou nesta jornada. As Águias estão agora a três pontos do segundo lugar e no final do encontro, José Mourinho destacou a estreia de Sidney Cabral pelo Benfica. Falou também numa vitória justa.
Acho que é uma vitória que nós merecemos. Na segunda parte, soubemos controlar bem o jogo. Quando o tentamos acelerar, tivemos êxito nisso. Havia sempre um bocadinho de dúvida relativamente ao Sidney, primeiro jogo em casa, camisola do Benfica, o peso. Entrou num momento já crucial do jogo, havia sempre aquela dúvida. Ele retirou-nos as dúvidas logo no início.
José Mourinho, em conferência de imprensa. O Benfica está de regresso às vitórias no campeonato. No último jogo, tinha empatado com o Sporting Braga. Do lado do Estoril, o treinador Ian Castro lamenta que a equipa não tenha conseguido somar qualquer ponto neste encontro.
E são agora 10h10. Vamos ao habitual espaço de informação local, Vanessa.
E começamos com a Câmara da Póvoa de Varzim a manifestar solidariedade com a comunidade poveira residente na Venezuela. Em comunicado, expressa preocupação com a situação que se vive no país, garante proximidade e apoio. Recomenda também a Câmara da Póvoa de Varzim à comunidade que respeite as indicações de segurança emitidas pelas autoridades locais e consulares. A Venezuela a marcar a atualidade em todo o mundo e também em Portugal. O homem de 25 anos, suspeito do homicídio de uma criança de nove anos e da tentativa de homicídio de uma outra de 14 em Setúbal, no fim de ano, ficou em prisão preventiva. É o que adianta a agência Lusa. A PJ localizou, identificou e deteve este homem, fortemente iniciado pela prática de dois crimes. O suspeito abandonou o local do crime e apresentou-se na sexta-feira no Departamento de Investigação Criminal de Vila Real. No Distrito de Aveiro, em São João da Madeira, um homem de 65 anos morreu depois de ter sido atropelado. Foi ontem à noite na freguesia de Ocela. É o que adianta o jornal Correio dos Amores. O condutor do automóvel ficou no local até à chegada das autoridades. No distrito de Leiria, um curto-circuito terá estado na origem de um incêndio que ao início da manhã consumiu uma casa de madeira com rodinhas e deixou outra quase destruída. Foi na localidade de Aroeira, em Monte Redondo. De acordo com o JN, viviam três pessoas nesta habitação de madeira, foram realojadas noutra casa do mesmo proprietário. O Estrela da Amadora e o Braga empataram este sábado, 3x3, num jogo da 17ª e última jornada da primeira volta da Primeira Liga de futebol. Os arsenalistas ficam no quinto posto. João Moutinho aos 12 minutos de grande penalidade, Fran Navarro aos 51 e Zalazar aos 64 foram os autores dos gols do Braga, que somou o terceiro jogo seguido sem vencer, enquanto o Estrela, pela primeira vez presente nesta edição da Liga, está há três jogos sem perder. Marcaram Kikas, Giovanni e Marcos. Com este empate, o Sporting Braga falha o assalto ao quarto lugar, ocupado pelo Gil Vicente. O Estrela surge num tranquilo décimo lugar com 19 pontos. Em Santarém, a Sociedade Recreativa Operária tem novos dirigentes. A coletividade centenária vai ter como presidente da direção nos próximos dois anos Pedro Filipe Oliveira. Jéssica Vassalo é a vice-presidente.
E assim fechamos o jornal das 10, edição da jornalista Vanessa Cruz. Já a seguir passa a entrevista de Ricardo Conceição ao português a viver na Venezuela.