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Jornal das 11, com edição da Diana Rosa. E Diana, a autarquia de Coimbra está preparada para retirar mais 9 mil pessoas, caso o pico de cheias se confirme.

Diz que podemos estar perante uma cheia centenária, o que afirma Ana Brilhosa. A zona da baixa da cidade está sob alerta, foi o que adiantou a autarca que fez esta noite um ponto de situação.

Das sete zonas de inundação, nós estamos a falar de cerca de 12.500 pessoas, mas aí eu já estou a falar o total. Ou seja, destas 12.500 pessoas, cerca de 3000, nós já comunicamos que deviam ter saído, que são aquelas nas zonas já inundadas. Eu volto a dizer, Coimbra já está inundada, o concelho já está em parte inundado.

A autarca de Coimbra enumerá ainda as zonas mais fustigadas pelas cheias.

A zona ribeirinha de Torres do Mondego, a zona ribeirinha do Ceira, Conraria e Vendas de Ceira, a zona da Portela do Mondego, a Quinta da Portela, o Parque Verde, Rebulinhos, que já estão, o Rossio de Santa Clara, a Baixa também já disse, de direita a esquerda, a Ribeira de Puzelhes e a Ribeira de Eiras, a Ribeira de Fornos, a Ribeira dos Covões, a Ribeira dos Casais.

A Câmara Municipal de Coimbra faz, de resto, saber que todas as escolas do concelho vão estar encerradas esta sexta-feira. Há uma preocupação com o transbordo da Barragem da Aguieira.

E uma barragem que entrou em funcionamento há 45 anos e que continua a ser a principal forma de controlar as cheias do Baixo Mondego, Diana.

Mas nem sempre assim foi, Filipa. O repórter Luís Soares foi ao encontro de quem ajudou a construir esta barragem, uma estrutura que também serviu de cupido.

A casa onde eu namorava era aqui. A minha mulher ia lá para cima para a varanda e eu vinha cá para baixo da estrada a espreitar.

Com a ajuda de uma régua, Jaime Vitorino aponta para uma fotografia a preto e branco. Vê-se a casa onde, há mais de 45 anos, namorava com a ainda agora mulher em Foz do Dão, uma aldeia que foi engolida pela água do Mondego depois ter sido construída a Barragem da Aguieira.

A Foz não era uma aldeia bonita, é pena porque era um ponto de turismo. Temos ali o quadro. Foi pena aquilo ter desaparecido, mas é a lei da vida.

Agora a barragem protege Coimbra, mas Jaime Vitorino explica: o rio Mondego tem uma personalidade muito própria.

A barragem ajuda muito. A barragem ajuda muito, mas é aquilo que eu digo. A serra da Estrela manda muita neve, ajuda muito, porque se aquilo estiver cheio de neve, o rio Mondego fica doido e não há barragem nenhuma que o aguente.

De resto, antes de haver barragem, Jaime Vitorino lembra que a baixa de Coimbra costumava inundar.

Basta que a baixa de Coimbra também ficava toda alagada. Onde é a estação nova e aquilo tudo, o Banco de Portugal, aquilo ficava tudo inundado.

Ele que participou na construção da barragem, viu a estrutura a encher ainda no início dos anos 80. Na altura, Jaime Vitorino ouvia dizer que ao fim de 20 anos era preciso realizar uma manutenção, mas nunca soube que isso tenha acontecido.

Ela começou a encher mais ou menos em 80. Eles até diziam que depois ao fim de 20 anos, que era despejada para fazer uma manutenção e já vamos lá em 40 e tais. E manutenções, nada. Pronto, isto não sei, mas penso eu, que deve ser um risco muito grande depois amanhã.

Jaime Vitorino defende também que o governo não devia permitir construção à beira dos rios.

É muito bonito fazer aqueles bares à beira do rio, como está lá em Coimbra. Aquelas esplanadas, aquilo é muito bonito. É, para o verão, mas temos que convencer que quando São Pedro abrir as portas, as torneiras não ligam. É assim.

Uma reportagem do Luís Soares numa barragem que atualmente está sob alerta por causa do agravamento do tempo.

E nas próximas horas, a Grande Lisboa e a Península de Setúbal estão também sob alerta.

Vêm aí chuva intensa e nevoeiro, o risco de cheias é elevado, é o que explica Mário Silvestre, comandante nacional da Proteção Civil.

Os efeitos expectáveis são cheias em cursos d'água. Neste momento, com o fenômeno previsto para a zona da Grande Lisboa e Península de Setúbal, o impacto será sobretudo de cheias rápidas e, portanto, a precipitação poderá causar cheias rápidas e o comportamento, todos nós já sabemos, com inundação, por exemplo, de garagens e outros espaços que fiquem abaixo da cota.

As atenções estão viradas para as bacias do rio Sado e do Tejo. Ainda assim, há outros locais que estão a preocupar as autoridades.

Com risco de inundação, o rio Minho, o Côa, o Lima, o Cávado, o Ave, o Douro, o Tâmega, o Sousa, o Lis, o Nabão e o Guadiana. E estes rios normalmente têm subidas bastante rápidas e, portanto, é preciso estarmos alerta, evitando com isto o risco de podermos ter problemas referentes a estas inundações.

Mário Silvestre alerta ainda para a possibilidade de deslizamentos de terras. O apelo à população mantém-se. A Proteção Civil pede que sejam evitados comportamentos de risco.

E o Presidente da República antevê que a recuperação dos efeitos das recentes tempestades vai ser longa e difícil para as autarquias e para o governo.

Com custos mais elevados do que o esperado e que vão implicar desvio de fundos europeus.

As tais infraestruturas importantes para a circulação, as pontes que caíram. Tudo isso somado exige, não só mais dinheiro, mas mais tempo. Vai ser, como eu dizia ontem, praticamente a vida de muitos autarcas e uma parte importante da vida do governo Nos próximos três anos, vão contra.

O Presidente da República no dia em que o governo anunciou que vai preparar um plano de recuperação e resiliência dedicado à reconstrução do país.

Diana, afinal, os trabalhadores afetados pelo mau tempo, que estejam em lay-off, vão receber menos do que se pensava.

Só vão ter dois terços do salário, em vez de 100%. Num esclarecimento, o governo explica que o pagamento pelo Estado vai ser de 80% e só dura dois meses. Depois disso, aplica-se o que está na lei: 70% pagos pelo Estado e 20% pela entidade empregadora.

Seis minutos para lá das 11 da noite, Diana. Vamos também atualizar as notícias de âmbito local.

E começamos na margem sul, Sesimbra. Foram resgatados hoje dois pescadores, depois de ter entrado água dentro da embarcação em que seguiam. De acordo com a Autoridade Marítima Nacional, o barco estava a cerca de 15 km a sudeste de Sesimbra. Foram ativados os tripulantes da estação salva-vidas, assim como elementos da capitania do porto e do comando local da Polícia Marítima de Setúbal. Os homens de 43 e 49 anos não precisaram de assistência médica. Em Porto de Mós, as oficinas municipais estão a funcionar como um centro logístico de apoio sul da região de Leiria. Jorge Vala é presidente da Câmara, também é presidente da Comunidade Intermunicipal da região. Destaca a onda de solidariedade desde o início das tempestades. O centro está em funcionamento das 08h às 16h, recebe telhas de vários tipos, lonas, painéis, também cimento e tijolos e ainda outros materiais de construção. Em Aveiro, foi cancelado o Carnaval da Ria. O evento contava com mais de 300 participantes. A Câmara Municipal considerou que não estão reunidas as condições de segurança para a realização do evento. Vai ser feito mais tarde, numa data a anunciar. Em Famalicão, o Bloco de Esquerda pede justificações ao governo sobre as condições inaceitáveis do posto da GNR. Numa carta enviada ao Ministério da Administração Interna, Fabien Figueiredo diz que está em causa a segurança e as condições de trabalho dos militares. Garante também que em dias de chuva mais intensa, várias áreas do posto de comando ficam inoperacionais. Há relatos de que chove nestas instalações da Guarda Nacional Republicana. Em Leiria, uma sugestão para tentar esquecer o mau tempo. Surma e outros artistas vão atuar não só na cidade de Leiria, mas também em Pombal. Um mini festival que faz parte do projeto Tempo Delas, do maestro e músico Micael Faustino. Além da música, há teatros, contos, oficinas de pintura e workshops de instrumentos musicais, tudo destinado a crianças, mas a famílias em geral. Está marcado para sábado. Oeiras, Lisboa e Cascais vão encerrar 15 km da frente ribeirinha para celebrar o Dia Mundial da Atividade Física. Acontece no dia 12 de abril. Falta precisamente dois meses. Entre as 9h e as 14h, todo o percurso entre Alcântara e São Pedro do Estoril vai estar fechado ao trânsito. Estão planeadas várias atividades ao ar livre, como demonstrações de diferentes modalidades desportivas, aulas de palco e também rastreios de saúde. A iniciativa é da responsabilidade das três Câmaras Municipais, em parceria com clubes, coletividades e entidades na área do desporto e da saúde. A entrada é gratuita.

Nina Rosa com o Jornal das Onze.