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Nove da manhã. E começamos por Espanha, que aponta responsabilidades a Marrocos na entrada em massa de migrantes na cidade de Ceuta. O primeiro relatório das autoridades espanholas diz que houve facilitismos por parte de Rabat. É o que diz o primeiro relatório do governo espanhol sobre a crise de Ceuta, num documento que faz manchete esta manhã no jornal "El País". É conhecido horas depois da primeira reação oficial do governo de Marrocos, que culpa as redes de tráfico de pessoas e a desinformação pelo caos criado em Ceuta. Desde quinta-feira que a entrada em massa de pessoas, sobretudo pelo mar, tem criado constrangimentos nos serviços públicos da cidade, que não têm capacidade para acolher tantas pessoas. Quanto a responsabilidades, Carlos Pedro, os serviços de informação espanhóis apontam para a responsabilidade de Rabat, ainda que de forma indireta.
Os serviços de informação espanhóis consideram que as autoridades marroquinas não autorizaram a entrada em massa de migrantes em Ceuta, mas permitiram que ela acontecesse e tiraram proveito político da situação. Este primeiro relatório diz que tudo começou nas redes sociais, o que coincide com uma das razões identificadas pelo governo marroquino, a exploração mal-intencionada do espaço digital com informações erradas nas redes sociais. Portanto, o relatório aponta que esta campanha de desinformação não foi criada propositadamente, mas diz também, por outro lado, que foi permitido a dezenas de milhares de migrantes marroquinos que se deslocassem para as fronteiras com Ceuta.
E depois deu-se o caos a que assistimos nos últimos dias, mas Carlos, Espanha e Marrocos não se entendem, nem quanto às causas deste movimento em massa, nem quanto aos números.
Há discrepâncias quanto aos dados divulgados pelas autoridades de ambos os países. A Espanha fala em 60 mil a passar a fronteira, Marrocos aponta para 40 mil. Quanto a mortes, Rabat contabiliza 11 do seu lado da fronteira, mas em Ceuta há 82 cadáveres na morgue da cidade, diz o presidente deste enclave espanhol em solo africano. Os mal-entendidos são também de natureza político-jurídica, neste caso, sobre a aplicação de uma sentença do Supremo Tribunal de Espanha, do início de julho, diz que as pessoas que chegam à Espanha por mar, de forma ilegal, não podem ser devolvidas ao país de origem, ao contrário do que acontece a quem entra por terra.
Carlos Pedro com as últimas informações que chegam de Ceuta. Os ministros da União Europeia vão, entretanto, reunir-se amanhã, de emergência, para discutir a crise migratória. Itália suspendeu temporariamente as regras do espaço Schengen com Espanha. A Dinamarca defendeu que a medida fosse alargada aos restantes países, algo que dividiu os Estados-membros. E Carla, antes da chegada de milhares de imigrantes a Ceuta, circularam mensagens enganadoras nas redes sociais que davam conta de que a fronteira entre Marrocos e Espanha estaria aberta. E essas mensagens e publicações aliciaram milhares de pessoas, sobretudo jovens, a fazer a travessia marítima entre os dois países. É o relato que nos chega de Ceuta, da enviada especial d'O Observador, Inês André Figueiredo.
Estas pessoas vieram porque foram recebendo mensagens, principalmente através das redes sociais, a informá-las de que a fronteira de Espanha em Ceuta estava aberta, que era possível entrar de forma gratuita, sem papéis. Terá havido um conjunto de publicações colocadas nas redes sociais que obviamente tiveram um impacto estrondoso. O algoritmo funciona de forma brilhante nestes casos. Ainda por cima, pelo que se sabe agora, poderão ter sido colocados botes à disposição destas publicações para que elas chegassem ainda a mais pessoas. E não estamos a falar de uma população que viva propriamente bem.
A jornalista d'O Observador, Inês André Figueiredo, falou com vários destes imigrantes que foram enganados pelas publicações que se foram espalhando nas redes sociais sobre uma suposta fronteira aberta entre Espanha e Marrocos. Ela destaca dois casos concretos que foi ouvindo nos últimos dias.
Acabamos por conversar com pessoas que nos disseram: "Um amigo enviou-me uma mensagem pelo WhatsApp, eu soube que a fronteira estava aberta e como estava de férias, vim tentar a minha sorte". Ou: "Eu estava a tomar café e a fumar um cigarro. Passou um vendedor ambulante que comunicou que a fronteira estava aberta e eu imediatamente coloquei-me num táxi, que era a uma hora e meia da fronteira, e vim para aqui". Porque nos últimos anos, e esta pessoa em específico de quem estou a falar agora, tentou passar variadíssimas vezes, nunca conseguiu e agora teve uma oportunidade e não a quis deixar passar.
Inês André Figueiredo, na história do dia de hoje. A esta hora, centenas de pessoas continuam concentradas nas praias de Ceuta, uma vez que as autoridades espanholas estão a barrar a entrada destas pessoas ao centro da cidade. E a crise migratória em Ceuta vai ser o tema do Explicador, para ouvir já a seguir. São nossos convidados Pedro Silva Pereira, antigo eurodeputado do PS, e Carlos Coelho, ex-eurodeputado do PSD. Por cá, o Presidente da República recebe hoje uma delegação do Tribunal de Contas. O motivo da audiência não foi divulgado. De acordo com a informação que consta do site da Presidência da República, a reunião acontece às 16h15. Um encontro que foi pedido depois do Parlamento ter aprovado a reforma do governo, que inclui dispensar de visto prévio os contratos públicos até aos €10 milhões, e desta proposta ter gerado polêmica e enfrentado contestação dentro do próprio Tribunal de Contas. Também poderá ser discutida a nova lei de organização e funcionamento do Tribunal de Contas, igualmente apresentada pela AD, que está em suspenso, uma vez que o Parlamento está nas férias de verão. António José Seguro tem outra audiência marcada para hoje e é com a presidente da Iniciativa Liberal. Mariana Leitão é recebida em Belém. A Iniciativa Liberal pediu esta audiência para falar sobre o atual estado do país. Está marcada para às 15h30. Um dos temas poderá ser a polêmica que envolve o ministro da Administração Interna. A Iniciativa Liberal tem alertado para a falta de autoridade de Luís Neves para continuar no governo. O ministro da Educação volta hoje ao Parlamento e mais uma vez para responder sobre os problemas na correção dos exames nacionais. Fernando Alexandre participa na reunião da Comissão Permanente da Assembleia da República. Vai ser às 15h. Este debate foi convocado na sexta-feira, em conferência de líderes, a pedido do Partido Socialista. O ministro da Educação vai assim mais uma vez ao Parlamento, numa altura em que a Missão Escola Pública continua a relatar problemas na correção dos exames. Este movimento diz que existem professores com relatos de falta de folhas de continuação. Por isso, a Missão Escola Pública diz que será muito difícil cumprir o prazo estabelecido para a divulgação dos resultados das reapreciações, que será na próxima sexta-feira. De lembrar também que há ainda alunos da primeira fase que não conhecem a nota que tiveram nos exames nacionais do secundário Donald Trump anunciou que recomeçam hoje as negociações entre Estados Unidos e o Irão para pôr fim à guerra. O presidente norte-americano diz que por isso cancelou um ataque massivo que estava previsto para esta noite em território iraniano. O presidente norte-americano diz que foi convencido pelos países aliados do Golfo, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Qatar, a não atacar. Trump garante que cancelou este ataque em larga escala, que estava a preparar, de modo a poder retomar o diálogo com o Irão.
Estávamos completamente preparados para avançar nesse momento. Ia ser um ataque massivo. Tínhamos tudo pronto, mas quando os nossos aliados nos pediram para cancelar, ficamos a pensar: "Bem, vamos ver". E a razão pela qual o pediram é porque acreditam que há um acordo, há um acordo sobre o Ormuz e depois haverá um acordo sobre a questão nuclear ou, se preferirem, sobre a desnuclearização do Irão. Eu chamo-lhe a desnuclearização do Irão.
Uma versão contraditória que é revelada esta manhã pelo Irão. O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que o país não está em negociações com os Estados Unidos e avisa também que não existe nenhum acordo para abrir o Estreito de Ormuz. Certo é que as declarações de Donald Trump mexeram com os mercados energéticos. O barril do petróleo Brent está esta manhã a ser negociado a cerca de US$83. Na semana passada, chegou a ultrapassar os US$100. São agora 9h08, antes do Explicador, Carla, que outras notícias há a destacar? A Ucrânia voltou a atacar esta noite várias zonas da península da Crimeia, ocupada pela Rússia, é o que relata hoje a imprensa ucraniana. Terão sido atingidas infraestruturas energéticas. Não há, para já, registo de vítimas. Por cá, mais de 50 concelhos do interior norte e centro e do Algarve estão hoje em risco máximo de incêndio. A informação é do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, que indica também um perigo muito elevado de incêndio em mais de 80 municípios de todo o país. Neste momento, não há incêndios rurais ativos em Portugal continental. De acordo com as previsões do IPMA, para hoje está prevista uma ligeira descida das temperaturas, até com previsão de aguaceiros em algumas regiões do país.