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E começa agora a nova edição do Bom, o Mau e o Vilão. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. Quem é o teu bom de hoje?

O bom são os debates, porque agora que já acabaram os 28 frente a frente, nós podemos olhar para os números completos e, segundo o público, os números completos mostram que, em média, estes debates presidenciais foram vistos por 780 mil pessoas. Cada debate, em média, foi visto por 780 mil pessoas. Nas anteriores presidenciais, há cinco anos, a média tinha sido de 620 mil pessoas, ou seja, houve muito mais debates, mas também houve mais gente a ver esses debates. Aquele que conseguiu mais audiência foi o frente a frente entre André Ventura e Luís Marques Mendes, que chegou a 1.287.000 pessoas, que é uma barbaridade, mas mesmo o menos visto, que opôs António Filipe a Catarina Martins, chegou a 414 mil pessoas. Houve 414 mil almas que quiseram ouvir António Filipe e Catarina Martins. Atenção, isto é incrível. É mesmo muita gente. E estas pessoas foram vendo os oito candidatos a comportarem-se em diferentes situações. Viram-nos quando as coisas lhes estavam a correr bem, quando lhes estavam a correr mal, quando estavam a ser atacados, quando estavam a atacar. Deu para perceber exatamente como é que eles se comportam e o facto de termos estes 28 debates mostra que a nossa democracia não é tão atrasada quanto isso. Nós às vezes achamos: "Coitada da nossa democracia". Mas não, há aqui coisas que funcionam bem.

Funciona bem. E se houver muita abstenção, por exemplo, não é pela falta de debates.

Seguramente. É porque as pessoas acham que não há nenhum candidato que justifique sair de casa. Também acontece.

Miguel, o teu mau é Gouveia e Melo.

É, porque ele está com um problema nas sondagens e não estou a falar do problema em que as pessoas devem estar a pensar. O problema não é ter passado do primeiro lugar para o quarto lugar na sondagem da Pitagórica para a TVI, CNN, JN e TSF, que saiu há poucos dias. Isso é um problema, claro, mas eu hoje quero é falar de outro, porque nessa mesma sondagem, 51% dos inquiridos dizem não perceber qual é o posicionamento político do almirante. Perguntaram-lhes: "Qual é o posicionamento político do almirante?" 51% dizem: "Não faço ideia. Olhe, não me pergunte isso, homem." E nos eleitores entre os 35 e os 44 anos, esse valor sobe para 58%. 58% das pessoas não fazem ideia. Só 13% dos inquiridos, coitadinhos, não estão inocentes, mas enfim, só 13% acham que o almirante manteve sempre a mesma posição ideológica, não mudou. Todos os outros viram-no andar de um lado para o outro e 10% sentiram, com toda a razão, que ele estava a deslocar-se para a esquerda. E a culpa, obviamente, não é dos eleitores, não são os eleitores que não percebem e que, coitados, são burrinhos. Não é isso. Realmente, o problema é que nesta campanha, Gouveia e Melo já defendeu um bocadinho de tudo e o seu contrário. Ele achou que ao fazer isto, estava a convencer os eleitores das diferentes áreas ideológicas, quando na realidade ele não os estava a convencer, ele estava a confundi-los. E isso, imagino eu, que possa eventualmente não acabar bem.

Certo. E os debates eram precisamente os espaços mais importantes para ele marcar a sua posição ideológica. Se calhar, já deixou passar a oportunidade.

Sim, claramente, ele não quis marcar essa posição ideológica. Achava que era uma ótima ideia, alguém o convenceu que era uma ótima ideia não marcar essa posição ideológica. Depois não se pode admirar se os eleitores olharem para ele e pensarem: "Mas afinal, esta pessoa está a pensar o quê?" Acontece, claro.

Miguel, o teu vilão está de volta.

Está de volta, aí está ele. Marcelo Rebelo de Sousa, cá está ele. O ainda presidente da República apareceu ontem para convocar um Conselho de Estado para, vou citar o Palácio de Belém, para analisar a situação internacional, em particular a situação na Ucrânia. A reunião vai acontecer no dia 9 de janeiro, às 15h. 9 de janeiro, ou seja, vai acontecer no final da primeira semana de campanha eleitoral, em plena campanha eleitoral, e a escassos nove dias da primeira volta das presidenciais. E não se percebe o que é que há de tão importante para ser analisado por um Conselho de Estado português. Nós não estamos propriamente no centro dos acontecimentos. Estamos diante de um Conselho de Estado convocado por alguém que está a poucas semanas de deixar o cargo. Mas há pior: é que como a atual Assembleia da República ainda não elegeu os seus cinco membros do Conselho de Estado, há cinco membros que são eleitos pela Assembleia da República, esta Assembleia ainda não os elegeu e, portanto, ainda lá estão os que foram escolhidos pelo anterior Parlamento. E portanto, temos lá, por exemplo, Pedro Nuno Santos, que já não é líder do PS, que já não representa o PS, que já não fala pelo PS. Está tudo mal nisto. Marcelo Rebelo de Sousa tinha prometido que ia manter-se discreto nesta fase final do seu mandato, mas, pelos vistos, a vontade de ter protagonismo é mais forte do que ele. É mais forte, tem de aparecer. Não vale a pena, de facto. Marcelo Rebelo de Sousa não muda. Marcelo Rebelo de Sousa sempre foi assim e vai ser assim até sair pela porta do Palácio de Belém.

Calma, Miguel, ainda falta até março. Daqui até março vais ver que o presidente muda.

É, vai mudar muito, Paulo.

Senão mudamos nós de presidente.

Isso seguramente, disso não tenhas dúvida, está quase.

Vamos ao resumo. O bom desta quarta-feira são os debates, o mau é Henrique Gouveia e Melo e o vilão de hoje é Marcelo Rebelo de Sousa. São as escolhas do Miguel Pinheiro, que regressa depois do meio-dia para mais um Realpolitik com o Sérgio Sousa Pinto.