Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Agora que o Donald Trump anunciou tarifas de 25% sobre todos os automóveis que não sejam fabricados nos Estados Unidos, o interesse é perceber de que forma é que isto vai afetar em Portugal, mas não só, também do ponto de vista europeu, a indústria automóvel. Perceber também qual é o nível das exportações da indústria automóvel portuguesa para os Estados Unidos e de que forma é que o comércio para esse país pode ficar constrangido.

Os 25% que ontem foram anunciados, vão ter um efeito bastante negativo em termos europeus, porque a Europa exporta componentes, para além de automóveis, para os Estados Unidos, para o México e para o Canadá. E, portanto, esta tarifa afetará não só as nossas exportações diretas, mas também as indiretas, por via desses dois países, que têm uma relevância muito importante, são os maiores exportadores de automóveis para os Estados Unidos. Portanto, o aumento de preço através destes 25% porá em causa a atividade desses dois países e, portanto, afetará a produção. Mas Portugal, para além de exportar diretamente para os Estados Unidos, também exporta para países europeus, que depois fazem chegar outros produtos, produtos que levam componentes nacionais, aos Estados Unidos. Para nós, Portugal e para a Europa, isto representa um problema a nível de produção, afeta a produção, a capacidade instalada, afetará muitos construtores, mas também muitos fornecedores de primeira linha da indústria. E como Portugal depende dos seus clientes, que são esses fornecedores de primeira linha e os construtores, obviamente, temos aqui um efeito que ainda não sabemos avaliar, mas terá importância, com certeza.

Posto isto então, este efeito negativo, que soluções e de que forma é que esta indústria se pode reinventar para combater?

A indústria automóvel já sabia que alguma coisa iria acontecer em termos do seu relacionamento com os Estados Unidos. Mas há duas frentes, não só o problema dos Estados Unidos, mas há também o problema dos carros chineses que nos chegam aqui à Europa. E portanto, são duas frentes que temos que resolver. Contudo, a Europa tem que assumir que é preciso reindustrializar e que é preciso combater estas duas frentes para que a indústria automóvel não desapareça na Europa, o que significava mais ou menos 13 milhões de trabalhadores que estão ligados à indústria automóvel, portanto, seriam afetados. E também um conjunto de ecossistemas, nomeadamente o sistema de investigação e desenvolvimento que a indústria automóvel alimenta positivamente, porque é muito importante que o faça para estimular a intensidade tecnológica, o aparecimento de novos produtos, novas soluções no âmbito da transição digital e da transição carbónica. E portanto, hoje a Europa tem que olhar para isto como um problema sério, um problema que afeta os 7,5% do seu PIB e portanto, qualquer impacto negativo, qualquer que ele seja, esperemos que seja o menor possível, terá obviamente efeitos sobre a economia europeia e temos que encontrar soluções, mas que, como eu tenho já dito, as soluções não são necessariamente exportar automóveis para outros continentes, para outros países, porque hoje provavelmente o automóvel dos Estados Unidos é um pouco diferente daquele que é construído na Europa, porque nos Estados Unidos, as necessidades dos consumidores e aquilo que é o mindset do americano, provavelmente não passa por eletrificação, não passa por tecnologias que nós encontramos aqui na Europa e que os nossos consumidores estão interessados, para além de que a avaliação ambiental que um consumidor fará aí é diferente daquela que nós fazemos. Há aqui um conjunto de novos desafios e isto sendo uma novidade, não é novo, porque a Europa já tinha descontado este problema e sabia que ele ia aparecer e sabíamos que tínhamos que nos concentrar num processo de reindustrialização E de ligação e de proteção da capacidade de produção europeia, reinventando-a, melhorando-a, aumentando-a, melhorando as ferramentas da inovação e da produtividade, porque o que está em causa são também questões sociais. De alguma estabilidade social em toda a Europa, nomeadamente ao nível das pequenas empresas e muito pequenas que estão afagadas a este setor e que um problema destes pode apagar as luzes de um conjunto de empresas de pequena dimensão.

Tocou há pouco na questão dos consumidores e da forma como as exigências de um consumidor na América do Norte e na Europa podem ser diferentes e o que isso significa. Mas gostava de lhe perguntar, por exemplo, sobre a quebra de vendas da Tesla. Se faz sentido a questão do consumo ativista, digamos assim, e se pensa que isto pode ser uma tendência que pode aumentar ao longo dos próximos anos.

O consumo ativista, como se refere a esta escolha por parte dos consumidores, é algo que tem feito o seu caminho. Provavelmente, hoje perante uma ameaça mais concreta e com mais folclore, para não lhe chamar de outro nome, os consumidores reagem a isto dizendo que não, que não querem aquele produto que é construído, pensado ou concebido por alguém que tem um pensamento destrutivo relativamente àquilo que são os princípios europeus e de preservação ambiental. Portanto, penso que isso não é de estranhar, mas tem tudo para poder aumentar esta bola de neve, porque aquilo que eram há uns tempos, e que se vê não só no produto automóvel, mas noutro tipo de produtos, até nos têxteis, se veem estas opções dos consumidores e que numa primeira fase eram muito uma questão de nicho, hoje já têm uma expressão maior do que tinham há cinco anos, por exemplo, que é um exemplo antes da pandemia. Hoje já tem outro, porque também a pandemia acabou por influenciar não só numa perspetiva do valor, dos valores, mas também dos conceitos ambientais, mas também estéticos e, portanto, há todo um novo quadro sobre o qual os consumidores reagem.