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E agora o Três Toques com Bruno Vieira Amaral.
O Três Toques que tem hoje uma história muito interessante do tênis, que viu neste passado fim de semana o tenista com o ranking mais baixo de sempre a conquistar um Masters 1000. Os Masters 1000 são os torneios mais importantes a seguir aos Grand Slams. E foi um tenista do Mônaco, Valentin Vacherot.
Valente.
Valente. Que estava no 204º lugar, número 204 do mundo, conseguiu ganhar um torneio do Masters 1000. Para darmos um exemplo, Portugal nunca teve nenhum tenista a conquistar um torneio desta envergadura, com esta dimensão. E também nunca tinha havido um tenista com o ranking tão baixo a conquistar esse torneio, portanto, é um feito notável para este tenista, que ainda por cima defrontou na final quem? Um primo. É o primo. Defrontou o tenista Arthur Rinderknech e ganhou. Mas são primos. E ele tem uma dívida de gratidão em relação ao primo, agora que aumentou. Mas porque o primo sempre o incentivou e há fotografias que foram divulgadas também nas redes sociais deles aqui há uns anos, quando ainda eram miúdos, que já se acompanhavam e já treinavam juntos. E agora encontraram-se nesta final. Houve muitas lágrimas no final do torneio.
Imagino. Tudo em família.
Tudo em família, ficou tudo em família, mesmo que ele tivesse perdido, mas ganhou. Não sei se foi um bocadinho da emoção do primo também a contribuir para isso.
Pois, agora que falas, gostava de ver esse jogo.
Se pode ter tido ali-
Se há alguma complacência da parte do primo.
Olha, pelo menos ganhou, e ganhou também muito dinheiro, que é preciso muito dinheiro para se conseguir ter uma carreira profissional no tênis. Eu aproveito aqui uma outra notícia.
Para viver no Mônaco também.
No Mônaco, eles até vão pra lá de propósito para pagar menos impostos.
Mas isso é quando já são ricos.
Pois, mas para quem está lá, de facto, só os ricos é que vão pra lá. Mas Dominic Thiem, o ex-tenista austríaco, explicou que o tênis continua a ser um desporto para ricos. E deu como exemplo, não só a sua história, mas de outros tenistas, que entre os 13 e os 18 anos, para participarem-
Os três?
Os 13 e os 18 anos, para participarem nos torneios de juniores, no circuito júnior, têm de investir em média cerca de 1 milhão de euros. E de facto não é para todos, porque nessa altura eles não ganham prêmios pelos torneios que compense, e já têm de ter ali uma equipa.
É um investimento.
Claro, é um investimento que nem todos, por muito talento que alguns tenham, conseguem ter. Há aqui umas formas de tentar contornar isto. Por exemplo, já há empresas que financiam as carreiras destes tenistas mais promissores com um acordo depois, que é aquilo que se faz um pouco na educação nos Estados Unidos para se ir para o ensino.
E depois quando começas a ganhar, pagas.
Exatamente, pagas com os teus rendimentos. É uma espécie de fundos que apostam na carreira dos jogadores e depois têm esse retorno se o tenista tiver sucesso. Mas demonstra que, de facto, o tênis, apesar de ser um desporto belíssimo, continua ainda a não ser um desporto acessível para todos. Por último, mas não menos importante, é a grande notícia do dia, eu diria do ano, de sempre. Cabo Verde está no Mundial de Futebol 2026.
Espetacular.
Eu ontem estava a ver.
Uma grande festa.
Uma grande festa em Cabo Verde e um pouco por todo o mundo, onde há comunidades cabo-veridianas, como em Portugal. Cabo Verde, que já podia ter tido grandes seleções, basta pensar em jogadores que representaram Portugal e que podiam ter representado a seleção de Cabo Verde. Basta pensar, por exemplo, em Nani, mas muitos outros. Mas desta vez conseguiram mesmo este apuramento, que é um apuramento histórico. É o segundo país africano de língua oficial portuguesa a chegar a um mundial. Angola já tinha conseguido este feito em 2006, que na altura calhou no grupo de Portugal. Portanto, tivemos um Portugal-Angola a abrir o Mundial 2006 para Portugal e seria de facto extraordinário, para já, que Portugal conseguisse o apuramento.
Também, não era?
E que depois houvesse um encontro entre esses dois países que têm tantas ligações. Muitos parabéns à seleção de Cabo Verde, aos Tubarões Azuis.
Devíamos tentar ter cá alguém.
É verdade. Eu queria convidar um antigo capitão da seleção de Cabo Verde, Marco Soares.
Ainda está a celebrar a história.
Do meu bairro. É verdade. Eu ainda tentei aqui encontrar o contact dele para o convidarmos, porque apesar dele já não jogar e de nunca ter tido esta oportunidade, certamente estará muito feliz e a festejar.
E se conheceres alguém que faça uma boca chupa, também.
Também pode ser.
Mas aí vens tudo mesmo.
Mas logo a seguir também é. Umas cervejas delas.
Muitos parabéns a Cabo Verde e à seleção nacional de Cabo Verde por este feito histórico.