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Esta é a última chamada da Rádio Observador. Desafiámos os oito cabeças de lista às legislativas dos partidos com assento parlamentar para uma última conversa conosco, depois de um longo dia de campanha. O que vamos ouvir é uma versão editada das conversas para passarem na rádio. As conversas na íntegra estão disponíveis em podcast no site do Observador. Organizamos as conversas do menos para o mais votado nas últimas legislativas. Nem Luís Montenegro nem Pedro Nuno Santos aceitaram o nosso convite. André Ventura não conseguiu dar uma resposta em tempo útil. O líder do Chega tem tido episódios de saúde que o têm impedido de participar em ações de campanha. Eu sou a Maria João Simões. E começamos esta ronda de últimas chamadas por Inês Sousa Real. A líder do PAN tenta manter o partido no Parlamento e sempre que pode, vai dormir a casa. O Mikas agradece.
Estou, Inês Sousa Real.
É Inês Capucho do Observador. Como está?
Bem, obrigada, Inês. E contigo igualmente bem.
Bem, obrigada. Começou o dia na Feira do Espinho, ainda esteve em Coimbra, termina o dia em Lisboa, já está por casa?
Ainda não, ainda estamos aqui em viagem, quase a chegar a Lisboa. Mas de facto hoje foi um dia muito preenchido entre vários distritos, contactámos com muitas pessoas.
Tem feito várias ações por dia, o cansaço já se faz sentir? E como é que aproveita estas viagens de um lado para o outro?
Nós aproveitamos as viagens não só para trabalhar e para podermos planear ou ajustar aquilo que vão ser as próximas horas e os próximos dias, porque as campanhas são sempre muito dinâmicas e têm sempre várias dimensões que têm que ser tratadas, quer das confirmações ou até mesmo alterações de última hora que são necessárias fazer. Aproveitamos também a viagem para descontrair, para podermos ouvir música, falar um pouco entre nós, mas acaba por ser um ritmo um pouco diferente do nosso dia a dia, em que andamos a ter contacto com vários locais da população e do país, mas também aproveitar um pouco estes momentos para descontrair do ritmo da campanha.
Há alguma música em especial que a acompanhe nesta campanha eleitoral?
Bom, nós temos uma própria música do PAN, a "Levantar do PAN", músicas partidárias à parte. Eu gosto muito também de ouvir Alicia Keys, Beyoncé ou até mesmo o Drew Barrymore com o "Find Your People", que no fundo é um pouco aquilo que andamos a fazer aqui na estrada. Que é agregar diferentes preocupações e diferentes pessoas que simpatizam com a causa do PAN para que se juntem a nós.
A opção de regressar a Lisboa é para matar saudades do gato Mikas? Tem tido tempo para ele?
Também. Eu tento evitar ao máximo estar muito tempo fora de casa, que é o cuidado que tenho com o Mikas, apesar de ele ficar sempre aos cuidados, neste caso, dos meus pais e também dos meus irmãos, que o ajudam quando tenho que estar fora, mas nunca é a mesma coisa do que chegar a casa e tê-lo à porta a receber-me. E poder matar saudades no tempo que não estou com ele.
Entrámos na semana final da campanha eleitoral, portanto, é a reta final para alcançar o objetivo de um grupo parlamentar. Está confiante? No ano passado, este também era o grande objetivo do PAN e acabou por permanecer sozinha na Assembleia da República.
Nós temos agora, no dia 18 de maio, a oportunidade de reeleger um grupo parlamentar. Em 2024 ficámos a 800 votos de conseguir um grupo parlamentar, eleger um deputado no distrito do Porto. Este ano foi um ano muito desafiante. É muito difícil ser deputada única, apesar de sermos o partido que mais medidas tem aprovado na Assembleia da República nestes dois últimos anos, nestas duas legislaturas diferentes. Isso não significa que não exija também muito trabalho pessoal e muito esforço quando temos de fazer aquilo a que chamamos pôr esporrar ao nosso tempo pessoal e à família.
Ao longo dos últimos dias, já aconselhou silêncio a Marcelo Rebelo de Sousa, mas também garantiu que o PAN não vai viabilizar qualquer solução de governo que inclua o Chega. É caso para dizer, e faço-lhe aqui uma provocação, que está a colocar as garras de fora?
Bom, não seria isso de todo, até porque respeito muito a figura institucional que é o Presidente da República. Essa questão tinha um contexto muito concreto, que era poder ser interpretada o conselho de Marcelo Rebelo de Sousa constar a atuar ao voto útil na AD. E tendo em conta que Marcelo Rebelo de Sousa é o presidente de todos os portugueses, o meu apelo é que, neste caso, não houvesse uma interferência na campanha eleitoral, precisamente porque o que os portugueses este tempo precisam é de votar de forma útil nas causas em que acreditam, e não em partidos que têm provocado esta instabilidade no país. No que diz respeito ao Chega, o PAN tem sido sempre muito claro desde o primeiro momento. Nós não alinhamos com partidos que põem em causa a democracia, que põem em causa valores humanos fundamentais como a não discriminação e até mesmo a igualdade, que são a favor das touradas, mas que dizem que são muito amigos dos animais de forma completamente antagónica. E por isso mesmo, e que também são negacionistas do clima. Sabemos que o Chega teve não uma, mas 50 oportunidades com o grupo parlamentar de 50 deputados de não faltar ao país e, no entanto, só provocaram instabilidade no Parlamento e tiveram muitas oportunidades de votar ao lado de propostas fundamentais para os portugueses e não o fizeram. E por isso mesmo, tenho muita consciência que mesmo sendo uma deputada, valhei mais do que os 50 deputados do Chega e que, inclusivamente, temos sido o partido que não só tem conseguido aprovar medidas muito diferentes para a vida das pessoas. Os €79 para as pessoas com deficiência, em termos de majoração do abono que recebem, as vítimas de violência doméstica poderem aceder ao Porta 65 para habitação, a maior verba de sempre para a causa animal de 14,5 milhões de euros e meio, ou até mesmo a moratória para o fim da mineração em mar profundo, garantindo uma maior proteção ambiental também naquilo que é a dimensão marinha. E por isso mesmo O PAN parte com a legitimidade de, por um lado, dar a conhecer aquilo que tem sido o nosso trabalho, o nosso compromisso sério com as causas dos portugueses, e por outro, pedimos não só o grupo parlamentar, mas também podermos, de alguma forma, não deixar passar aquilo que tem sido uma tentativa de branquear uma certa imagem ou uma normalização do Chega, porque o pior que poderia acontecer ao país era termos um recuo de 50 anos de democracia ou termos um partido como o Chega a ter qualquer tipo de poder decisório na governação e nos destinos do país.
Uma das iniciativas que o PAN também defende são as segundas-feiras sem carne nas instituições públicas, como nos estabelecimentos de ensino e no Parlamento. Porque o dia em que esta chamada está a ser gravada é segunda-feira, o que é que almoçou e o que é que vai jantar?
Muito bem. Nós, por acaso, como estamos aqui na estrada, o almoço hoje não foi muito saudável, foi pizza vegana, mas porque efetivamente acabámos as ações muito tarde e como tal acabámos por não ter grandes alternativas. Neste caso, chegando a Lisboa, espero poder finalmente comer uma refeição mais confortável em casa e irei eu fazer. Estava a pensar fazer uma carbonara vegetariana, precisamente, que não só é rápido, mas também utilizando a soja, a proteína da soja ou até mesmo o tofu desfeito. Espero depois ter um bocadinho de tempo para cozinhar e desconectar um bocadinho da campanha e aproveitar também para rever algumas coisas que tenho para fazer por casa.
E nestes dias tão atarefados, com quem costuma ter a última chamada do dia?
Normalmente com a minha mãe, até mesmo para saber se está tudo bem, sobretudo quando estou na estrada, seja para ter também notícias únicas e portanto falo sempre com os meus pais e para conhecer se estão todos bem, porque apesar da distância, estão sempre à distância de um telefonema e procuro saber sempre quem é que está bem com eles ou não.
Muito obrigada por esta chamada, Inês, e um bom descanso.
Inês Sousa Real, líder do PAN, entrevistada pela jornalista do Observador, Inês Capucho, no dia 12 de maio, à noite. E Rui Tavares atendeu o telefone também na noite de segunda-feira, dia 12. Uma conversa que andou entre os objetivos de campanha e a família, com destaque especial para a filha Helena.
Alô?
Estou, Rui Tavares.
Alô.
Como está? Rui Pedro Antunes do Observador. Estou a ligar, não sei se já está a sentir um bocadinho o desgaste da campanha e também pelo adiantar da hora, como é que tem sido esta campanha?
Como qualquer campanha, e para ser completamente honesto acerca disso, ela tem altos e baixos. Poderíamos dizer que vai sempre em crescendo, mas na verdade, durante um dia, a gente passam por como se fosse vários dias de uma semana normal e às vezes já não se lembra exatamente em que dia da semana é que está, porque acontecem muitas coisas. Nós hoje começámos na Pontinha, acabámos no Seixal, por acaso foi tudo aqui na zona da Grande Lisboa, mas com temas muito diferentes. E, portanto, uma campanha tem muitos acontecimentos ao mesmo tempo e às vezes quem anda no centro de uma campanha não consegue estar tão informado sobre o resto das campanhas que os outros estão a levar a cabo, como quem está de fora simplesmente a seguir a campanha através do Observador, por exemplo.
Eu vi que teve a dar uma festinha a um gato, não é uma pele de um vilão, uma espécie de um vilão. Foi hoje?
Não, aquele foi o momento fofinho do dia, porque nós fomos ao Seixal, a um centro comunitário, no fundo, é uma associação de vizinhos que começou a preocupar-se com os animais errantes, que é uma questão de bem-estar animal, mas também é uma questão de saúde pública. Conseguiram ter algum apoio local da freguesia para poder ter um terreno e uma casa onde desempenharam o seu papel, mas também fomos alertar para a necessidade de haver uma estratégia nacional para esse tipo de coisas, porque com o voluntariado e as redes, umas mais formais, outras mais informais, que se vão criando, pode conseguir resolver-se um problema sério. E, portanto, uma estratégia nacional para os animais errantes passa por aí. Mas claro que, na verdade, o momento alto é estar com um gatinho pequenino ao colo.
Creio que tem dois gatos e também não sei se aproveitou agora para estar um pouco com a família, sei que a protege mais. O ano passado foi um bocadinho forçado ter que falar dos seus filhos num debate com o André Ventura. Não sei se já teve a oportunidade de estar com eles. Sei que não os quer expor muito.
Sim, hoje ainda deu para estarmos um bocadinho juntos. Cheguei às 20h30, deu para os deitar. Tínhamos quatro gatos, agora só temos três. Ainda lhes mostrei a foto do gatinho do dia, mas acho que não vamos adotar mais nenhum.
Os líderes políticos, alguns até, principalmente o Pedro Nuno Santos, passou a introduzir a mulher na campanha, o Luís Montenegro já há muito que se faz acompanhar da mulher e até agora apareceu também o filho. O uso da família na campanha é uma coisa que lhe parece que é legítimo?
É uma coisa que depende do equilíbrio e é um equilíbrio que cada um de nós traça e tenta encontrar. Não é também sempre igual em todos os momentos da vida. E eu aqui quero ser justo com as outras pessoas que estão a fazer campanha, com os outros candidatos e candidatas. Depende muito da idade que têm os filhos, da nossa própria personalidade. Nesta campanha aconteceu uma coisa que não estava à espera, numa das entrevistas que dei, perguntaram pela minha filha mais nova, que tem necessidades especiais, e pela primeira vez perguntaram-me exatamente o que é que era, e então senti a obrigação de Fazer alguma pegadilha para falar acerca da Trissomia 21, que é a condição dela, e o que isso significa, por exemplo, para pais que não estão à espera e aprendem pela primeira vez. Eu ano passado não teria falado disso. Este ano, naquele momento, percebi que se me calasse acerca do assunto, estava a ajudar a criar um estigma. Agora é sempre um equilíbrio dificílimo de achar. Estou a falar quase com o coração nas mãos acerca disso, porque também sabemos que hoje em dia é muito fácil a gente a seguir, ir ver as reações ao que nós dissemos e encontrar aquilo que nós dissemos completamente distorcido.
Tem trocado mensagens com a Mariana Mortágua, com o Pedro Nuno ou até com o Paulo Raimundo nesta campanha ou não?
Encontrámo-nos várias vezes durante os próprios debates e falámos de viva voz. Nos últimos dias não tem havido esses contactos, que normalmente são reservados para o caso de haver alguma coisa que corra mal, algum mal-entendido que precise ser esclarecido antes de ir àquele espaço.
É um espécie de telefone vermelho, no sentido se calhar até mais literal, porque são todos vermelhos.
Eu acho que ele deve funcionar, esse telefone, no momento em que, ainda antes de alguém vir fazer uma declaração à imprensa que gere fogo amigo, poder alertar os outros. Eu, de qualquer forma, na campanha que o LIVRE tem feito, tenho estado concentrado a dizer isto às pessoas. Neste momento, há duas alternativas de governo. Ou é a aliança de Montenegro e da Iniciativa Liberal, aquilo a que eu chamo a aliança do montenegrismo e do montesserismo, ou então é uma alternativa de progressistas e de ecologistas, na qual o LIVRE desempenha um papel determinante.
E mais quem? PS, LIVRE e mais quem?
Os outros partidos não foram ainda claros ao tipo de papel que poderiam ter, se é um papel de apoio parlamentar, se é um apoio de assinar um acordo ou um programa de governo por escrito. O LIVRE diz que pode ser qualquer uma destas coisas, mas o LIVRE está capaz de desempenhar funções executivas e achamos que esse é um tabu que também precisa de ser quebrado na política portuguesa. Se somos parte de uma família política europeia que já desempenhou várias vezes funções executivas em vários países.
Numa referência que certamente não irritará o Rui Tavares, pelo contrário, como diria o José Afonso, é bem-vindo quem vier para o bem, portanto, por parte do LIVRE, essa coligação pode integrar todos, incluindo o PCP.
Não, calma lá.
Todos à esquerda.
Isto faz-se a partir dos conteúdos e, portanto, desde que os partidos estejam de acordo com alguns conteúdos que para nós são essenciais para começar a conversar, e esses, vou repeti-los muito rapidamente, que eu sei que temos pouco tempo. Dois em relação à governabilidade e à governação, na verdade. A questão ética do primeiro-ministro não pode ter empresas deste tipo. Ministros e ministras devem vir à audição parlamentar prévia. Não à privatização do SNS, sim a investimento reforçado na educação e na habitação. Jamais abandonar a Ucrânia, e este é um ponto essencial, e aí não sei como é que os outros partidos se posicionarão em relação a ele, e o reconhecimento da independência da Palestina logo nos primeiros tempos de um governo que o LIVRE participe ou que o LIVRE apoie.
Rui Tavares, muito obrigado e bom resto de campanha que ainda exista.
Obrigado, boa noite.
Boa noite.
Rui Tavares, líder do LIVRE, numa entrevista conduzida pelo editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes. Seguindo a lista dos menos para os mais votados, ouvimos agora a conversa de Paulo Raimundo com o jornalista João Gama. O secretário-geral do PCP está confiante nos resultados e na campanha.
Estou sim, boa noite.
Estou sim, Paulo, como está? Boa noite, tudo bem?
Sim, vivo, boa noite, tudo bem. Obrigado.
Paulo, o fim de semana enganou-nos, mas hoje voltámos à estrada com uma das agendas mais apertadas da campanha. A surpresa foi bem empregada aos jornalistas. O que eu lhe queria perguntar era se já alguma vez parou tirar tantas selfies com o Marção Rebelo de Sousa numa ação de campanha. Eu estive a contá-las e passaram as largas dezenas.
Olhe, foi uma receção muito calorosa. Meio a brincar, meio a sério, até afirmei que ontem no comício em Lisboa, no grande comício em Lisboa, deu-nos muita confiança, pedi um sobressalto à juventude. E a juventude correspondeu a esse apelo. Foi uma receção muito calorosa na António Arroio. Aliás, como tem sido assim um pouco toda a campanha, mas de uma forma muito intensa. Foi bom. Dá-nos também confiança.
E também admitiu nessa ação de campanha que já não tirava tantas fotografias desde o dia do seu casamento.
Sim, do ponto de vista do momento concentrado, foi uma comparação que corresponde à realidade.
O Paulo sente-se mais à vontade nesta que é a segunda vez como secretário-geral numa campanha da CDU. O Observador escreveu um texto a falar de um tal Paulo Raimundo 2.0. Sente-se um Paulo Raimundo 2.0?
Não, sabe que eu acho que é normal, que nós vamos ganhando mais à vontade e um certo traquejo, diria assim. As pessoas podem não ser mais felizes, mas penso que é compreensível. E eu gosto particularmente do contacto direto, de estar com as pessoas, de ir à conversa, de contactar, de viver a realidade, diria assim. Já me tinha deixado à vontade nesse aspeto nas últimas eleições, na última campanha que fizemos, mas penso que é normal e acho que é compreensível que vamos ganhando. Não é tanto um problema de confiança, mas é mais à vontade, diria. E acho que é normal. Está a correr muito bem a campanha desse ponto de vista, eu acho que é positivo.
Há um ano, Paulo, falámos também aqui para a última chamada da Rádio Observador. O que eu lhe queria perguntar era se espera que a próxima última chamada aconteça daqui a quatro.
Olhe, como as coisas estão, já não tenho a certeza, já não digo nada. O que eu espero, sinceramente, é que na próxima nossa conversa, na última chamada, sejamos já uma conversa com a CDU com mais força, mais votos, mais deputados, que é isso que penso que serve o nosso povo e também uma grande garantia para os direitos que se impõem, para o caminho que se impõe. Relativamente a se é daqui a quatro anos, se é daqui a menos, como as coisas estão, já não posso garantir nada.
Paulo, e aproveito para fazer uma provocação. Já fez durante esta campanha alguma última chamada a outro líder que também esteja em campanha eleitoral?
Não.
Nem um SMS?
Nada. Já lhe digo. Não fiz nem chamadas, nem SMS, nem nada e não estou a ver nenhuma razão particular para até ao final da campanha fazer. A não ser que haja algum acontecimento que por esta ou por aquela razão exija, espero que não aconteça nada que exija esse contacto.
Claro, Paulo. O PCP é muito focal nos direitos laborais. Quer reduzir as horas de trabalho durante uma semana de trabalho para menos das atuais 40 horas semanais. O Paulo está a trabalhar bem mais do que isso nesta campanha, não está aqui a fazer um mau serviço pela causa do PCP.
Não, pelo contrário, eu estou a empenhar toda a minha força e todo o meu tempo para que isso seja uma realidade na vida de todos. É exatamente o contrário, é todo o meu tempo e todo o meu esforço para que isso seja uma realidade na vida de todos e penso que é justa essa reivindicação, tendo em conta numa altura em que nos dizem que a inteligência artificial e a tecnologia vai roubar todos os empregos, todos os trabalhos. Há aqui uma contradição quando ao mesmo tempo que dizem isso, querem que trabalhemos mais horas, mais dias, mais anos. Há aqui uma contradição insanável que queremos resolver.
Paulo, tem feito esforço para ir dormir a casa todas as noites, a seguir um dia de campanha bem preenchido como foi o caso de hoje?
Sim, quando é possível, quando o calendário permite. Quando é possível, sim, procuro fazer isso. Até te posso fazer aqui uma confissão à última da hora, que é nesta última chamada, que também permite, sempre que possível, gosto de acompanhar os meus filhos e amanhã tenho a felicidade, o calendário permitiu levar a minha filha à escola, para mim é sempre uma alegria. Se calhar é mais para mim do que para ela, mas isso já é outro problema.
A filha ainda não pede ao pai para a deixar na beira da estrada para não ser o pai a ir entregá-la diretamente à escola.
Mais ou menos. Já vai ganhando essas manhas, que é natural. Temos que respeitar também.
Claro, sendo que o Paulo também tem uma cadela, uma tartaruga, até um ninho de andorinhas.
Dois ninhos de andorinhas. Que são muito bonitas, é muito emocionante, mas faz uma lixeira muito grande.
Imagino que sim. Paulo, no programa Bom Partido, do Guilherme Geirinhas, admitiu que ouvia o Alberto Gonçalves, que é um comentador da Rádio Observador, e também que uma das suas bandas favoritas é os Metallica. E o que eu lhe queria perguntar é: faltam alguns dias para acabar a campanha, se tivesse que só ouvir um até o final, qual é que escolhia?
Só um? Essa é uma pergunta difícil, mas eu vou dizer. Se calhar os Metallica, só por uma razão. É porque o calendário que temos é muito apertado, muita iniciativa. Aliás, hoje, como sabem, foi um dia assim, e eu gosto de ouvir o Alberto Gonçalves em direto, diria assim, e não tanto em podcast. E portanto, os Metallica têm a vantagem de nós podermos escolher a hora que quisermos ouvir. E não faltará a oportunidade de ouvir o Alberto Gonçalves.
Paulo, e uma última pergunta. Se um amigo lhe pedisse um conselho para comprar uma bilha de gás na sua zona, na Moita, onde é que recomendaria?
Na estação de serviço da Galp em Alhos Vedros, que é o melhor sítio, porque é o que fica mais perto da minha casa. Aproveitávamos, comprávamos o gás e fazíamos uma jantada, que era um dois em um.
Paulo Raimundo, muito obrigado por esta última chamada da Rádio Observador. Boa noite, obrigado, bom descanso.
Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, entrevistado por João Gama na noite de segunda-feira, dia 12 de maio. Estamos na última chamada da Rádio Observador, em que desafiamos os cabeças de lista às legislativas para uma última conversa do dia, já no regresso a casa ou no hotel. Esta é uma versão compacta das várias chamadas que fizemos. Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos recusaram o nosso convite. André Ventura, que tem tido problemas de saúde, que o obrigaram a sair da campanha, não conseguiu responder em tempo útil. Ouvimos agora a conversa entre Mariana Mortágua. A líder do Bloco de Esquerda falou com o jornalista do Observador, Miguel Pereira Santos, a quem manifestou confiança num bom resultado.
Boa noite, Mariana Mortágua. Como está, tudo bem?
Estou bem.
Como é que tem corrido esse porta a porta? A Mariana também já esteve numa dessas ações, certo?
Sim, na verdade, tive em várias ações. Tenho feito porta a porta, já fiz no Porto, em Leiria, em Lisboa.
O Fabián Figueiredo falou mesmo em milhares de casas a que os simpatizantes do Bloco já foram. Acompanha esta estimativa?
Sim, nós temos as estatísticas e temos esses registos que foram literalmente milhares de casos. Eu estava a atualizar esses registos em Braga com o Francisco Louçã e são milhares só em Braga. E é uma experiência muito interessante, porque nós conseguimos ouvir as pessoas e perceber o que elas nos têm a dizer. E desconstruir muitas vezes coisas que é impossível desconstruir nas redes sociais, que é impossível desconstruir em dois segundos de televisão, que é impossível explicar em dois segundos de televisão ou em dois segundos numa rede social. Nós sabemos como a política resumida à rede social é uma política, porque a extrema-direita tem tantas mensagens de ódio e é tão fácil transmiti-las, porque é uma política de provocação, de ódio, de divisão.
Mas este ano o Bloco também tem apostado forte, podemos dizer assim, nas redes sociais e em tentar chegar aos mais jovens por essa via. Qual é que é a estratégia aí?
Bom, nós reconhecemos que as redes sociais são um elemento crucial da comunicação e da política e da comunicação política hoje em dia. Não minimizamos essa importância, sobretudo nos jovens, mas não só, acho que é transversal. E queremos usar esse meio de comunicação e queremos usá-lo para transmitir a política e não aceitamos que as redes sociais sejam o espaço e o feudo da extrema-direita. Embora saibamos que são regras sempre viciadas no jogo. As redes sociais promovem essas mensagens de ódio, promovem essas mensagens de violência, promovem muitas vezes mensagens de misoginia contra as mulheres, e nós queremos ocupar esse espaço. E por isso fizemos um esforço nesta campanha para estar nos sítios onde sabemos que as mensagens são transmitidas e fazê-lo da melhor forma possível e sempre em respeito pela verdade, pela mensagem política, mais do que outra coisa. Mas compreendemos também que isso não é suficiente.
E como é que a Mariana se está a sentir agora neste segundo ano seguido a liderar esta campanha pelo Bloco de Esquerda? Imagino que há dois anos, quando foi eleita coordenadora nacional, não estava à espera de por esta altura já ser pela segunda vez candidata a primeira-ministra.
Não estava à espera, estava à espera de ser, mas um pouquinho mais tarde. Acho que perguntar-me como é que eu me estou a sentir à meia-noite e meia de um dia de campanha é sempre muito arriscado.
É para isso que serve a Última Chamada.
Exato. Não, mas estou bem e com muita energia e acho que é óbvio que nenhum de nós esperava duas campanhas, ainda mais sabendo que esta última é feita num cenário em que as pessoas estão muito fartas, não percebem por que é que há eleições, provocar eleições com um primeiro-ministro que não quer dar explicações sobre uma empresa que tem uns negócios muito mal contados. Tudo isto contribui para um sentimento que não favorece uma campanha de ideias e de propostas. E nós estamos a tentar transformar a campanha nisso mesmo, em propostas e em ideias. E acho que é uma vantagem termos tido duas campanhas em tão pouco tempo. Vamos aprendendo. E a reflexão que fizemos sobre a última e sobre os modelos de campanha, sobre a forma como a política se adapta a formatos televisivos que depois não significam nada, não falam com as pessoas, não ouvem as pessoas, não passam mensagem nenhuma, é isso que nos leva a mudar esta campanha. E havia muitas coisas que nós já estávamos a pensar em mudar. O porta a porta é um desses exemplos. Nós já estávamos a pensar em fazer o porta a porta mesmo sem ter campanha e ter uma campanha obrigou-nos a repensá-la e a pôr a política no centro da campanha e não só a parte da comunicação.
Eu queria lhe perguntar aqui por uma questão sensível, que foi uma notícia que marcou, de certa maneira, o partido no ano passado, que foi o despedimento das mães que eram funcionárias do partido. Pergunto-lhe isto, sei que a Mariana já falou sobre o assunto, mas pergunto-lhe no sentido em que tendo agora esse contacto próximo com a população, está de consciência tranquila sobre o caso, em explicá-lo às pessoas ou há aqui alguma coisa que ainda é, de certa maneira, como uma nuvem?
De todo, esse caso foi explicado mil vezes e é uma coisa que eu nunca disse e que é verdade, nunca ninguém na rua me perguntou por isso. Só quem me pergunta são jornalistas. Sempre a mesma pergunta e eu explico sempre, claro, e esclareço, mas nunca ninguém na rua me perguntou por isso.
Para terminar e para a deixar ir descansar para casa, gostava de lhe perguntar-
Casa é pedir muito, mas descansar, espero.
Gostava então de lhe perguntar sobre as expectativas para o resultado eleitoral, se o Bloco vai ser a grande surpresa da noite, como disse também o Fabián Figueiredo.
É isso que nós sentimos. Nós sentimos que vamos crescer, sentimos muita gente a juntar-se. E acabamos de sair de um comício em Braga em que deixámos dezenas de pessoas à porta porque a sala estava lotadíssima e não deixavam que entrasse mais ninguém. E esta está a ser a nossa campanha e por isso, sim, muito otimismo e sentimos, obviamente Que vamos crescer e que as pessoas estão a perceber a mensagem, estão a perceber a importância do voto no Bloco para mudar as coisas.
Portanto, confiante num bom resultado eleitoral. Mariana Mortágua, deixo-a ir. Muito boa noite.
Obrigada. Boa noite. Bom trabalho.
Obrigado.
Mariana Mortágua, líder do Bloco de Esquerda, entrevistada na noite de dia 13 de maio por Miguel Pereira Santos. E Rui Rocha conversou com Mariana Lima Cunha na noite de 12 de maio. O líder da Iniciativa Liberal fala de objetivos e do incidente com o pó verde e confessa que não é dele a ideia de leiloar o fato atingido pelo ativismo climático.
Estou sim?
Estou sim, Rui Rocha. Boa noite, é a Mariana do Observador.
Olá, Mariana.
Como está?
Tudo bem.
Já está aqui na parte final do dia. Já esteve aqui a referir que é um dia de grande mobilização aqui no Algarve. Não sei se está cansado.
Não, a mobilização dá-nos energia, portanto, está tudo na energia máxima ainda.
Já agora, deixe-me perguntar-lhe, porque estamos aqui nesta última chamada do seu dia, se já teve muitas chamadas com Luís Montenegro, porque um dos temas da campanha tem sido como revelou esta semana, que houve muitos contactos, até alguma pressão da AD para chegar a um acordo pré-eleitoral com a Iniciativa Liberal. Já teve assim muitas chamadas com Luís Montenegro?
A partir do momento em que foi claro da parte da Iniciativa Liberal que não havia outra alternativa, nem outro cenário que não fosse avançarmos com listas próprias, a partir daí cada partido dedicou-se obviamente à sua campanha.
O telefone parou de tocar.
Relativamente a essa questão de um entendimento pré-eleitoral, sim, tem tocado por muitos outros motivos, mas não esse.
Isto agora é irónico eu fazer-lhe esta pergunta agora, mas ia lhe perguntar se a parte mais difícil da campanha tem sido evitar que gire à volta da questão dos entendimentos e da AD.
Bom, é um pouco-
Você tem tido assim alguma dificuldade maior?
Não, quer dizer, não é uma dificuldade, eu percebo o interesse jornalístico. Eu já fui muito claro no sentido de afirmar que a Iniciativa Liberal não é um partido de protesto, não é um partido de governação para ficar tudo na mesma, é um partido de governação para mudar o país. E, portanto, percebo o interesse jornalístico. O que procurei evitar é que a discussão se mantivesse apenas nos casos ou nos cenários, porque me parece muito importante, de facto, apresentar soluções aos portugueses. Eu vejo que a Iniciativa Liberal, com todo esse interesse sobre os cenários, tem conseguido também apresentar propostas, tem conseguido falar aos portugueses e tem sido, por isso, também alvo de muitos ataques de diversas áreas.
É quase sempre assunto nas outras campanhas.
Tem sido. É um bom sinal, é um sinal de que, de facto, aquilo que nós queríamos, que era desafiar o país, desafiar os portugueses para um Portugal diferente, tem desafiado também os outros partidos. Isso é um sinal positivo do ponto de vista da Iniciativa Liberal.
Já agora, como estava a perguntar sobre os ataques que vêm de outras campanhas, costuma passar muito tempo na campanha a ver notícias? Tem quem lhe vá contando, como é que faz? Para se manter a par do que acontece.
Na verdade, não. Procuro ver de forma resumida, porque senão ficamos muito fechados. E se eu estivesse a dedicar muito tempo ao que se diz nas outras campanhas, tenderia a responder mais, tenderia a focar-me mais no que os outros dizem.
Ia-lhe perguntar, porque nós estamos a conversar no dia a seguir a ter sido alvo daquele ataque com o pó verde de dois ativistas climáticos. Queria lhe perguntar o que é que lhe passou pela cabeça quando está no palco, vê aqueles dois jovens a chegar, o que é que lhe passa pela cabeça naquele momento?
Passa-me pela cabeça que nós defendemos a liberdade, a liberdade para todos e obviamente defendemos também a nossa própria liberdade, porque respeitamos muito a liberdade de todos os outros e, portanto, respeitamos muito também a nossa.
Eles chegaram a fazer-lhe alguma pergunta?
Perguntaram basicamente se eu aderia a uma determinada visão climática para 2030. Eu insisti que teria todo o gosto. Obviamente não ia responder sobre isso, sob ameaça de alguma maneira. Portanto, que teria todo o gosto em falar com eles sobre esses e outros temas no final.
E surgiu logo a ideia de leiloar o fato? Não sei se foi ideia sua.
Não, não me passou pela cabeça. O que me passou pela cabeça foi que não podia permitir que este ataque à democracia, se quisermos, que condicionasse de alguma maneira o evento e que as razões que nos levavam a estar ali saiam ainda mais reforçadas e que, portanto, eu queria mesmo levar a minha intervenção até ao fim, porque considerava que era muito relevante. Já era antes de isto acontecer e depois passou ainda a ser mais, porque temos que afirmar essa nossa liberdade perante os ataques à liberdade e à democracia que nos fazem.
Queria lhe perguntar se nota muita diferença na notoriedade que vai tendo. Já fez uma campanha em que havia bastante gente que ainda não o reconhecia. Esta campanha também não é que seja a campanha com mais eventos do estilo de arruadas, etc., em que há mais cruzamento com pessoas na rua, mas nota diferenças nesse sentido?
Sim, há uma grande diferença entre 2024 e 2025 em vários pontos. Um é esse da notoriedade pessoal, digamos, que manifestamente é muito maior. A mobilização pra campanha é também maior e o entusiasmo e a forma recetiva como todos ouvem as propostas da Iniciativa Liberal é completamente diferente. É por isso que estamos absolutamente convictos que a Iniciativa Liberal vai ter um bom resultado no dia 18.
Não fica cansado quando ainda fica até tarde com os jovens a beber cerveja no autocarro da Iniciativa Liberal? Algumas até de penalty, já vi nas suas redes sociais, depois de um dia de campanha.
Não, pelo contrário, isso dá-me uma tremenda energia, porque eu creio que a ação política se faz obviamente para todos. Mas é uma enorme responsabilidade fazer política para o futuro, política para os jovens e dá muito sentido a toda esta luta política, que depois tenhamos o entusiasmo e a recetividade dos jovens à volta da Iniciativa Liberal. Portanto, isso dá-me, ao contrário, não me dá de todo cansaço, dá-me uma energia adicional.
Música e cerveja ajudam a animar.
Não só cerveja, mais a energia dos jovens.
Só uma curiosidade: o que é que faz para descontrair na campanha? Não sei se consegue ler, ouve música na carrinha onde costuma deslocar-se, consegue ter algum tipo de rotina? Como é que organiza a sua vida?
Há uma coisa que eu não costumo fazer em geral, que é dormir em viagem. Isso em geral não acontece, só se eu estiver mesmo muito cansado. Depois procuro ler, procuro informação, procuro distrair-me com informação fora da política, ouvir música e conversar muito com as pessoas que estão na caravana.
Anda a ler alguma coisa em particular? E a ouvir?
Não, nesta altura são coisas mais curtas, pequenos ensaios, pequenos relatos, coisas que não sejam muito cansativas e que não exijam muita atenção, coisas leves.
E ainda não se fartou dos Queen, da música com que entra sempre nos comícios?
Não, eu acho que transmite a energia desta campanha, portanto acho que é uma boa escolha. Não estou cansado dos Queen.
Muito bem. Obrigada, Rui Rocha.
Obrigado, boa noite. Muito obrigado.
Rui Rocha, líder da Iniciativa Liberal, entrevistado por Mariana Lima Cunha. Esta foi a última chamada do Observador. Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos recusaram o nosso convite. André Ventura, que tem tido problemas de saúde que o obrigaram a sair da campanha, não conseguiu responder em tempo útil. As conversas que ouvimos foram editadas para passar neste compacto na rádio. As conversas na íntegra estão disponíveis em podcast no site do Observador. Eu sou a Maria João Simões.