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CaixaBank indica espanhol para substituir Ulrich como presidente executivo do BPI

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Fernando Ulrich deixa a presidência executiva do BPI em abril de 2017 que passará a ser ocupada por Pablo Forrero, diretor-geral do CaixaBank. Ulrich fica presidente do conselho, mas não executivo.

FÁBIO PINTO/OBSERVADOR

Fernando Ulrich vai deixar a presidência executiva do BPI no final de abril e será substituído por Pablo Forero que é diretor-geral do CaixaBank, onde tem o pelouro da área de gestão de risco.O banco catalão passou a controlar 84,5% do BPI depois da oferta pública de aquisição.

Em comunicado, o banco revela que Fernando Ulrich e Artur Santos Silva, que é presidente do conselho de administração não executivo, informaram que não pretendiam manter-se nos cargos num novo mandato. Ulrich vai ficar como presidente do conselho de administração. O gestor foi presidente executivo do BPI durante 13 anos, depois de substituir Artur Santos Silva.

Em conferência de imprensa esta quarta-feira, Fernando Ulrich manifestou a convicção de que o futuro será melhor para os clientes e trabalhadores, porque o BPI ficará integrado num grupo bancário de grande dimensão ibérica.

O BPI, a partir de hoje, faz parte do grupo CaixaBank. Isso é claro. Até agora, o CaixaBank era o maior acionista. A partir de hoje, o CaixaBank controla o BPI. Não há nenhuma dúvida sobre isto e eu entendo que isto é uma boa notícia para o BPI e para os clientes”.

Em abril do ano passado, quando questionado sobre se a OPA do CaixaBank poderia afastá-lo da presidência do BPI, Fernando Ulrich respondeu que tinha “boas hipóteses” de ser eleito para mais um mandato. Quase um ano depois, confirma-se só que o novo mandato será como presidente não executivo, um cargo que lhe vai permitir não ter saudades do banco no qual trabalhou mais 34 anos.

O ainda presidente do banco justifica a sua decisão de abandonar funções executivas, considerando que nesta nova fase o BPI deve ser liderado por alguém do CaixaBank, que conheça o grupo, desvalorizando ainda a questão da nacionalidade do novo CEO. O seu sucessor, Pablo Forero, está no banco catalão desde 2009.

Esta nomeação rompe com uma certa tradição dos investimentos espanhóis de alguma dimensão em bancos portugueses. Por exemplo, o Totta, comprado pelo Santander em 2001, sempre foi liderado por gestores portugueses: António Horta Osório, Nuno Amado e Vieira Monteiro. O Banco Popular em Portugal foi liderado por Rui Semedo até à sua morte em 2015 e o Bankinter escolheu um quadro português do Barclays, Carlos Brandão para ser o gestor de país (country manager) das operações compradas ao banco inglês.

BPI fica na bolsa, mas sai do índice PSI 20

Apesar da escolha do novo presidente executivo ter ficado em casa, neste caso na nova casa espanhola do BPI, o presidente do CaixaBank deixou a garantia de que o BPI manterá “uma base portuguesa, o que explica a maioria dos membros portugueses nos órgãos sociais” que vão ser eleitos em abril. Para já, o banco vai continuar cotado na bolsa de Lisboa, mas sairá do índice PSI 20 devido à concentração de muito capital num só acionista, o CaixaBank. O índice das principais empresas cotadas já só tem 17 títulos representados.

Gonzalo Gortázar defendeu ainda que Portugal é um país com grande potencial, razão pela qual o CaixaBank quer fazer parte do futuro. Sobre a saída de trabalhadores do banco — No prospeto da OPA, o CaixaBank admitia a redução de mais 900 colaboradores — Gortázar disse que o número era indicativo, adiantando que o processo será feito no passado por via de rescisões amigáveis.

O futuro presidente executivo do BPI, Pablo Forero, esteve na conferência de imprensa ao lado do presidente do CaixaBank

Na sua estreia pública como futuro presidente do banco, Pablo Forero revelou que está a aprender português, idioma que espera dominar com mais à vontade da próxima conferência de imprensa. Como estratégia para o banco português destacou a manutenção do foco comercial nas equipas do BPI a grande prioridade será a proximidade com os clientes.

O fundador do BPI foi convidado para presidente honorário nos órgãos sociais que serão eleitos na assembleia geral de 26 de abril. Artur Santos Silva lançou a Sociedade Portuguesa de Investimentos em 1981 que depois passou a banco em 1985, o mesmo ano em que foi criado o BCP.

Artur Santos Silva também procurou desvalorizar a “espanholização do BPI, sublinhando que o mais importante é o BPI servir o melhor possível o mercado português. Santos Silva afirmou não estar nada preocupado com a possibilidade do banco que criou vir a ser uma filial de um grupo espanhol. E realçou também que o BPI tem os parceiros certos, o CaixaBank, e a Allianz, seguradora alemã que se mantém no núcleo duro acionista.

Na comissão executiva vão ficar José Pena do Amaral, Pedro Barreto e João Oliveira Costa. Celeste Hagaton, a única mulher no conselho, e Manuel Ferreira da Silva também comunicaram que não queriam fazer um novo mandato. Estes gestores estiveram na comissão executiva 18 e 16 anos, respetivamente. Entram neste órgão, Alexandre Lucena e Vale, António Farinha de Morais, Francisco Manuel Barbeira, para além de Ignácio Alvarez Rendueles e Juan Ramon Fuertes.

António Lobo Xavier vai subir a vice-presidente do conselho de administração do BPI. Já Mário Leite Silva, administrador da Santoro de Isabel dos Santos, Carlos Moreira da Silva e Armando Leite de Pinho, deixam a administração do banco.

Os nomes agora propostos para os novos órgãos sociais do banco estão sujeitos às necessárias autorizações das entidades de supervisão.

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