Uma série de imagens captadas pela Reuters no Afeganistão – na zona que terá sido atingida pela “mãe de todas as bombas”, lançada pelos EUA no passado dia 13 de abril – revelam que os danos causados terão sido bastante menores do que os pretendidos. As imagens questionam também o real impacto da bomba não-nuclear que, de acordo com as forças militares norte-americanas, teria destruído túneis usados por elementos do Estado Islâmico e causado ainda a morte a 36 combatentes do grupo terrorista.

As novas fotografias, contudo, mostram um cenário um pouco diferente. O alvo do ataque norte-americano eram túneis e outras infraestruturas ao serviço do Estado Islâmico, mas as fotografias de Parwiz pouco mais mostram do que árvores queimadas e algumas casas danificadas na zona.

https://twitter.com/reuterspictures/status/856489504923930624

Nas legendas das imagens, o fotógrafo regista que, apesar dos danos óbvios em algumas árvores e casas na região de Achin, a algumas dezenas de metros é possível ver outras árvores intactas e ainda com folhas. Uma inspeção feita na zona por forças especiais afegãs, também fotografada por Parwiz, permitiu ainda circular por uma série de túneis também com poucos vestígios de destruição.

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Estas fotografias e informações agora reveladas colocam assim em dúvida o verdadeiro impacto causado pelo lançamento da bomba e o alegado falhanço dos alvos marcados pelo ataque dos EUA. Além de que, como reforça o repórter fotográfico, “a zona é bastante remota” e há “poucos sinais que comprovem a morte de quase 100 combatentes”.

MOAB, a segunda bomba não-nuclear mais potente do mundo

A GBU-43 Massive Ordnance Air Blast — cuja sigla MOAB lhe valeu a alcunha de “Mother of All Bombs” ou, em português, “mãe de todas as bombas” — é a mais potente bomba não-nuclear usada pelos EUA. A primeira será, alegadamente, o “pai de todas as bombas” (FOAB), uma criação russa que ainda não foi testada.

A bomba com assinatura norte-americana pesa 9,5 toneladas (8,4 são explosivos) e consegue uma explosão com um diâmetro de 1,4 quilómetros. Mas, neste caso, há dúvidas sobre a potência com que atingiu a província afegã de Nangarhar, a 13 de abril, cujas expetativas iniciais apontavam para uma “onda de destruição até 1,6 quilómetros”, descreve o fotógrafo da Reuters.

De acordo com as informações divulgadas na altura pelo assessor da Casa Branca, Sean Spicer, o objetivo era acabar com um “sistema de túneis” do grupo radical autoproclamado Estado Islâmico, que permitia aos seus milicianos “mover-se com liberdade e atacar com mais facilidade os militares norte-americanos e as forças afegãs”. E foi uma das investidas ordenadas pelo presidente Donald Trump poucos dias depois do lançamento de mísseis contra uma base militar na Síria.

O ataque teria causado a morte de pelo menos 36 combatentes daquele grupo radical, informou depois o governo afegão. O próprio ministério da Defesa avançou, em comunicado, que uma rede de túneis tinha sido destruída. O Estado Islâmico, porém, desmentiu ter sofrido baixas no bombardeamento. “Uma força de segurança desmentiu à agência Amaq a existência de qualquer morto ou ferido no ataque americano de ontem em Nangarhar”, indicou a Amaq, citada pela Agência Lusa.

O vídeo do bombardeamento pela GBU-43 seria depois divulgado pelo Pentágono. Mas os verdadeiros dados causados pelo seu impacto são agora questionados pelas novas imagens da Reuters.

Vídeo mostra bomba dos EUA a cair no Afeganistão