Autárquicas 2017

PSD/Lisboa: Passos está a seguir “linha estalinista”

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Rodrigo Gonçalves, presidente interino da concelhia do PSD/Lisboa, não poupa nas críticas a Passos Coelho. O social-democrata diz estar a ser perseguido e acusa o líder do PSD de tiques estalinistas.

"[Sinto] mágoa pela linha estalinista com que Pedro Passos Coelho está a decidir todo este processo autárquica"

TIAGO PETINGA/LUSA

O presidente interino da concelhia do PSD/Lisboa, Rodrigo Gonçalves, acusou Pedro Passos Coelho de estar “a perseguir os seus opositores ou aqueles que têm ideias diferentes” e “também os seus familiares”. A reação do social-democrata surge depois de a distrital do PSD/Lisboa ter decidido vetar a recandidatura de Daniel Gonçalves, pai do dirigente do PSD/Lisboa, à junta de freguesia das Avenidas Novas nas autárquicas de 1 de outubro.

Em declarações à Sábado, Rodrigo Gonçalves não esconde o seu descontentamento. “Vejo toda esta situação com alguma mágoa. Mágoa pela linha estalinista com que Pedro Passos Coelho está a decidir todo este processo autárquico. Quer anular todos aqueles que pensam de maneira diferente, mas pior do que isso é que podia opor-se a mim, mas preferiu perseguir o meu pai”, afirmou o homem que sucedeu a Mauro Xavier na concelhia do PSD/Lisboa.

Como explicava aqui e em detalhe o Observador, a distrital de Lisboa do PSD decidiu não integrar nas listas às autárquicas os elementos da família Gonçalves, que tem acumulado tanto poder quanto polémicas na capital. Daniel Gonçalves, o patriarca e presidente da junta de freguesia das Avenidas Novas, é o único dos cinco presidentes de junta do PSD em Lisboa que não será recandidato nas eleições de outubro. Rodrigo Gonçalves, o filho — que já foi presidente da junta de São Domingos de Benfica e é assessor dos vereadores do PSD na câmara de Lisboa –, também não vai integrar as listas para a Assembleia Municipal, ao contrário do que aconteceu em 2013.

Miguel Pinto Luz, presidente da distrital do PSD/Lisboa, nega que haja qualquer tipo de perseguição em curso à família Gonçalves. Em declarações ao Observador, o dirigente social-democrata explica que a votação sobre a composição das listas foi conduzida através de voto secreto e o resultado foi esclarecedor: 29 novos a favor, um contra e um voto em branca.

Além disso, continua Pinto Luz, a escolha de Pedro Proença, advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados em Lisboa, em detrimento de Daniel Gonçalves, faz parte de um “esforço que não se via há muito” do PSD em Lisboa no sentido de abrir o partido “à sociedade civil”. “Os partidos estão fechados. Tinha de haver renovação”, sustentou o dirigente social-democrata.

No entanto, e segundo conseguiu apurar o Observador junto de uma fonte da distrital que preferiu não ser identificada, os elementos ligados à família Gonçalves foram afastados porque o partido não queria continuar a sofrer embaraços sucessivos, tendo em conta a forma de operar daquela fação do PSD.

Não podemos ter um cancro no partido e ter a responsabilidade sobre ele. As pessoas andam tão afastadas da política que queremos ter gente com penetração na sociedade, como médicos, professores ou advogados, pessoas com vida na sociedade civil que fizeram o seu percurso e que estão aqui para servir a política”, comentou com o Observador uma fonte da direção da distrital do PSD.

Família Gonçalves varrida das listas do PSD em Lisboa

Rodrigo Gonçalves rebate essa justificação e atribui o afastamento do pai à perseguição política que diz estar em curso contra ele e contra a família Gonçalves.

Garantindo que, enquanto a atual linha estiver a ser seguida”, não vai ser candidato a qualquer cargo, o social-democrata recorda que esteve ao lado de Passos na disputa com Manuela Ferreira Leite. “Pedro Passos Coelho esquece-se de que em 2009 criticou violentamente Manuela Ferreira Leite quando ela vetou o seu nome para deputado. Eu próprio me afastei de Manuela Ferreira Leite, porque não concordava com aquela forma de dirigir o PSD. [Agora], cometeu exatamente o mesmo erro, esquecendo-se das lições que devia ter tirado e esquecendo-se, principalmente, que foi exatamente nesse momento que começou a mudar o ciclo político interno no PSD”.

Contactado pelo Observador, o gabinete de Pedro Passos Coelho não quis reagir às declarações de Rodrigo Gonçalves.

A 14 de abril, o Observador contava detalhadamente a história da rede da família Gonçalves: como se tornaram poderosos no PSD/Lisboa, como são determinantes nas contas aos votos e os episódios de pancadaria em que se viram envolvidos.

A rede da família Gonçalves: como se tornaram poderosos no PSD/Lisboa

* Artigo atualizado com as declarações de Miguel Pinto Luz, presidente do PSD/Lisboa, ao Observador

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