Autárquicas 2017

Debate no Porto. Moreira acusa jornalista do Público que escreve sobre Selminho de ser casada com assessor do PSD

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Rui Moreira respondeu ao caso Selminho: para dizer que o conflito de interesses não é seu, mas por a mulher do assessor de Álvaro Almeida ser a jornalista do Público que escreveu sobre o caso.

O atual presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira

© Global Imagens

Rui Moreira nunca tinha estado debaixo de um fogo tão intenso por causa do caso Selminho — um conflito entre a sua família e a câmara por causa dos direitos de construção de um terreno — mas no debate desta quarta-feira na RTP3 reagiu com violência. Mas contra uma jornalista. Perante as acusações de “conflito de interesses” por parte de Álvaro Almeida, candidato do PSD, o presidente da câmara do Porto levava uma resposta preparada: disse que o conflito de interesses que existe neste caso é o facto de a jornalista do Público que tem acompanhado o caso Selminho, ser “mulher de um assessor de Álvaro Almeida”. Problema adicional: segundo o Público, a jornalista é divorciada do assessor há anos.

É evidente que há sempre questões de conflitos de interesses. Sabe qual é o conflito de interesses? Quer-me [Álvaro Almeida] dizer qual é o seu principal assessor? Ai não sabe quem é o seu principal assessor? Chama-se Rogério Gomes. Sabe quem é a jornalista que tem feito isto? Chama-se Margarida Gomes. Será uma mera coincidência? É a mesma pessoa que perseguiu o presidente da Câmara de Gaia, nomeadamente a sua mulher, que por acaso tinha despedido Rogério Gomes. Isso sim são conflitos de interesse”, explicou Rui Moreira.

Pouco tempo depois da declaração de Rui Moreira na RTP3, o Público reagia no Facebook, através do seu diretor, David Dinis: “Rui Moreira, o autarca que não vê conflito de interesse com Rui Moreira empresário, mesmo tendo um conflito com a câmara, já os vê nas relações pessoais de jornalistas com uma pessoa de outro partido“. David Dinis acusou o político de mentir — a jornalista e o assessor já não são casados –, de não gostar de notícias e de ser populista:

Pior é que ele sabe que mentiu e omitiu, esta noite no debate na RTP. Que Rui Moreira não goste de notícias é com ele, quando mente envolvendo jornalistas do Público é connosco e com a verdade. O populismo também é isto. Não podia ficar em branco.”

Rui Moreira ainda acrescentou que a notícia do Público desta quarta-feira — a dar conta de que a câmara reclamou em tribunal a posse dos terrenos registados em nome da família do autarca — era positiva: “A notícia do Público é-me favorável porque mostra que a câmara , já em junho apresentou uma ação para tentar garantir a posse de um terreno de que durante 20 30 anos não quis saber”.

O seu antigo vereador Manuel Pizarro, candidato do PS, não gostou da forma como Moreira atacou o jornal e deu a entender que este estava a pôr em causa a liberdade de imprensa. Alertou para a necessidade de “preservar a liberdade” e independência dos jornalistas “embora a comunicação social incomode muitas vezes”. Também contrariou Moreira quando este disse que a autarquia nunca tinha ligado aos terrenos: “Pelo contrário: ano após ano, a limpeza foi feita pela câmara, que efetivamente se comportava como proprietária do terreno”. Para evitar mais problemas no futuro, o socialista prometeu fazer um inventário do património camarário.

A polémica foi desencadeada por Álvaro Almeida, que viu neste caso um “exemplo de falta de transparência da Câmara”e que acusou Rui Moreira na entrevista ao Observador de conflito de interesses”. A polémica só terminará quando a Câmara assumir a posse dos terrenos porque “o terreno não é da Selminho”, afirmou no debate.

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O independente que concorre nas listas sociais-democratas contestou que a história do Público fosse assim tão favorável: “A notícia tem dois problemas de fundo: o primeiro é que o processo entrou em junho, quando a câmara já sabia que os mesmos terrenos sempre foram tratados como seus porque sempre procedeu à sua limpeza e nunca imputou os custos ninguém”. Em segundo lugar, Álvaro Almeida afirmou que o entendimento da câmara com a empresa não tem validade: “A câmara entendeu renegociar os termos de um acordo com a Selminho que não devia existir porque os terrenos são da câmara. O caso só terminara quando ficar claro que não há direito da Selminho para construir”.

João Teixeira Lopes, candidato do Bloco de Esquerda levou documentos com as adjudicações diretas da câmara ao advogado da família Moreira no caso dos terrenos:

O advogado da Selminho, que representou a família, teve ajustes diretos da câmara municipal do Porto para trabalhar para a câmara sem concurso público”.

A comunista Ilda Figueiredo considerou “positivo a Câmara reclamar os terrenos”. Mas depois leu uma peça do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto a falar das “condições de não edificabilidade dos terrenos”. Rui Moreira acusou várias vezes Ilda Figueiredo de estar a mentir e disse estar “tranquilo”.

Rui Moreira é um “cata-vento”, diz João Teixeira Lopes

Manuel Pizarro garantiu que não vai abandonar a autarquia: “Em qualquer das situações, trabalharei a favor das cidades e dos portuenses”. O candidato reforçou que não vê sentido num acordo com Rui Moreira, atual presidente da Câmara do Porto, “depois do que aconteceu em maio”, quando Rui Moreira “descartou o apoio do PS”. Por sua vez, também o atual presidente, não vê sentido em “fazer parte enquanto vereador, numa câmara presidida por outro”, alertando que “não quer dizer que as pessoas da lista não tenham liberdade para o fazer”.

Ilda Figueiredo, candidata pelo CDU, acusou Manuel Pizarro de ter caído “nos braços de Rui Moreira após as eleições”. Também João Teixeira Lopes, candidato pelo BE, seguiu com críticas a Manuel Pizarro, acusando-o de ser “um cata-vento” e de ter mudado de “posição em cada debate”. João Teixeira Lopes explicou que o candidato pelo PS, admitiu uma coligação com todos no debate da SIC mas no da TVI já só admitia uma coligação com Rui Moreira.

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“É necessário impedir que o centro histórico do Porto se torne uma Disneylândia”

“O turismo começou antes de mim. E começou bem”, recordou Rui Moreira. O candidato independente relembra que “o turismo cresceu porque surgiu uma oportunidade. Foi uma oportunidade e foi bem aproveitada”. Rui Moreira olha para o turismo como algo de “bom” mas alerta para a sua necessidade de gestão.

Álvaro Almeida também vê o turismo como positivo mas que traz problemas. O candidato do PSD acusa a atual Câmara Municipal do Porto de não ter tido capacidade de resolver os problemas. Álvaro Santos Almeida sugere um alívio fiscal às famílias portuenses e um plano de “reabilitação de cerca de 25 mil alojamentos vagos que existem na cidade”, que chegue a toda a cidade.

A transformação do centro histórico do Porto numa “Disneylândia” é a preocupação de Ilda Figueiredo, candidata pelo CDU, destacando o excesso de pedidos para novos hotéis na baixa da cidade. A candidata propõe a criação de um Observatório do Turismo. “Há muitas freguesias onde não chegou o fluxo do turismo”, alerta Ilda Figueiredo, acrescentando que turismo tem de ter um “programa claro por parte da câmara e não tem”.

Não podemos perder o turismo para a cidade mas também não podemos perder a cidade para o turismo”, apontou João Teixeira Lopes, candidato pelo BE.

O candidato alertou que a cidade do Porto “está a ser engolida pelo alojamento local”, daí defendendo a necessidade de “impor quotas ao alojamento local”. João Teixeira Lopes não é “contra o turismo” e defende que “é uma questão de impor regras”.

Para Costa Pereira, candidato pelo PTP, “a alma do Porto acabou, a cidade desapareceu”, alertando que o “problema do turismo não está só no centro da baixa”. Também a candidata do PAN, Bebiana Cunha, defende a necessidade de o turismo ser “entendido numa lógica da sustentabilidade”, nomeadamente, através da realização de estudos de carga.

Bebiana Cunha acredita que “a questão do turismo é benéfica mas também é maléfica”. Para além do problema da habitação, a candidata alerta também para o problema da mobilidade: carros elétricos e bicicletas é o cenário que traça para o centro da cidade. Sandra Martins, candidata do PNR, acredita no turismo: “Mas um turismo que não venha prejudicar os nossos”. A candidata defende a criação de uma taxa turística.

Acrescentada a informação de que a jornalista e o assessor já não são casados às 09:58.

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