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SIRESP volta a falhar. Como funciona este sistema de emergência que falha nas catástrofes?

Junho 201722 Junho 2017437
Pedro Rainho

Que falhas houve em Pedrógão Grande?

Pergunta 11 de 11

Logo na noite de sábado, Jorge Gomes, secretário de Estado da Administração Interna assumiu que o SIRESP tinha deixado de operar, apesar de as comunicações entre os homens no terreno não terem ficado comprometidas. “A informação preliminar que tenho é a de que não houve uma falha total, houve intermitências, a fibra ótica foi destruída pelo incêndio mas foram colocadas às 20 horas [de sábado], se a memória não me falha, redes móveis satélites para assegurar a rede SIRESP”, disse a ministra Constança Urbano de Sousa à RTP3.

O equipamento ardeu (os cabos de transmissão de dados), as comunicações foram abaixo e, segundo a ministra da Administração Interna, foram mobilizadas duas unidades móveis para o local. Ainda assim, desvalorizava a ministra, “existem sistemas redundantes” ao dispor dos bombeiros, sistemas que terão garantido a permanência da comunicações. “Às 20h de sábado havia antenas móveis que foram imediatamente mobilizadas para o local”, reafirmou a ministra.

O semanário Expresso tem outra versão dos acontecimentos. Desde logo, o momento em que as antenas móveis foram acionadas. “Às 23 horas de sábado, foram acionados os procedimentos necessários para que duas das estações móveis da rede SIRESP se encaminhassem para a zona de Pedrógão Grande”, começa o artigo publicado esta quarta-feira.

O mesmo artigo refere que apenas uma das antenas móveis esteve na zona de Pedrógão Grande, uma vez que a antena da GNR está danificada desde a visita do Papa Francisco a Fátima e as duas antenas ao serviço do MAI não dispõem de ligação satélite.

“Aqui, foram colocadas duas antenas móveis e, portanto, que estavam a funcionar por satélite, não posso confirmar essa informação” de que só uma unidade esteve ativa, contrariou Constança Urbano de Sousa. Mas o Expresso dava pormenores. “A GNR ainda terá tratado de destacar a equipa que deveria transportar a unidade móvel até ao local, mas esta unidade móvel encontrava-se em reparações, devido a um dano registado na antena periscópica aquando das operações que a GNR montou no terreno durante a visita do Papa Francisco a Fátima”, refere o artigo.

Também ao contrário da versão da ministra, o Expresso refere que só às 8h da manhã de domingo, cerca de nove horas depois de ter sido detetada a falha, teria sido reposta a atividade normal da rede.

Falta perceber, em concreto, que equipamentos foram afetados pelo incêndio, a que horas o sistema falhou, qual o tempo de resposta das autoridades, que nível de resposta foi dado (uma antena móvel, duas?), quantas unidades móveis estão, de facto, operacionais, durante quanto tempo esteve o sistema fora de serviço, que consequências resultaram dessa inoperância, que meios “redundantes” têm os elementos no terreno ao seu dispor, de que forma (se existir alguma) pode o SIRESP ser protegido contra estes incidentes recorrentes que resultam em falhas da rede.

As respostas deverão constar o relatório pedido pela MAI ao SIRESP. Na entrevista, Constança Urbano de Sousa disse que as conclusões desse estudo inicial seriam entregues ao Governo esta quinta-feira, mas até ao fecho desta edição o documento ainda não tinha sido divulgado.

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