Afonso Reis Cabral

Convidado

Nasci em 1990 e escrevo desde que me lembro. Em 2005 publiquei o livro de poesia Condensação. Licenciei-me em Estudos Portugueses e Lusófonos e tenho mestrado na mesma área, ambos na FCSH. O romance O Meu Irmão foi publicado pela Leya no final de 2014. Estou em busca de um novo livro. ver mais...

Crónica

Os gordos

Afonso Reis Cabral

Não tinham acabado de negociar e já diziam a três bocas: eu só tenho uma boca; e já acenavam a seis braços: eu só tenho dois braços. O gordo percebeu que a engenhoca de três homens subiria à cadeira.

Literatura

Kamov

Afonso Reis Cabral

Quando escrevia só, voava direito ao objectivo e tinha a certeza de que a mão que guiava o voo era única, minha. Agora temo voar rente por me saber observado, tolhido pela trepadeira chamada orgulho.

197
Crónica

Osborn

Afonso Reis Cabral

Os operários, manchas humanas com capacetes amarelos, vergavam os ombros perto das catedrais. Alguns conservaram os olhos azuis com que nasceram, mas pouco mais. O amarelo escuro dos fornos engolia-os

Crónica

Amorzinho

Afonso Reis Cabral

O amigo repara no sorriso de mulher satisfeita escondido na meia-idade como flor em redoma. Até as mãos indicam um grande prazer, e íntimo, que força a saída pela expressão do corpo.

133
Férias

Boca Doce

Afonso Reis Cabral

Nesse dia, perdi o pé na dança com o mar. Quando tentava continuar, o fundo tornou-se mais fundo, as ondas mais intensas. Ainda que combatesse a corrente, esta queria levar-me ao colo para longe.

280
Crónica

As gralhas

Afonso Reis Cabral

Onde poisam, comem e esgravatam. E quando se pensa que o texto foi finalmente catado dessa ave, ela volta num pairar que quase não toca nas palavras, e mesmo assim as descompõe.

205
Novo Acordo Ortográfico

O bicho

Afonso Reis Cabral

Eu sei. Repudiar o bicho já cansa. Mas é preciso fazê-lo, sob pena de o bicho nos repudiar a nós. Neste momento cabe uma ressalva para que o retrato fique mais claro. Esquecia-me de esclarecer. Claro 

433
Poesia

Voltar à Feira

Afonso Reis Cabral

Perto da entrada, comprava o primeiro livro da Feira, mesmo que não me interessasse. É que outros também chegavam cedo, e cedo comprariam um livro. Escrevia "Primeiro livro da Feira" na folha de rosto

166
Amor

Pêlo-me por ti

Afonso Reis Cabral

O que ela tinha a mais, ele retirava do que a mais tinha. Ajustavam-se,nivelavam-se. Mais radicais do que quem faz tatuagens. Mantinham entre si uma marca, uma ligação que precisava de atenção e aparo

132
Língua

Forever young

Afonso Reis Cabral

Não há dia sem que o discurso dos eternos jovens nos perturbe. Os 30 são os novos 20, os 40 os novos 30, os 50 os novos 40. Só a minha avó não tem o privilégio de os 100 serem os novos 90.

560
Leitura

Só não é bom na cama

Afonso Reis Cabral

Os títulos que nunca nos interessariam expõem a lombada como animais sem medo, pedindo mão que os folheie. Não sei a quem terá pertencido, mas encontrei-o entre os meus livros.

377
Livros

Planeta X

Afonso Reis Cabral

Agora só me interessa o próximo livro, mas dar-lhe forma como? Chegar aonde?A escrita, neste momento, assemelha-se a uma viagem para um planeta desconhecido. Não há nada, nem oxigénio, entre mim e ela

491

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site