As economias paralelas do Reino Unido, Itália e Irlanda vão fazer parte das contas do produto interno bruto (PIB) destes países, a partir do final de 2014. Ou seja, as receitas geradas em atividades ilícitas, como a prostituição ou o tráfico de drogas, passam a integrar a fórmula matemática que mede o valor dos produtos e serviços produzidos nestas nações, apesar de a opinião dos especialistas sobre o assunto não ser consensual, lê-se no Wall Sreet Journal desta segunda-feira.

Em causa, está o método do cálculo e o facto de este tipo de atividades não se refletir nos impostos cobrados, ou seja, nas receitas dos respetivos Estados. A favor, lê-se que se o dinheiro gerado pelo tráfico de droga, por exemplo, não for contabilizado em países onde a população gasta metade do seu vencimento nestas substâncias, conclui-se erradamente que esta fatia de capital é poupança das famílias.

No Reino Unido, as estimativas apontam para que o PIB aumente 6,5 mil milhões de euros só com as receitas geradas pela prostituição e 5,4 mil milhões de euros com o dinheiro proveniente do tráfico de droga. Cocaína, heroína, crack, canábis, ecstasy e anfetaminas são as drogas a incluir no produto britânico, segundo o Instituto Nacional de Estatística inglês. Se a medida entrasse em vigor em Portugal, as estimativas apontariam para um aumento entre 1% e 2% do PIB, segundo os dados do Eurostat, organismo independente responsável pelas estatísticas da União Europeia.

Itália vai incluir receitas oriundas do tráfico de droga, prostituição e mercado negro no cálculo do PIB.

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A conta inglesa passa por estimar o número de consumidores do país, de acordo com os dados oficiais sobre criminalidade, e multiplicá-lo por uma estimativa da quantidade de droga consumida, em média, por indivíduo. No caso da canábis, por exemplo, a percentagem que é fruto de produção caseira vai ser estimada tendo em conta a energia elétrica utilizada, segundo a informação divulgada pelo Wall Street Journal.

As contas às receitas geradas pela prostituição vão incluir os dados fornecidos pela Polícia Metropolitana de Londres sobre as atividades de rua, e outros apurados junto de uma organização não governamental, sobre a prostituição “fora da rua”. Além das receitas provenientes do tráfico de droga e da prostituição, Itália vai incluir os dados do contrabando no cálculo do PIB.

Para Claus Vistesen, economista responsável pela zona euro na empresa norte-americana Pantheon Macroeconomics, a integração da economia paralela no cálculo do PIB pode torná-lo “menos preciso”, refere no artigo publicado pelo Wall Street Journal. E Thomas Costerg, economista do banco inglês Standard Chartered refere que esta inclusão pode tornar-se muito teórica e trazer “efeitos secundários, como o aumento do ceticismo da população face às estatísticas”.

A inclusão da economia paralela é uma das mudanças previstas nas revisões estatísticas europeias. A verdade é que se, para alguns países, pode ser bom aumentar o peso das suas economias, visto que um PIB elevado ajuda a manter o défice do país dentro das metas estabelecidas por Bruxelas, para outros agrava os custos, aumentando as contribuições das nações para o orçamento colectivo da União Europeia, que é determinado pelo PIB.