O braço de ferro entre António Costa e António José Seguro continua no sábado dia 21, em Ermesinde, quando o partido discutir na comissão nacional a proposta do autarca de Lisboa para realizar um congresso extraordinário e eleições diretas no partido. Mas a batalha final ainda não vai ficar resolvida desta vez. Até essa altura, Costa não vai conseguir reunir os apoios necessários para fazer aprovar a proposta na comissão nacional, e dificilmente o conseguirá por via das federações distritais.

Para já, António José Seguro deverá conseguir que a maioria dos comissários – membros da comissão nacional do partido – chumbe a proposta de António Costa para a realização de congresso extraordinário precedido de eleições diretas para a escolha de novo secretário-geral. Mas o autarca de Lisboa ainda não desistiu da última via para impor a intenção de disputar rapidamente a liderança do partido: já tem o apoio de cinco federações distritais e ainda há várias federações com reuniões marcadas nas próximas semanas. Para que seja marcado um congresso extraordinário, é preciso uma dupla maioria: metade das federações que representem metade dos militantes.

E esta tarefa não está fácil: para já, os apoiantes de Costa já fizeram aprovar resoluções a favor do congresso extraordinário em cinco federações distritais: Algarve, Évora, Portalegre, Castelo Branco e Vila Real. Em Viseu, a proposta não passou e na federação distrital do Porto a proposta nem chegou a votação. Na Madeira, idem. A distrital do Porto era importante para as contas de António Costa uma vez que é a maior federação do país (cerca de 20 mil apoiantes) o que lhe daria margem para conseguir federações mais pequenas, mesmo que só conseguisse as onze necessárias. Ainda esta semana, reúne-se a comissão política da federação de Setúbal.

Falta, assim, que 13 federações tomem posição. Só no final é possível fazer as contas e avaliar se as conseguidas por Costa representam ou não mais de metade dos militantes.

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Mas mesmo que Costa consiga fazer passar a possibilidade de congresso, este pode ser marcado para depois das primárias, isto porque a data dos conclaves é marcada pela comissão nacional, onde Costa não tem maioria. Ou seja, dificilmente o PS irá ter eleições diretas e congresso extraordinário antes de 28 de Setembro (data das eleições primárias para a escolha do candidato a primeiro-ministro) e pode mesmo acontecer que nem se realize. Caso Seguro vença as primárias, pode optar por não marcar nenhum congresso extraordinário.

Guerra de estatutos dura há duas semanas

Apesar de o negarem, António José Seguro e António Costa estão envolvidos numa guerra de estatutos para fazerem vincar posições.

Tudo começou com a disponibilidade do autarca de Lisboa para liderar o partido na sequência da vitória com uma diferença de 4 pontos percentuais em relação à aliança PSD-CDS nas eleições europeias. Depois disso, Seguro disse “registar” a posição de Costa e na comissão nacional – que já estava marcada para discutir o resultado das eleições – fez passar uma proposta para eleições primárias para a escolha do candidato a primeiro-ministro, recusando demitir-se e abrir a possibilidade de eleições diretas no PS. Já António Costa conseguiu reunir as assinaturas necessárias para forçar a realização de uma comissão nacional em que se debatesse a possibilidade do congresso extraordinário e ficou marcada para este sábado, em Ermesinde.

Depois da comissão nacional, a comissão política do partido, a direção alargada do PS, aprovou por larga maioria a proposta de Seguro. Costa até votou a favor, mas assinou uma declaração de voto onde defendia que estas deveriam realizar-se mais cedo.

A comissão nacional de sábado dia 21 vai ainda discutir a proposta de António José Seguro de realização de congressos nas federações distritais antes das eleições primárias.

Artigo corrigido: A data da comissão nacional é dia 21 de Junho, e não no próximo sábado.