O grupo islamita Hamas está preparado para acordar um cessar-fogo com Israel depois das ofensivas lançadas nos últimos dias por ambas as partes ao longo da fronteira da Faixa de Gaza, noticia esta sexta-feira a BBC. O conflito israelo-palestiniano escalou nos últimos dias depois das suspeitas de que a morte de um adolescente palestiniano tinha sido uma retaliação de Israel depois de, na segunda feira, também ter chorado a morte de três jovens israelitas na Cisjordânia. O plano de tréguas estará a ser mediado pelos serviços de inteligência do Egito.

À cadeia de televisão britânica BBC, fonte do Hamas garantiu que os “intensos contactos” entre o grupo e a inteligência egípcia tinham sido bem sucedidos na tarefa de “alcançar uma nova trégua entre o Hamas e Israel” e que um acordo de cessar-fogo seria anunciado “dentro de horas”. De acordo com a mesma fonte, o Hamas estará pronto para parar o lançamento de ‘rockets’ se tiver garantias de que Israel vai parar os ataques aéreos.

O grupo islamita Hamas é um filiado da Irmandade Muçulmana, considerada grupo terrorista no Egito, pelo que já é recorrente que a inteligência militar egípcia seja chamada a intervir como canal de comunicação entre israelitas e palestinianos em momentos de alta tensão.

Segundo relata o correspondente da BBC em Jerusalém, Kevin Connolly, o Hamas tem sido enfraquecido pelo Governo do Egito, liderado pelo general Al-Sissi, que luta por esmagar a Irmandade Muçulmana em território nacional, e não está em condições de suportar uma escalada internacional do conflito. Israel, por sua vez, diz que só lançou raides aéreos contra Gaza em resposta à ofensiva palestiniana.

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Esta semana ficou marcada pela troca de fogo entre os dois lados e pelo escalar da tensão em Jerusalém Oriental, que se prepara esta sexta-feira para o funeral do adolescente árabe assassinado, Mohammed Abu Khdair, cujo corpo, brutalmente queimado, foi descoberto na quarta-feira. Os últimos dois dias foram de violência entre palestinianos e a polícia israelita e a data do funeral já teve mesmo de ser adiada.

As motivações por trás da morte do jovem de 16 anos ainda estão sob investigação, mas é a hipótese de vingança israelita que está a agravar os confrontos. Na Faixa de Gaza, o jornalistas relatam que a situação no terreno acalmou perante os contactos com o Egito.