Ashraf Ghani venceu as presidenciais afegãs com 56,4% dos votos, derrotando Abdullah Abdullah, que obteve 43,5%, segundo os resultados preliminares divulgados esta segunda-feira. O presidente da Comissão Eleitoral Independente (CEI), Ahmad Yusuf Nuristani, anunciou que a participação eleitoral foi mais alta que o esperado, atingindo os oito milhões de eleitores, num universo de 13,5 milhões. Na primeira volta, realizada a 05 de abril, a participação foi de seis milhões.

“A CEI admite que apesar dos esforços para uma eleição melhor, houve alguns erros técnicos e falhas no processo”, disse Nuristani à imprensa. “Não podemos negar fraude ou irregularidades no processo, em alguns casos houve forças de segurança envolvidas, noutros houve responsáveis governamentais seniores, como governadores ou responsáveis de nível mais baixo, envolvidos”, acrescentou.

A divulgação dos resultados preliminares da segunda volta das presidenciais de 24 de junho atrasou-se por cerca de quatro horas, para contatos entre os dois candidatos com vista a um acordo. Abdullah, vencedor da primeira volta, tinha acusado os apoiantes de Ghani de fraudes “a uma escala industrial” e afirmado que vai recusar os resultados “ilegítimos”. O adversário, por seu lado, afirmou que venceu justamente.

Uma questão central nas discussões prende-se com a recontagem de votos, feita pela CEI em 2.000 dos 23.000 centros de votação, mas que Abdullah quer ver alargada a mais assembleias de voto. “Concordámos em fazer uma auditoria a 7.000 centros de votação, mas eles tinham outras condições que não podíamos aceitar, portanto, para nós, houve apenas um acordo parcial”, disse o porta-voz de Ghani, Daud Sultanzoy, à agência France Presse, antes da divulgação dos resultados.

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O porta-voz de Abdullah, Fazel Sancharaki, disse à mesma agência que o candidato exige “a inspeção de 11.000 centros de voto sob supervisão das Nações Unidas” e que “7.000 centros de votação não é suficiente”. “As negociações continuam. Se resultarem, entraremos no processo, se não resultarem, não vamos reconhecê-lo”, disse.

Ambas as partes disseram que a ONU está envolvida nas conversações, mas o porta-voz da organização escusou-se a fazer qualquer comentário. Depois da divulgação dos resultados preliminares, esta segunda-feira, os resultados oficiais deverão ser anunciados após o prazo para a apresentação de queixas, a 24 de julho.