Ao contrário do que o destaque acima sugere, hoje trago boas notícias: ainda há esperança para a Europa. Com a vitória do Die Linke em Berlim, prevejo um novo fôlego para a economia alemã e, por inerência, para a europeia. E não, não falo de um reavivar da outrora prestigiada indústria automóvel germânica, que estes meninos, se pudessem, proibiriam a utilização da roda em qualquer meio de transporte que não fosse a bicicleta. Ah, e o circense monociclo, claro.
Ou muito me engano, ou a indústria alemã que está prestes a receber um forte impulso é a da construção civil. O PIB alemão há-de disparar assim que os jovens do Die Linke se apoderem dos comandos da cidade e comecem a erguer uma nova versão do Muro de Berlim, a ver se conseguem obrigar alguém a permanecer na capital. Não fosse o Die Linke o orgulhoso herdeiro do pior da República Democrática Alemã — três palavras, três mentiras —, nomeadamente o seu partido único. Como se costuma dizer, “o fruto não cai longe da árvore”. E eu, se tivesse conseguido, teria engendrado um paralelismo perfeito entre o progenitor Partido Socialista Unitário da Alemanha, da ex-RDA, e o rebento (pun unintended, por acaso; a minha intenção era destacar a aliança vermelha-verde apenas no parágrafo seguinte) Die Linke.
Esta sequência — Mamdani a conquistar Nova Iorque e o Die Linke a conquistar Berlim — levou muita gente a evocar Leonard Cohen e o seu First We Take Manhattan (Then We Take Berlin), para ilustrar este grande salto em frente. Já a mim ocorreu-me o tema dos U2, Zoo Station, inspirado nessa estação de metro de Berlim, metrópole que, antecipo, será em breve um autêntico jardim zoológico de aves raras. A cidade-símbolo da unificação alemã é agora a cidade-símbolo da unificação comunista-islâmica. Parabéns, Berlim?
Uma coisa é certa: esta seria a altura perfeita para reformular a nossa política de imigração. Mandávamos para Berlim os inúmeros “engenheiros” que cá temos ilegalmente e recebíamos os engenheiros alemães que não estejam entusiasmados com a perspectiva de viver numa nova Faixa de Gaza. Um pouco como os EUA fizeram na Segunda Guerra Mundial com os melhores engenheiros alemães: na altura, estes tiveram um papel fundamental na construção do poderio militar americano; agora nós, quem sabe?, talvez até conseguíssemos construir o novo aeroporto de Lisboa.
Dêem tempo a estes meninos do Die Linke para trabalharem e, em breve, teremos notícias de maravilhas vindas da capital alemã. Antecipo, por exemplo, uma nova versão da famosa Bola de Berlim, desta vez não apenas sem creme, mas também sem massa. Ou mais ataques “anti-capitalistas” que, empolgados com a nova liderança da cidade, voltem a deixá-la sem luz quatro ou cinco dias, como aconteceu no início do ano. Já agora, alguém me explica esta coisa de ser contra a energia eléctrica, para mais vinda de alemães? Querem o quê? Recorrer, em alternativa, ao gás? Hum… O precedente histórico não é brilhante.
Enfim, nos últimos anos muita gente falou do problema da gentrificação das cidades ocidentais, mas a vitória do Die Linke em Berlim prova que o problema é outro: o drama é mesmo a estupidificação de todo o mundo ocidental nas últimas décadas.
“Então e nós, por cá, como é que ficamos no meio deste caos?”, perguntar-se-ão aqueles (dois? três?) que teimam em permitir que futilidades como o futuro dos filhos e netos os impeçam de gozar, em pleno, as chorudas devoluções do saque fiscal em sede de IRS e pensões. Por cá, onde também tudo o que há de péssimo demora mais a chegar (vá lá, ao menos isso), este poderia ser um daqueles proverbiais fechares de porta e aberturas de janela. Dá-se é o caso de não termos um único líder político interessado e/ou capaz de galgar esse parapeito. Passos Coelho? Ui, são tantos os passos para Passos passar para os Passos Perdidos, que temo sejamos um caso perdido.
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